IPO: o que é e como investir nesta modalidade?

O IPO é a primeira oferta de ações de uma empresa na Bolsa de Valores. Mas entenda por que nem sempre é uma boa ideia investir.

Escrito por Melissa Nunes

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Initial Public Offering (ou IPO) é o termo usado para nomear a estreia de uma empresa vendendo suas ações na Bolsa de Valores. No Brasil, a Oferta Pública de Ações ganhou atenção mais recentemente com os IPO de startups famosas, mas esse processo já é um velho conhecido dos investidores experientes.

Mas será que vale a pena investir nessa modalidade? E quanto aos riscos do investimento, são muito altos? Não seria melhor comprar ações de empresas já consolidadas?

Vamos concordar, são muitas dúvidas, conceitos e decisões que podem mudar completamente sua estratégia de investimentos. Por isso, criamos um conteúdo completo e objetivo com tudo que você precisa saber sobre IPO.

O que é IPO de uma empresa?

IPO significa Initial Public Offering, na sigla em inglês, ou Oferta Pública Inicial. É um processo que acontece quando uma empresa passa a listar suas ações na Bolsa de Valores, abrindo seu capital para outros investidores.

Ou seja, a empresa tinha seu capital fechado (Limitada), com divisão societária definida por contrato social, mas, a partir dessa oferta, torna-se uma Sociedade Anônima de Capital Aberto (S.A.).

Em outras palavras, é quando uma empresa “abre capital” e permite que qualquer investidor compre uma parte dela.

Porque empresas fazem IPOs?

As empresas fazem IPO principalmente para captar dinheiro e crescer. Entre os motivos mais comuns estão:

  • financiar expansão, novos projetos ou tecnologia;
  • reduzir dívidas e melhorar a estrutura financeira;
  • permitir que investidores antigos, como fundos de venture capital, realizem lucro vendendo parte de sua participação;
  • aumentar a visibilidade e credibilidade no mercado.

Ou seja, abrir capital é uma forma de transformar ações “fechadas” em ações com valor de mercado, trazendo recursos e novos sócios.

O processo para abertura de capital na Bolsa de Valores não é simples, exige uma série de documentos, contratação de consultorias, dentre outros. A seguir, veja o que é preciso para uma empresa fazer um IPO.

Quais os requisitos para um IPO?

Para que uma empresa faça seu IPO, ela precisa atender todos os requisitos que constam na Resolução CVM 160, o que não é uma tarefa simples e, em alguns casos, leva bastante tempo.

Entre os requisitos mais relevantes estão:

  • publicar demonstrações financeiras auditadas por empresas de auditoria registradas na CVM;
  • ter governança corporativa mínima, dependendo do segmento de listagem (Novo Mercado, Nível 2, etc.);
  • apresentar um prospecto detalhado explicando riscos, estratégia, dados financeiros e planos de uso do dinheiro captado;
  • passar por due diligence, um processo rigoroso de análise jurídica, financeira e operacional;
  • contratar instituições financeiras (bancos de investimento) para coordenar a oferta.

Passo a passo para fazer um IPO

O processo de abertura de capital na Bolsa de Valores envolve, principalmente, duas entidades, a Comissão de Valores Mobiliários e a B3, além, da intermediadora escolhida que será responsável pela oferta.

Portanto, de forma resumida, podemos listar seu passo a passo com:

  1. escolha de um intermediário financeiro (banco, corretora ou distribuidora de valores devidamente habilitada pela CVM) para coordenar a operação;
  2. levantamento de toda a documentação necessária da empresa para o IPO, como é o caso da reforma estatutária;
  3. contratação de auditoria externa e independente para validação dos documentos e registros contábeis;
  4. validação do pedido de IPO na Comissão de Valores Mobiliários;
  5. pedido de permissão de entrada na Bolsa de Valores;
  6. lançamento do prospecto do IPO;
  7. administração das reservas, já que antes da data do IPO, algumas instituições investidoras podem indicar o interesse de compra;
  8. realização do IPO.

O dia do IPO, portanto, marca a data em que suas ações são vendidas para o público mas, antes mesmo dele acontecer, elas já podem ser provisionadas para os grandes compradores.

O período que antecede o IPO é chamado de prazo de reserva. Nele, o investidor indica a quantidade de ações gostaria de comprar e qual o preço máximo estaria disposto a pagar por elas. Também é preciso deixar uma garantia, seja um investimento, seja uma quantia em dinheiro.

Essas reservas ajudam a formar o chamado bookbuilding, ou livro de ofertas, que é um documento que ajuda a estimar o valor das ações no IPO.

Todo IPO é uma oferta primária de ações de uma empresa, mas você também pode ouvir falar de um processo chamado follow on, que é uma oferta secundária – ou seja, quando uma empresa emite novas ações ao mercado.

Quais as vantagens de abrir capital na Bolsa de Valores?

Considerando os objetivos que fazem uma empresa abrir seu capital na Bolsa de Valores, captar recursos para seu desenvolvimento, dar lucro aos investidores e mudar as participações societárias são vantagens inquestionáveis.

Porém, não são as únicas. Abrir capital traz benefícios não só financeiros, mas também estratégicos, como:

  • aumento da liquidez para sócios atuais, que podem vender ações mais facilmente;
  • maior reconhecimento da marca e transparência;
  • possibilidade de usar ações como “moeda” em aquisições;
  • melhora no acesso a crédito, já que empresas listadas costumam ter mais credibilidade.

E para os investidores, vale a pena investir em IPO?

Depende. IPOs podem trazer oportunidades, mas também carregam riscos acima da média. Alguns pontos importantes para avaliar são:

  • empresas em IPO ainda não passaram pelo “teste do mercado”, e o preço inicial pode estar acima do que ela realmente vale;
  • há casos de empresas que estrearam em alta e cresceram muito, mas também várias que caíram logo após o IPO;
  • o investidor precisa analisar fundamentos, riscos, setor, governança e o uso do capital captado.

Assim, em geral, IPO não é o melhor ponto de entrada para quem está começando. Muitas vezes, esperar alguns meses após a listagem pode dar uma visão mais clara sobre a empresa e sobre como o mercado está avaliando seu valor.

Para quem tem mais experiência e faz uma análise aprofundada, o IPO pode ser uma oportunidade interessante, mas nunca deve ser tratado como aposta.

Como investir em um IPO?

Analisou todas as questões que envolvem o investimento em um IPO e decidiu seguir em frente? Então, é preciso se preparar para as próximas ofertas. Para isso, siga os seguintes passos:

  1. acompanhe os anúncios da CVM e da B3 para identificar as empresas que estão abrindo capital;
  2. leia o prospecto da oferta, que traz informações essenciais sobre riscos e fundamentos do negócio;
  3. registre sua intenção de investimento na sua corretora durante o período de reserva;
  4. aguarde a definição do preço da ação, que ocorre antes do início das negociações;
  5. caso seja alocada uma quantidade de ações para você, elas aparecerão na sua carteira no dia da estreia da empresa na Bolsa.

Em geral, o processo é simples, mas é importante avaliar muito bem o prospecto da oferta ou consultar a opinião de analistas experientes. Ainda, certifique-se de que tem o valor mínimo solicitado e que está disposto a aguardar a finalização de todo o processo.

Por fim, entenda se haverá lock-up após a abertura das negociações, isto é, um período em que os investidores não podem vender suas ações.

Principais IPOs da B3

O número de IPOs na B3, a Bolsa de Valores do Brasil, cresceu muito nas primeiras décadas dos anos 2000.

Mas 2020 e 2021 foram os anos mais fortes da última década: com juros baixos e mercado aquecido, houve um recorde de empresas abrindo capital, e algumas das maiores ofertas da história se concentraram nesse período.

A seguir, veja alguns destaques dos maiores IPOs da história e também aqueles que não tiveram um desempenho tão bom.

Os 15 maiores IPOs da história da B3

RankingEmpresa / TickerAnoValor Captado (aprox.)Setor
1BB Seguridade (BBSE3)2013R$ 11,5 bilhõesSeguros / Financeiro
2Rede D’Or (RDOR3)2020R$ 11,4 bilhõesSaúde / Hospitais
3Raízen (RAIZ4)2021R$ 6,7 bilhõesEnergia / Etanol / Distribuição
4Assaí (ASAI3)2021R$ 5,2 bilhõesVarejo / Atacarejo
5CSN Mineração (CMIN3)2021R$ 5,2 bilhõesMineração / Siderurgia
6Santander Brasil (SANB11)2009R$ 4,7 bilhõesBancos
7BrasilAgro (AGRO3)2006R$ 4,0 bilhõesAgronegócio
8BRF (BRFS3) – fusão Sadia + Perdigão2001R$ 3,5 bilhõesAlimentos
9Natura (NTCO3)2004R$ 3,4 bilhõesCosméticos
10Light (LIGT3)2006R$ 3,0 bilhõesEnergia Elétrica
11Energisa (ENGI)2004R$ 2,7 bilhõesEnergia
12C&A (CEAB3)2019R$ 1,6 bilhãoVarejo
13Locaweb (LWSA3)2020R$ 1,3 bilhãoTecnologia
14Banco Inter (BIDI11)2018R$ 1,2 bilhãoFintech / Bancos digitais
15PetroRio (PRIO3)2010R$ 1,2 bilhãoPetróleo e Gás

A partir desses dados, podemos ver que os maiores IPOs estão concentrados em alguns setores: financeiro, energia, commodities e varejo/consumo. Não é algo estranho, já que esses setores tradicionalmente atraem grandes investidores institucionais.

Top 10 piores desempenhos pós-IPO da B3

Porém, nem tudo dá certo após um IPO. Abaixo está uma lista dos 10 piores desempenhos pós-IPO da B3, considerando empresas que abriram capital nos últimos anos e tiveram forte desvalorização após a estreia.

RankingEmpresa / TickerAno do IPOQueda aproximadaMotivos principais
1Carrefour Property (CRFB12 – antigo Atacadão REIT)2021–90%Problemas de estrutura, baixa liquidez e questionamentos sobre modelo de negócio.
2Méliuz (CASH3)2020–85%Crescimento desacelerado, perda de rentabilidade, mudança no setor de cashback.
3Enjoei (ENJU3)2020–80% a –90%Queda na base ativa, aumento de prejuízo e competição alta em e-commerce.
4Mosaico / Zoom (MOSI3)2021–80%Concorrência intensa, margens muito baixas e perda de relevância no varejo digital.
5Westwing (WEST3)2021–85%Estratégia não escalável, custos altos e retração do varejo.
6Mobly (MBLY3)2021–80%Problemas logísticos, prejuízo crescente e impacto da alta de juros em varejo.
7Hidrovias do Brasil (HBSA3)2020–70% a –80%Dívida elevada e resultados abaixo do esperado.
8Orizon (ORVR3)2021–70%Crescimento abaixo da expectativa e baixa liquidez.
9GetNinjas (NINJ3)2021–80% a –90%Baixa recorrência de usuários e dificuldade de monetização.
10Allied (ALLD3)2021–70%Pressão no varejo de eletrônicos e margens comprimidas.

Conclusão

Como você viu, o IPO, por não ter um histórico de preços, pode ser ainda mais desafiador para o investidor do que simplesmente comprar ações na Bolsa de Valores.

Em um levantamento feito pela Seneca Evercore, em 2024, descobrimos que menos de 20% das empresas que fizeram IPO na última década tiveram retorno positivo. Isso mostra que nem sempre o preço decidido na estreia das ações é adequado.

Dessa forma, investir em um IPO é uma estratégia que deve ser bem planejada e avaliada. Em geral, investidores iniciantes ou com pouca familiaridade com esse processo podem se beneficiar mais da compra de ações no mercado, que têm menor risco e mais contexto para análises.


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Perguntas frequentes

  1. Qual o valor mínimo para investir em um IPO?

    Não existe um valor mínimo fixo definido pela B3 ou pela CVM. Cada oferta estabelece o valor mínimo de reserva, que costuma ficar entre R$ 3 mil e R$ 5 mil, mas pode ser maior ou menor dependendo da empresa e da corretora.

  2. O que é “flipar” em um IPO?

    “Flipar” é comprar ações no IPO com a intenção de vender no primeiro dia de negociação (ou logo nos primeiros dias), tentando lucrar com a valorização inicial. É uma estratégia de curto prazo e envolve risco, porque o preço pode cair logo na estreia.

  3. O que é lock-up em IPO?

    Lock-up é um período de restrição para venda de ações. Durante esse prazo — normalmente de 45, 90 ou 180 dias — determinados investidores (como executivos, fundadores ou investidores âncora) não podem vender suas ações. O objetivo é evitar pressão vendedora logo após o IPO e dar mais estabilidade ao preço no início.

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