Novo golpe de anúncios falsos no Google: Saiba como se proteger

Com o crescimento do e-commerce, golpes que envolvem compras online são cada vez mais comuns. Saiba como se proteger, segundo especialistas.

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Rafaela Souza

Uma nova modalidade de golpe envolvendo anúncios falsos no Google Shopping foi identificada por alguns usuários do Twitter no último mês. Segundo relatos compartilhados na plataforma, criminosos estão comprando anúncios no Google para divulgar produtos de diversos segmentos, como celulares, micro-ondas e televisões.

Nos casos identificados pelos usuários e pela equipe do iDinheiro, os criminosos criam sites muito parecidos com grandes marcas brasileiras e anunciam produtos na plataforma de vendas do Google com preços “imperdíveis” e diversas promoções. Assim, o usuário clica no anúncio e é redirecionado para uma página falsa e acaba comprando um produto que jamais chegará em sua casa.

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Infelizmente, com o crescimento do e-commerce, golpes que envolvem compras online são cada vez mais comuns. Por isso, o iDinheiro conversou com especialistas para entender como esse tipo de fraude funciona, quais são os direitos do consumidor e como se proteger desses golpes.

Entenda o golpe de anúncios falsos no Google

Segundo a especialista em anúncios Mariana Perassa, qualquer usuário que possua uma URL verificada e registrada, com um domínio válido, pode cadastrar e anunciar produtos no Google Shopping.

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“Como primeiro passo, o usuário precisa criar uma conta no Google Merchant Center, onde o usuário passa por um processo de verificação do site. Isso poderia ser visto como um obstáculo, porém os golpistas registram domínios e utilizam sites de hospedagem gratuita, aumentando a credibilidade do golpe e criando sites fraudulentos.”, detalha.

De acordo com Daniel Barbosa, especialista em segurança da informação da ESET, ataques desse tipo são sazonais, ou seja, estão relacionados a alguma data comemorativa. “A mais próxima será o dia das mães, mas existem diversas outras que motivam os criminosos a se movimentarem mais como, por exemplo, a Páscoa e o Natal, que de alguma forma podem vir a estimular o consumo de itens específicos, o que pode desencadear campanhas com falsas promoções.”.

Outro fator que pode ter contribuído para o aumento nos casos de fraudes envolvendo o comércio online foi o crescimento do e-commerce, conforme aponta Fábio Assolini, analista sênior de segurança da Kaspersky no Brasil:

“Com a pandemia houve uma explosão de uso do mobile banking (oferta de serviços bancários através de aplicativos de celular) e também do m-commerce (compras através de dispositivos móveis). Além disso, muitos mecanismos de segurança, que deveriam alertar que a página acessada é falsa, não funcionam como deveriam nos smartphones. Esses e outros motivos fazem com que esse tipo de golpe aumente bastante.”.

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Saiba como identificar esse tipo de golpe

Como indica Daniel, geralmente os criminosos chamam a atenção dos consumidores com ofertas tentadoras e promoções.

“Se você quer comprar algo e está procurando por este produto, estará minimamente familiarizado com a faixa de preços. Assim, caso veja uma “promoção” que esteja muito divergente desta faixa de preços isto poderá se tratar de um golpe.”

No entanto, mesmo no caso de anúncios com preços similares aos estabelecimentos confiáveis, o consumidor pode identificar que o anúncio se trata de fraude das seguintes maneiras:

Erros de português:

Segundo Daniel, em boa parte das tentativas de golpe identificadas por ele haviam erros de português. Assim, mesmo que visualmente o golpe se pareça muito com uma oferta original de uma loja famosa, é importante ficar atento aos detalhes o site e dos anúncios.

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Mariana Perassa também alerta para a importância de verificar a grafia dos sites: “Muitas vezes as alterações são sutis, mudando apenas uma letra, ou alterando a extensão (de .com para .com.br, por exemplo).”

Urgência:

Além da existência de erros de português, o consumidor também pode identificar de que se trata de um golpe caso a oferta seja urgente.

“Esses golpes são sempre urgentes, ou seja, alegam que é uma oferta única e que por isso poderá ficar pouco tempo disponível. Óbvio que isso é parte do golpe, porque a urgência em fazer com que as pessoas acessem logo a oferta se deve ao monitoramento ostensivo de todas as partes relacionadas a segurança dos ambientes que derrubam/denunciam links de promoções falsas assim que tomam conhecimento da mesma.”, acrescenta Daniel.

Confira 5 dicas para se proteger de golpes no Google Shopping

Um dos pontos importantes para se proteger de golpes em compras online é ter consciência de que eles existem, como funcionam e como podem ser identificados e evitados. Por isso, apresentamos abaixo as dicas e cuidados importantes listados pelos dois especialistas em segurança da informação ouvidos pelo iDinheiro:

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1. Cuidado com links e redirecionamentos de sites

Fábio Assolini ressalta que é importante que o consumidor desconfie de promoções com links para sites de endereços desconhecidos, mesmo que estes tenham sido enviados por pessoas conhecidas. “Esses ataques servem para atrair uma grande audiência para sites distribuindo malware ou direcionando para sites falsos, especialmente de e-commerce.”.

2. Sempre verifique o domínio do site

Caso o consumidor encontre um site desconhecido com ofertas tentadoras, ele deve consultar a lista do Procon que indica endereços que devem ser evitados, e também consultar o Registro.br, que informa quem registrou o site.

“Para sites internacionais, use serviços de whois internacionais, que também é gratuito. Os golpistas geralmente usam endereços de e-mail gratuitos para registrar o domínio, como hotmail e gmail. Outro sinal é que domínios fraudulentos são novos, ou seja, possuem pouco tempo de registro.

3. Atenção ao informar dados pessoais

Fábio também chama a atenção para os cuidados com dados pessoais: “Não insira detalhes de seu cartão de crédito em sites desconhecidos ou suspeitos, para evitar que chegue nas mãos dos cibercriminosos. Se esses sites estão oferecendo ofertas vantajosas que parecem muito boas para serem verdade, provavelmente pertencem a criminosos.”

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4. Faça compras em sites confiáveis

Além de verificar o domínio e a reputação da loja, é importante realizar compras em sites que possuam clareza nas informações dos produtos e/ou serviços, bem como uma lista de formas de pagamento disponíveis. “É importante também observar se no site constam todos os dados necessários para a localização do fornecedor, como o nome empresarial, CNPJ e o endereço.”, acrescenta Fábio.

5. Instale uma solução de segurança

Outra dica importante para evitar cair em golpes é utilizar softwares de proteção em todos os dispositivos. Segundo o especialista Daniel Barbosa, algumas fraudes possuem softwares maliciosos vinculadas a elas: “Se em algum momento as vítimas baixarem voluntaria ou involuntariamente este software ele poderá trazer ainda mais riscos às vítimas. Assim, para evitar que isso aconteça tenha sempre um software de proteção instalado, atualizado e adequadamente configurado para proteger contra ameaças.

Para esse tipo de proteção, Fábio cita como exemplo a tecnologia Safe Money, integrada às soluções da Kaspersky. De acordo com o especialista, o software cria um ambiente seguro para transações financeiras em todos os níveis. Além disso, links maliciosos são bloqueados em todas as soluções da companhia.

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Dica bônus

É sempre bom lembrar da importância de ter cuidado com o uso de cartão de crédito ao realizar compras online, evitando que o cartão seja clonado e você seja vítima de outros tipos de golpes: “Obtenha um cartão de crédito virtual ou temporário. Algumas empresas de cartão de crédito emitem um número temporário para seus clientes. São números que podem servir para compras únicas. Entretanto, evite usá-los para compras que exigem renovação automática ou pagamentos regulares.”, ressalta o especialista Fábio.

Caí em um golpe, e agora?

Como aponta David Gudes, advogado da área de relacionamento do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), por se tratar de prática criminosa (estelionato e outras figuras penais correlatas), o consumidor que perceber que caiu em um golpe deve comunicar o fato à Polícia Civil.

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“Segundo o Código de Defesa do Consumidor, o Google tem responsabilidade solidária e deve responder pelos prejuízos desses consumidores, considerando que é seu dever, enquanto plataforma de anúncios e vendas, garantir a segurança de seus usuários, o que inclui checar a idoneidade e a veracidade desses anunciantes que contratam com a plataforma para veicular anúncios.”.

Além disso, se for possível identificar os responsáveis pela venda fraudulenta, é importante acioná-lo conjuntamente com a Google Shopping.

No entanto, a denúncia e responsabilização do Google não é tão fácil. Como indica Mariana Perassa, “o Google disponibiliza apenas um formulário para esse tipo de denúncia. Com isso, após uma análise, eles podem ou não remover o anúncio falso de suas páginas de pesquisa.”.

Assim, caso não seja possível responsabilizar o Google no primeiro momento, além de registrar a ocorrência junto à Polícia, o consumidor deve realizar reclamação junto aos responsáveis por meio de seus canais de atendimento, requerendo a restituição do valor pago, com atualização monetária.

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“Em caso de resposta negativa, é possível seguir para os órgãos de proteção ao consumidor, como os Procons (presencialmente ou pela internet) e a Senacon, pelo site consumidor.gov.br. Em último caso, para ser ressarcido, o consumidor poderá, ainda, demandar a empresa pelo Judiciário.”, aponta o advogado.

David salienta ainda que, em alguns casos, é possível cancelar a compra e bloquear o pagamento junto à administradora do cartão de crédito ou banco do consumidor, desde que ele perceba o risco de fraude logo após a compra.

Especialistas alertam sobre golpes parecidos com os anúncios falsos no Google Shopping

Infelizmente, os golpes de anúncios falsos na plataforma do Google não são os primeiros e nem os últimos tipos de fraude envolvendo compras online. Fábio Assolini lembra que existem golpes parecidos envolvendo redes sociais como o Instagram e o Facebook, onde os criminosos compram e exibem os seus anúncios falsos para levar as vítimas aos sites falsos.

“Além disso, golpistas também compram algumas palavras para posicionar seus sites entre os primeiros resultados em buscas do Google, onde ele aparecerá como link acessível, junto com os outros resultados, e não apenas no anúncio do Google Shopping.”

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Segundo Fábio, uma outra variante desse mesmo golpe já está acontecendo. Nesse caso, fraudadores invadem sites legítimos (como de uma loja de roupa, por exemplo) e lá inserem uma página com uma oferta muito abaixo do comum (como um iPhone 12 por 2 mil reais). Como o site invadido é legitimo, alguns mecanismos de segurança não irão alertar sobre a pagina falsa.

Por isso, o consumidor deve ficar atento às técnicas de proteção citadas anteriormente: desconfie de preços que estiverem muito abaixo do mercado e sempre verifique todas as informações sobre a loja antes de realizar uma compra.

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