O que é RDC? Vale a pena investir?

O Recibo de Depósito Cooperativo (RDC) é uma aplicação similar ao CDB. Saiba como funciona e se vale a pena investir nas cooperativas!

Escrito por Melissa Nunes

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O RDC – Recibo de Depósito Cooperativo é uma aplicação de renda fixa oferecida exclusivamente por cooperativas de crédito e que costuma gerar dúvidas em quem está acostumado com produtos bancários tradicionais, como o CDB.

O RDC funciona de forma semelhante, mas com regras próprias e uma lógica diferente de relacionamento com o investidor.

Desde já, vale adiantar o ponto mais importante: o RDC é um investimento regulado, com cobertura do FGCOOP e suas condições são definidas pela própria cooperativa, o que exige atenção na hora de comparar ofertas. Ao longo deste conteúdo, você vai entender exatamente como isso funciona.

O que é RDC (Recibo de Depósito Cooperativo)?

O RDC é um título de renda fixa emitido por cooperativas de crédito para captar recursos dos seus cooperados. Ao investir, você empresta dinheiro à cooperativa e, em troca, recebe uma remuneração acordada no momento da aplicação.

Em termos práticos, o funcionamento lembra bastante o CDB dos bancos, mas existe uma diferença estrutural importante: o RDC só pode ser oferecido a quem é cooperado, ou seja, quem tem vínculo com a cooperativa de crédito emissora.

Como funciona o RDC na prática?

Investir em RDC significa aplicar um valor por um prazo determinado e receber juros ao final desse período ou de forma periódica, conforme as regras do título. As condições do investimento são definidas pela própria cooperativa, respeitando as normas do Banco Central.

O RDC pode ser estruturado de diferentes formas, como:

  • prefixado (rentabilidade fixa, ao ano);
  • pós fixado (geralmente atrelado ao CDI);
  • com pagamento de juros no vencimento ou ao longo do prazo.

Outro ponto importante é a liquidez. Em muitos casos, o resgate só acontece no vencimento, o que reforça a necessidade de alinhar o prazo do RDC ao seu planejamento financeiro.

RDC tem garantia? Entenda a cobertura do FGCOOP

Sim, o RDC pode contar com a proteção do Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito (FGCOOP), desde que a cooperativa emissora seja associada ao fundo.

A cobertura funciona de forma bem parecida com o FGC dos bancos:

  • limite de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ;
  • teto global de R$ 1 milhão a cada período de 4 anos;
  • garantia válida em caso de intervenção ou liquidação da instituição.

É importante reforçar que a garantia é por cooperativa, e não por sistema como um todo. Por isso, diversificar aplicações entre instituições diferentes pode ser uma estratégia interessante para quem investe valores maiores.

RDC é igual a CDB? Entenda as principais diferenças

Apesar de serem parecidos na lógica de funcionamento, RDC e CDB não são a mesma coisa. A principal diferença está no tipo de instituição que emite cada título e no relacionamento com quem investe.

Enquanto o CDB é emitido por bancos, o RDC é exclusivo das cooperativas de crédito e só pode ser adquirido por cooperados. Além disso, no cooperativismo, o investidor também é um associado da instituição.

Para facilitar a visualização, veja as principais diferenças:

CaracterísticaRDCCDB
EmissorCooperativa de créditoBanco
Quem pode investirApenas cooperadosQualquer pessoa
Relação com a instituiçãoCooperado (associado)Cliente
Objetivo do recursoFinanciar atividades da cooperativaFinanciar operações do banco
Garantia do FGCOOPSim, dentro dos limitesSim, dentro dos limites

Na prática, o risco e a lógica financeira são semelhantes, mas o RDC exige atenção extra às regras específicas de cada cooperativa.


Veja também: Qual o melhor banco para investir em CDB? Veja lista!


Quem pode investir em RDC?

Apenas quem é cooperado de uma cooperativa de crédito pode investir em RDC. Diferente dos bancos tradicionais, as cooperativas funcionam com base no vínculo associativo.

Para investir em RDC, normalmente é necessário:

  • se associar à cooperativa;
  • integralizar uma cota de capital (valor simbólico ou definido pela instituição);
  • manter conta ativa na cooperativa.

Tanto pessoas físicas quanto pessoas jurídicas podem investir, desde que atendam às regras internas da cooperativa. Os valores mínimos de aplicação e prazos variam, pois cada cooperativa tem autonomia para definir suas próprias condições.

Autonomia das cooperativas: quem define regras, taxas e prazos do RDC?

O ponto mais importante aqui é: as condições do RDC são definidas pela própria cooperativa de crédito, e não por um padrão único de mercado. Isso acontece porque as cooperativas têm autonomia operacional, desde que respeitem as normas do Banco Central.

Assim, cada cooperativa pode estabelecer:

  • taxas de rentabilidade;
  • prazos mínimos e máximos;
  • regras de resgate;
  • formas de pagamento dos rendimentos.

Por isso, dois RDCs podem ser bem diferentes mesmo dentro do mesmo sistema cooperativo. Essa autonomia pode ser uma vantagem, quando a cooperativa oferece taxas competitivas, mas também exige atenção do investidor na hora de comparar as opções disponíveis.

Antes de investir, vale sempre analisar o regulamento do título e entender como aquela cooperativa costuma atuar em relação a prazos e liquidez.

Vantagens e desvantagens do RDC

O RDC pode ser um bom investimento, mas ele não é ideal para todos os perfis. Entender os pontos positivos e os pontos de atenção ajuda a tomar uma decisão mais consciente.

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Entre os principais benefícios, vale destacar:

✓ possibilidade de rentabilidade competitiva em relação a outros títulos de renda fixa;
✓ previsibilidade de retorno, especialmente em RDCs prefixados;
✓ cobertura do FGCOOP, dentro dos limites estabelecidos;
✓ incentivo ao modelo cooperativista, no qual o investidor também é associado.

Em muitas cooperativas, o RDC acaba sendo uma alternativa interessante para quem já concentra parte da vida financeira nesse tipo de instituição.

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Por outro lado, alguns pontos que merecem atenção:

✗ necessidade de vínculo com a cooperativa;
✗ liquidez geralmente restrita ao vencimento;
✗ pouca padronização entre cooperativas;
✗ comparação mais difícil com produtos bancários tradicionais.

Esses fatores não invalidam o investimento, mas exigem alinhamento com seus objetivos e com o prazo do dinheiro aplicado.

RDC vale a pena? Em quais cenários esse investimento faz sentido

De forma direta, o RDC vale a pena quando ele se encaixa no seu planejamento financeiro e oferece uma boa relação entre risco e retorno. Ele costuma fazer mais sentido para quem já é cooperado e busca alternativas de renda fixa além da poupança ou de CDBs tradicionais.

O RDC pode ser interessante nos seguintes cenários:

  • quando você aceita manter o dinheiro aplicado até o vencimento;
  • quando a taxa oferecida é competitiva em relação ao CDI;
  • quando o valor investido está dentro do limite de cobertura do FGC;
  • quando a cooperativa tem boa reputação e solidez financeira.

Por outro lado, se você precisa de liquidez diária ou quer total liberdade para resgates, outros investimentos podem ser mais adequados.


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Perguntas frequentes

  1. O RDC é seguro?

    Sim, desde que a cooperativa seja sólida e associada ao FGCOOP, respeitando os limites de cobertura.

  2. RDC tem FGC?

    Na verdade, o RDC conta com a garantia do FGCOOP, que funciona de maneira similar ao FGC, inclusive com os mesmos limites estabelecidos por CPF ou CNPJ.

  3. Qual a diferença entre RDC e CDB?

    O RDC é emitido por cooperativas e só pode ser adquirido por cooperados, enquanto o CDB é emitido por bancos e aberto ao público em geral.

  4. Posso perder dinheiro investindo em RDC?

    Existe risco se a cooperativa quebrar e o valor investido ultrapassar o limite do FGC.

  5. RDC tem liquidez diária?

    Na maioria dos casos, não. O resgate costuma ocorrer apenas no vencimento.

  6. Qualquer pessoa pode investir em RDC?

    Não. É necessário se tornar cooperado de uma cooperativa de crédito.

  7. RDC paga imposto de renda?

    Sim. O RDC segue a tabela regressiva de imposto de renda para renda fixa.

  8. A cooperativa pode aplicar meu dinheiro em RDC sem autorização?

    Não, a escolha em aplicar o dinheiro em RDC é do cliente e não pode ser feita sem a sua autorização.

  1. Giovanni Ribeiro

    Primeiro, Flávio, quero elogiar seu artigo. Muito didático e bem escrito.
    Segundo, uma dúvida: eu tinha um RDC pré fixado desde 2009 na Sicoob, com vencimento em 11/2022. Em 15/10/2020 eles sacaram o total, recolheram IR e aplicaram num RDC pós fixado sem minha autorização.
    Isso é legal? As cooperativas têm essa autonomia sobre as aplicações dos clientes?
    Grato,
    Giovanni Ribeiro

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