O que é swap, como funciona e quais os tipos de contrato?

Entenda como funcionam as operações de swap no mercado financeiro, principais modalidades e características de contrato.

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Melissa Nunes

Para investidores experientes e que acompanham a volatilidade do mercado, a estratégia de swap pode ser aliada nas operações mais variáveis, garantindo os melhores resultados e o menor prejuízo possível.

No mercado financeiro, especialmente no nicho de ações e contratos, é preciso ter atenção para as mudanças abruptas ocorridas na bolsa de valores, que podem representar alterações significativas na atuação de um ativo.

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Para se prevenir adequadamente quanto às alterações mais bruscas, existem algumas estratégias utilizadas por perfis mais experientes, ou que possuem alinhamento agressivo e buscam se preparar para possíveis mudanças. No entanto, não é possível utilizar essas práticas sem um conhecimento mais profundo sobre elas, uma vez que é necessário entender como o mercado funciona para implementá-las efetivamente.

Pensando nisso, vale a pena conferir mais sobre o que é swap, como ele opera, quais as suas principais modalidades e características.

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O que é swap?

O swap é um tipo de derivativo que representa um acordo entre duas partes para que troquem entre si o fluxo de determinada referência, prazo, condições ou critérios.

O termo pode ser traduzido do inglês como “troca”, o que ilustra seu funcionamento dentro do mercado. Basicamente, entende-se como uma “troca de riscos”, onde os participantes negociam as rentabilidades de dois ativos ou mercadorias diferentes.

Esse contrato pode ser estabelecido entre diversas partes, como:

  • duas empresas;
  • dois investidores;
  • uma empresa e um investidor.

Desde que valorize suas regras e parâmetros, existem diversas possibilidades para as negociações.

O objetivo do swap é ser utilizado como uma estratégia de proteção, que pode se estender por longos períodos. Atualmente, é uma prática comum entre as empresas, que podem estar mais expostas a vários tipos de riscos relacionados às suas atividades no mercado financeiro.

Em termos gerais, esse conceito está associado às variações que o mercado sofre.

Entenda na prática

Imagine uma empresa que atua com movimentações em dólar. Em seus contratos de vendas de mercadorias, ela trabalha com a moeda americana, mas seus custos são pagos em real.

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Em uma venda dentro de 30 dias, espera ganhar US$ 1 milhão, tendo que pagar R$ 5 milhões em seus custos. Nesse caso, se o dólar estiver cotado, no momento, a R$ 5,10, seus lucros serão de R$ 100 mil, considerando as receitas e despesas.

No entanto, a cotação do dólar não será a mesma dentro de 30 dias, expondo a empresa a vários cenários, que podem ser positivos ou negativos:

  • se o dólar subir e alcançar R$ 5,30, os lucros sobem para R$ 300 mil;
  • se sofrer uma desvalorização e chegar a R$ 4,90, o prejuízo será de R$ 100 mil.

Dessa forma, a empresa fica exposta à variação cambial da moeda, o que afeta diretamente seus lucros ou prejuízos. 

Assim, para se proteger, ela pode realizar a troca do risco das moedas, de modo que, se ocorrer uma variação muito grande, deixa de sofrer com oscilações, sendo boas ou ruins. Essa estratégia é conhecida como a operação de swap.

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Para que é usado o contrato swap?

Em um primeiro momento, os contratos de swap são utilizados para oferecer mais estabilidade e garantias para as empresas, em relação à volatilidade do mercado.

Apesar de ser mais comum em operações com moedas estrangeiras, podem ser utilizados em vários nichos, de modo a evitar prejuízos maiores com as alterações sofridas pelas referências. Além disso, também é uma operação comum entre especuladores, que buscam acompanhar as variações das moedas e estabelecem uma forma de obter lucro a curto prazo.

Dessa forma, o swap pode ser utilizado tanto como estratégia de proteção para investidores e companhias, quanto para perfis mais agressivos que se interessam por rendimentos mais rápidos a partir das mudanças nos índices.

Tipos de swap

Para aplicar o swap em operações financeiras, é importante conhecer os principais tipos de contratos em atuação no mercado. Veja mais detalhes sobre cada modalidade:

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1. Swap cambial

Em um primeiro momento, o swap cambial se configura como o tipo mais comum visto no mercado brasileiro, especialmente entre empresas que operam no exterior.

Trata-se da troca de taxa de variação cambial, ou seja, a volatilidade do preço de determinada moeda estrangeira por uma taxa de juros definida antecipadamente.

É importante destacar que todos os contratos de troca sempre utilizam dois elementos para configurar suas operações. Dessa forma, troca-se a taxa cambial por uma taxa de juros, por exemplo, ou por outro índice de escolha, como a oscilação do dólar pela oscilação da libra.

Assim, durante o contrato, realiza-se o swap entre as duas cotações, de acordo com o que foi estabelecido no início, para proteger os participantes que não desejam ficar tão vulneráveis ao mercado.

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Swap tradicional x swap reverso

Além disso, também existem duas submodalidades do swap cambial, que são a forma tradicional e o swap reverso.

Inicialmente, o modelo tradicional conta com o Banco Central oferecendo ao investidor o pagamento da oscilação da moeda, além de um prêmio adicional, para conter as fortes altas. Enquanto isso, o investidor se compromete a pagar para o órgão a variação da taxa de juros estabelecida durante o período.

Basicamente, o Banco Central acredita que os juros vão subir mais que o dólar, enquanto o investidor acredita o contrário, que a moeda irá aumentar mais que a tarifa. No final do contrato, ambas as partes trocam seus rendimentos de acordo com o registro.

Com o swap reverso ocorre o oposto, como seu nome indica. A metodologia é parecida, mas aplicada quando existe a necessidade de controlar as quedas do dólar, em vez do seu aumento. Assim, o mecanismo tem a rentabilidade trocada, e o órgão oferece os juros do período, enquanto o investidor paga pela oscilação cambial, geralmente para o dólar.

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O objetivo não são ganhos ou perdas, mas administrar as movimentações bruscas que impactam diretamente na inflação.

2. Swap de índices

Seguindo com as principais modalidades, também existe o swap de índices, com a mesma lógica do swap cambial. No entanto, seu foco são os indexadores, como IGP-M, IPC-Fipe ou INPC, usualmente responsáveis pela inflação.

Além disso, também pode trabalhar com índices relacionados ao mercado de ações, como o Ibovespa.

Dessa forma, o contrato é feito visando reduzir os prejuízos com esses indicadores, e as partes trocam os rendimentos ao final do período conforme acordado anteriormente.

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3. Swap de taxa de juros

Enquanto isso, o swap de taxas de juros é um contrato que realiza a troca de indexadores associados aos seus ativos ou passivos onde uma das variáveis é uma taxa de juros.

Por exemplo, suponha que um investidor possua um CDB de determinado banco, que renda uma taxa prefixada. Para se proteger dos juros, ele pode fazer um swap com outra instituição, trocando a taxa prefixada por uma taxa de juros pós-fixada.

Dessa forma, independente da oscilação, o investidor receberá com base na tarifa escolhida, abrindo mão da taxa anterior.

4. Swap de commodities

Ainda, vale a pena destacar a swap de commodities, que opera de maneira semelhante aos exemplos anteriores. Seu contrato apresenta uma troca de fluxos associados às variações nas cotações de commodities, visando proteção contra as alterações mais abruptas.

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Quais as características de um contrato swap?

De forma geral, um contrato swap possui características semelhantes aos contratos a termo, sem ajustes diários. Nesse caso, a liquidação financeira é realizada somente no vencimento, comparando a diferença entre os fluxos trocados ao longo do período.

Além disso, ele é sempre feito entre duas partes, que negociam a rentabilidade dos produtos. Não existe a troca do valor principal do ativo, somente da variação de cada indexador determinado anteriormente.

Na prática, o swap permite que as partes assumam posicionamentos contrários, e cada agente realiza o pagamento da variação do ativo que escolheu.

Ainda, é comum dizer que os contratos swap são customizados, para atender às condições das partes envolvidas, e podem ser negociados no mercado de balcão de forma privada.

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É comum ver contratos sendo oferecidos pelo Banco Central, uma vez que ele se utiliza dessa operação para equilibrar a oferta e demanda de determinado ativo, geralmente do dólar. No entanto, podem ser feitos entre instituições, investidores pessoa física ou outras tipos de empresas também.

Swap x Hedge

É comum existir a associação entre swap e hedge, duas operações que estão relacionadas. Isso porque, no mercado financeiro, o hedge é uma estratégia de proteção do investimento, que determina um limite ao preço dos ativos para evitar prejuízos.

Esse mecanismo é uma segurança adicional para produtos com alta taxa de volatilidade, protegendo não apenas investidores comuns, mas também empresas.

Nesse cenário, a operação de swap também se apresenta com esse mesmo intuito, sendo uma alternativa usada para fins de hedge. Em outras palavras, essa modalidade de contrato permite uma proteção maior do negócio.

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Assim, embora não sejam sinônimos, trata-se de estratégias semelhantes e diretamente relacionadas, pois permitem a elaboração de várias práticas que assegurem a posição do investimento. De qualquer forma, o hedge pode ser feito usando-se de outras estratégias, como a compra e venda de opções de ações.

Ainda, vale a pena destacar que o hedge é uma forma de atuação mais antiga, enquanto o swap é uma aplicação mais recente, porém, com o mesmo objetivo.

Faz sentido um investidor comum fazer operações de swap?

Conhecer mais sobre a operação de swap pode levantar dúvidas quanto à necessidade do investidor comum realizar esse tipo de estratégia, uma vez que pode ser mais vantajoso para as empresas.

Entretanto, como mencionado, a troca também pode ser interessante para perfis que atuam como especuladores. Ou seja, analisam as movimentações futuras em busca de lucros de curto prazo. Dessa forma, o swap é uma prática que faz sentido para esses investidores, pois permite a proteção do investimento e a busca por rendimentos mais altos.

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Por exemplo, um especulador pode esperar que o dólar tenha uma queda no futuro, e realiza um contrato de swap com o Banco Central para defender essa posição. Assim, ao mesmo tempo que protege sua carteira, também pode ter lucros mais altos caso sua especulação venha a se tornar realidade.

Essa prática é mais comum de ser feita por investidores pessoa física, e faz sentido que esse tipo de contrato seja utilizado para proteger o ativo e procurar rendimentos mais altos a um prazo mais curto.

No entanto, é importante se atentar para as características do contrato, pois, se ele for de longo prazo, pode não fazer sentido buscar essa estratégia dentro desse perfil.

Vale a pena realizar um contrato de swap?

A operação de swap é uma estratégia que se apresenta como vantajosa no mercado financeiro, especialmente para empresas que atuam, de alguma maneira, com indexadores no exterior. Dessa forma, podem proteger suas negociações da volatilidade do segmento, como as variações cambiais ou de commodities, por exemplo.

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Com mais flexibilidade e possibilidade de personalização entre as partes, o contrato de swap surge como uma opção interessante nesses casos. Além disso, também possui diversas modalidades, e é uma operação utilizada até mesmo pelo Banco Central, de modo que assegura sua autenticidade.

Por esse motivo, vale a pena conhecer mais sobre essa prática, especialmente para empresas e instituições, que podem ter maior segurança quanto às mudanças do mercado, correndo menos riscos.

Ainda, investidores que trabalham com especulação também podem se interessar por essa operação, que traz a possibilidade de ganhos mais elevados, enquanto protege o ativo de riscos mais elevados. No entanto, a operação de swap pode ser uma prática mais complexa, sendo indicada para perfis experientes, ou que já atuam dentro desse nicho.

Caso contrário, a proteção pode trazer prejuízos, especialmente no quesito de swap cambial, um dos mais populares.

Assim, vale a pena conhecer como essa troca funciona, mas avaliá-la com atenção antes de aplicar dentro de um investimento.

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