Espera para comprar um carro chega a 150 dias e preços sobem até 20%

Confira quais modelos são os mais afetados na espera para comprar um carro e saiba o que fazer no cenário atual. Aumento nos preços chega a 20%.

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Lilian Calmon

O consumidor que queira adquirir agora um veículo novo pode não conseguir. A espera para comprar um carro dos modelos mais desejados varia entre 90 e 150 dias, segundo o diretor de planejamento da Associação dos Revendedores de Veículos no Estado de Minas Gerais (AssoveMG), Flávio Maia.

Os financiamentos mais baratos e a maior segurança do transporte privado atraíram os clientes, provocando uma demanda inesperada. Antes, as taxas giravam em torno de 1% ao mês. Hoje, já é possível encontrar bancos que cobram até 0,70% ao mês pelo crédito.

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O resultado disso é que os preços dos veículos estão até 20% mais altos e faltam carros zero quilômetro.

De acordo com a Federação Nacional das Associações de Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), foram comercializadas 1.237.030 unidades em março, contra 1.188.275 no mês anterior. 

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Para ter uma ideia, as vendas no acumulado de 2021 já são 14,1% maiores do que o mesmo período de 2020.

Com informações da Exame.

Espera para comprar um carro: confira quais modelos são os mais afetados

As poucas peças adquiridas pelas montadoras são destinadas a modelos mais rentáveis, que podem ou não ser fabricados no país. Por conta disso, alguns modelos, tanto de entrada, quanto mais sofisticados, podem estar mais em falta que outros.

Contudo, é um fato que o estoque baixo é generalizado no mercado, atingindo também os seminovos e usados, em um efeito dominó. Esse cenário provoca situações como seminovos com valores mais altos do que o de veículos novos.

O presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Alarico Assumpção Júnior, estimou que, do total de modelos zero quilômetro à venda no país, apenas 30% têm estoque disponível para pronta-entrega. “Acreditamos que ainda deve demorar até três meses para o mercado normalizar”, disse em entrevista à Exame.

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Uma pesquisa do segmento de classificados do Mercado Livre mostrou que, em novembro, houve uma alta de 1,5% nos preços de carros usados vendidos na plataforma. 

Modelos Chevrolet, Fiat e Renault tiveram poucas variações de preços no período, enquanto modelos da Toyota registraram queda de 2%, e os da Hyundai, Mitsubishi e BMW apresentaram alta de 7%, 6% e 4%, respectivamente.

Além do segmento de veículos de passeio, o de caminhões também está sofrendo por conta do aumento da demanda do comércio eletrônico. E, por fim, o de motos, em razão do aquecimento do serviço de delivery. 

Para piorar, 80% das motos têm fabricação em Manaus (AM), onde a pandemia está fora do controle. “A fila para adquirir motos para realizar um trabalho essencial chega a três meses”, disse Junior.

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Saiba o que fazer no cenário atual

Segundo a diretora geral da Cox Automotive e da KBB, Ana Renata Navas, o cenário atual não é propício para a compra, já que promove alta de preços e não dá espaço para barganhas.

“Caso a necessidade seja emergencial, não há como fugir. Mas o consumidor deve pesquisar e preferir carros que tenham mais oferta no mercado para obter um preço melhor”, afirmou.

Ela também não recomenda a troca agora e sugere esperar alguns meses para conseguir obter um valor maior. O conselho é reforçado pelo CEO da Auto Avaliar, J.R Caporal. 

“Quem vendeu um veículo usado por um bom preço pode optar por veículos por assinatura até o momento em que verificar melhores condições para a compra. Há planos hoje por a partir de 1.100 reais por mês, caso de um Fiat Mobi”, sugeriu.

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Para quem precisa se desfazer do carro para pagar dívidas, uma saída encontrada pelos distribuidores foi criar a troca com troco. A operação consiste na compra de um carro mais novo e na troca por um mais antigo ou de menor valor.

“Quem tem um carro de R$ 50 mil pode trocar por um de R$ 30 mil e sair com R$ 20 mil no bolso. Muita gente está desempregada e precisando de liquidez na crise para pagar o cheque especial e despesas da casa. É um jeito de aumentar estoques. Em geral paga-se ao vendedor o preço da tabela Fipe, mas vai depender da conservação do veículo”, explicou o presidente da Fenabrave.

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