Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostrou que os brasileiros estão bastante pessimistas com relação à retomada econômica. Entre os dados mais relevantes está a preocupação com a perda do emprego, existente para 45% da população.

Além disso, 58% acreditam que a recuperação econômica vai durar, pelo menos, 1 ano. Para os mais pessimistas, a expectativa é que o ritmo de antes da pandemia do novo coronavírus só volte ao estágio anterior no segundo semestre de 2022.

Continua após a publicidade


Outros dados

Na entrevista, 67% dos brasileiros disseram que a economia brasileira ainda não voltou a se recuperar e apenas 31% disseram que a retomada iniciou. Por essa visão negativa, 71% alegaram terem reduzidos os gastos e 36% destacaram que pretendem permanecer nesse patamar mais baixo de despesas.

Um dos motivos para essa decisão foi a perda de renda na pandemia. Isso aconteceu com 29% dos entrevistados. Com isso, há o receito de não ter dinheiro no futuro, principal motivo para a diminuição do consumo para 41% das pessoas.

Ainda dentro dessa categoria, 47% alegaram terem diminuído a compra de até 5 produtos no período da pandemia. O estudo ainda considerou 11 bens de consumo — que abrangeu de streaming e remédios a eletrodomésticos.

A partir dessa classificação, a maior queda nas compras ocorreu com os sapatos, com 38% de redução. Em seguida, vieram:

  • roupas: 37% de diminuição;
  • cosméticos e bebidas alcoólicas: 31% de redução.

A pesquisa também avaliou quais produtos devem ser consumidos a mais no pós-pandemia. Nesse caso, as maiores possibilidades de compras futuras são de:

  • roupas: 21%;
  • produtos de higiene e limpeza: 19%;
  • calçados: 17%.

Para os especialistas, esses dados demonstram a existência de uma demanda reprimida devido ao isolamento social. Segundo o gerente de análise econômica da CNI, Marcelo Azevedo, os setores de roupas e calçados foram muito impactados. No entanto, há uma perspectiva positiva, já que há tendência de demanda futura.

Ainda assim, ele ressalta o sentimento de insegurança. “São muitas incertezas e a doença exige a manutenção das medidas de distanciamento em diversos aspectos, e isso faz com que os efeitos da crise perdurem por mais tempo”, destaca.

Novos hábitos

Além da mudança no consumo, a pandemia também deve mudar os hábitos dos brasileiros. A pesquisa indicou que 67% pretendem frequentar menos bares e restaurantes após o término das medidas de isolamento social.

Os shoppings e o comércio de rua também foram bastante afetados, já que vêm em segundo e terceiro lugares, respectivamente, com 64% e 63%. Do total de entrevistados, 67% também afirmam sair de casa somente para atividades essenciais. Ao mesmo tempo, 35% trabalham fora nesse período.

Considerações sobre a pandemia

Os brasileiros também estão preocupados com a doença COVID-19. O levantamento sinalizou que 84% acham grave ou muita grave a situação atual e o mesmo percentual é favorável ao isolamento social.

Entre as opiniões sobre a retomada do comércio de rua, 49% aprovam e 47% reprovam. Ainda há 86% de pessoas que são contra a reabertura de teatros, 73% são desfavoráveis ao início das atividades acadêmicas e 72% são contra ao reinício de escolas e universidades.

O levantamento da CNI foi feito pelo Instituto FSB por telefone. Foram consultadas 2.009 pessoas entre os dias 10 e 13 de julho de 2020.

Achou interessante conhecer esse cenário brasileiro? Assine a newsletter do iDinheiro e receba as atualizações no seu e-mail.