Com a bolsa de valores em patamar recorde, vale a pena investir?

A bolsa de valores atingiu recorde nominal em meio à pandemia, tocando os 130 mil pontos. Analistas apontam que ainda há espaço para crescimento.

Heloisa Vasconcelos
Heloísa Vasconcelos

Após uma queda vertiginosa em março do ano passado, quando a pandemia estourou, o Ibovespa, índice oficial da bolsa de valores brasileira, tem se recuperado e experimenta recorde nominal. O indicador chegou a 130.7726,27 pontos no dia 7 de junho e girou por volta desse patamar na última semana, indicando certa estabilidade.

Na manhã desta quarta-feira, 23, o Ibovespa girava em torno dos 128 mil pontos. Apesar de o patamar dos 130 mil pontos ser inédito, especialistas destacam que esse é um recorde apenas nominal, já que a inflação e o dólar impactam negativamente na precificação do índice. 

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A alta das commodities é um dos principais fatores que ajudaram a puxar o gráfico para cima. Bem avaliadas, elas correspondem atualmente a 36% da bolsa, segundo o Bloomberg/XP. A expectativa de uma retomada da economia em breve com o avanço da vacinação e a queda da cotação do dólar também são um bom prenúncio para o mercado.

Segundo especialistas entrevistados pelo iDinheiro, ainda há espaço para crescimento na bolsa brasileira, mas o investidor deve saber exatamente onde colocar o próprio dinheiro. Entenda o cenário. 

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O que levou ao recorde da bolsa de valores?

No dia 14 de fevereiro de 2020, antes de a pandemia estourar no país, o Ibovespa acumulava 114.380 pontos. Pouco mais de um mês depois, em 20 de março, o indicador estava no vale de 66.954 pontos. 

As negociações na bolsa foram crescendo ao longo do ano passado, com um maior número de investidores entrando na renda variável, em boa parte devido à baixa rentabilidade da renda fixa devido à Selic em mínima histórica.

Neste ano, a B3 recuperou as perdas de 2020 e conseguiu subir ainda mais. O sócio da Messem Investimentos Thiago Montemezzo aponta cinco fatores como principais para a alta na bolsa nos últimos meses: alta no preço das commodities, início da retomada econômica com o avanço da vacinação, valuation atrativo no mercado, fluxo retornando de dólares entrando no país e sucesso das empresas.

“A bolsa sempre trabalha com projeções futuras. O aumento do número de pessoas nos shoppings, o consumo aumentando… Isso tudo cria uma expectativa para daqui a uns meses quando todo mundo estiver vacinado”, explica.

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O coordenador da pós-graduação de mercado financeiro e capitais da Mackenzie Brasília, César Bergo, destaca o impacto das commodities no resultado. 

“Em termos de mercado internacional o Brasil é o maior exportador de proteína animal, é normal o crescimento. No caso de mineração e siderurgia, depois da pandemia a China quis crescer mais e demandou exportação”, coloca.

Fatores que podem impactar negativa ou positivamente

Apesar de a pandemia ainda não estar controlada — no último sábado, 19, o Brasil atingiu a marca de 500 mil mortos por Covid-19 —, o mercado tem perspectivas positivas, de olho no futuro.

Os fatores que influenciaram a alta histórica em junho devem continuar tendo efeito, com destaque para as empresas do setor de varejo, que devem crescer com a volta da normalidade na economia.

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“Corrigindo pela inflação, o pico da nossa bolsa foi em 2018. O investidor tem que olhar para as empresas, a dívida, o preço sobre o lucro, que está abaixo da média histórica. Se continuar na inércia, a gente tem uma visão positiva, tem muitos motivos para acreditar que a bolsa vai continuar subindo”, aposta a analista da Rico Investimentos Paula Zogbi.

César chama atenção para a questão política e de reformas, que podem fazer com que o gráfico do Ibovespa penda para baixo, principalmente com as eleições de 2022. 

“Em termos locais, é política. Reformas que não andam, vamos entrar em um ano eleitoral. Uma coisa importante para análise é inflação e déficit público, que podem fazer com que a bolsa perca força. Mas, as empresas têm tido bons resultados, têm uma perspectiva boa de crescimento”, resume.

O controle da pandemia é um ponto central para definir se a bolsa vai ou não continuar no movimento de alta. Como a expectativa da retomada e da volta do setor de varejo puxam o indicador para cima, caso haja atrasos na vacinação e uma piora no quadro sanitário, pode haver quedas.

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Vale investir?

Quem quer entrar na bolsa de valores pode perder um importante movimento de alta caso espere a pandemia acabar e um clima de maior estabilidade. Contudo, diante do patamar atual do Ibovespa, é importante cautela na hora de investir.

“Se eu tivesse que dar uma cor agora para o mercado acionário é amarelo, muita atenção para fazer boas escolhas”, indica César. Segundo ele, o investidor individual não pode entrar na bolsa no nível atual sem nenhum conhecimento, principalmente se quiser investir com foco no curto prazo.

Quem pensa no longo prazo pode ingressar no mercado com um pouco mais de tranquilidade. Ele destaca que existem muitas oportunidades em setores como varejo, que dependem da vacinação e do isolamento social para voltar ao patamar pré-pandemia.

“Indico manter distância de setores que já cumpriram o papel [voltaram ao nível pré-pandemia], como mineração. Se você está pensando em aposentadoria, pode apostar nesses setores. Mas para o curto prazo, não é hora de entrar, vai andar de lado ou cair um pouco”, diz.

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Thiago ressalta que quem quer ingressar agora na bolsa deve prestar atenção no próprio perfil como investidor para definir a carteira e realizar aportes frequentes, não comprar todas as ações de uma vez só. 

Uma opção para quem não conhece tanto sobre a bolsa de valores mas ainda quer se expor ao ativo durante o recorde é apostar em fundos de investimento como os ETFs, voltados para setores específicos.

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