Carros por assinatura valem a pena? Confira vantagens e desvantagens da modalidade

Com o aumento do preço dos automóveis e dos combustíveis, os carros por assinatura são uma novidade que têm atraído muitos brasileiros. Mas será que vale mesmo a pena?

Júlia Ennes
Júlia Ennes

Você sabia que assim como assinar serviços de streaming para assistir a filmes e séries, também é possível ter um carro por assinatura? A assinatura de carros não é um fenômeno novo, mas tem crescido bastante no Brasil nos últimos dois anos. Isso porque é uma boa alternativa para aqueles que gostam de trocar de carro com frequência, mas querem evitar as dores de cabeça de comprar um veículo, como custos com documentação, manutenção, desvalorização e venda posterior. 

Além disso, com o aumento do preço dos combustíveis e dos automóveis, o sonho do carro próprio do brasileiro ficou ainda mais distante e conseguir uma viagem no aplicativo, ainda mais difícil. Mas, do ponto de vista financeiro, será que vale mesmo a pena? Confira a seguir vantagens e desvantagens dos carros por assinatura.

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Como funciona a assinatura?

Na prática, a assinatura de carros se assemelha a um aluguel de longo prazo. O contratante paga uma mensalidade para usar um carro por determinado tempo e, ao final do contrato, devolve o automóvel, podendo renovar a assinatura ou, em alguns casos, até mesmo comprar o veículo. 

Diferente da locação tradicional, a assinatura envolve o pagamento de um valor fixo mensal e tem contratos que duram entre um e quatro anos, a depender da empresa. Além disso, uma das principais diferenças entre as modalidades é que na assinatura são oferecidos apenas carros 0 km

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Para assinar um carro é preciso ter 18 anos e – é claro – carteira de motorista (CNH). Além disso, algumas empresas podem exigir que as mensalidades não comprometam mais do que 30% da renda do contratante. O contrato pode ser fechado com pessoa física ou jurídica.

Quanto custa um plano de assinatura de carro?

Os valores variam de acordo com a empresa e o plano escolhido pelo cliente. O valor mínimo mensal de um contrato por assinatura, está na faixa de R$ 1.500 por mês, na categoria dos “econômicos”, que inclui modelos populares. Já os planos mais luxuosos, com carros automáticos e elétricos, a franquia mensal sai em torno de R$ 4 mil. 

Além da categoria do veículo, o cliente deve escolher a franquia de quilômetros mensal, que também interfere no valor final do serviço.

Carros e combustíveis mais caros

É um consenso que os preços dos carros atualmente estão mais altos do que o normal. Isso tem acontecido porque a demanda cresceu, mas a oferta não seguiu no mesmo ritmo, por conta de fatores como as medidas de restrição de circulação impostas pela pandemia. No entanto, esse não foi o único motivo. O mercado automobilístico enfrentou uma falta de componentes, especialmente semicondutores, que afetou a produção dos carros novos. Com menos carros disponíveis no mercado, o preço subiu – e nem os carros usados escaparam dessa. Por consequência da falta de oferta, o valor dos usados também subiu.

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Pesquisa

Em janeiro de 2021, um Gol, carro popular da Volkswagen, poderia ser encontrado por R$ 55mil. Hoje, o valor passou a ser R$ 68,3 mil, segundo a tabela FIPE. E as expectativas não são muito animadoras: em um futuro próximo, o preço dos carros deve continuar subindo.

Segundo o economista e pesquisador de finanças comportamentais, Érico Veras Marques, isso se deve ao próprio funcionamento da economia. “Quando a economia se ‘aquece’ e as pessoas voltam a consumir, a oferta demora a responder a demanda, e isso gera o aumento dos preços. Além disso, temos a influência do cenário internacional e a questão da inflação, então, provavelmente vamos continuar a ver um aumento no preço dos carros”, conclui o pesquisador. 

Além dos automóveis, os combustíveis também têm apertado o orçamento de muita gente. Os preços da gasolina e do diesel tiveram aumentos expressivos em 2021, chegando a acumular alta de 54% e 41%, respectivamente. “O aumento da gasolina tem ocorrido, principalmente, em função da decisão da Petrobras de alinhar os preços do Brasil com os preços do mercado internacional“, aponta.

Com isso, qualquer oscilação do petróleo no exterior, junto com o câmbio, provoca o aumento dos combustíveis. Durante algum tempo, se seguiu a decisão de não acompanhar os preços internacionais. Então, agora, nós temos duas variáveis nos preços dos combustíveis: a variação do petróleo no mercado internacional e a variação cambial”, explica Marques.



Afinal, carros por assinatura valem a pena?

Bom, a decisão de comprar um carro, fazer uma assinatura ou usar aplicativos de transporte é individual. É necessário entender suas necessidades e colocar todos os custos na ponta do lápis na hora de decidir qual é a melhor opção para você. 

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Especialistas ouvidos pelo iDinheiro apontam alguns questionamentos necessários para se fazer antes de considerar a assinatura de um veículo.

  • O carro não é seu

O que é visto como uma vantagem para uns, pode ser uma enorme desvantagem para outros. Ao fazer a assinatura de um carro, o cliente paga pelo uso, e não pela posse, então o carro não será seu. No entanto, muitas das empresas hoje oferecem a opção de compra no final da assinatura.

Caso considere comprar, mais uma vez, vale a conta. Compare o preço pedido pelo seminovo que você assinava com valores praticados no mercado para o mesmo modelo, ano e versão.

  • Valor de uso

Trocar um seminovo por um carro 0 km, na grande maioria das vezes, significa prejuízo para o motorista. Isso porque bens de consumo, como carros, perdem valor ao longo do tempo de uso. O serviço por assinatura, então, rompe com esse padrão deficitário, uma vez que o assinante devolve o carro ao fim do contrato, não arcando com a desvalorização.

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  • Despesas inclusas

O contratante paga uma parcela por mês, em que está incluso emplacamento, IPVA, licenciamento, seguro e revisões. Com as principais taxas incluídas, o cliente tem mais facilidade para optar por um carro de uma categoria acima da que ele poderia comprar.

Apesar de despesas como seguro estar incluída, é preciso atenção ao ler o contrato. Em caso de sinistro é o assinante que arca com o valor integral da franquia, da mesma forma que ocorreria com um carro próprio.

  • Disponibilidade

Além de mais segurança em tempos de pandemia, a assinatura pode ser uma boa opção para aqueles que se locomovem muito e precisam de um carro sempre à disposição. 

Apesar de também ser uma boa alternativa para fugir dos custos de ter um carro, aplicativos de transporte, como Uber, 99 e outros, costumam ter frotas grandes em capitais e cidades maiores, o que não se repete em municípios de pequeno porte.

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Além disso, muitos passageiros já perceberam que conseguir um carro por aplicativo não tem sido uma tarefa fácil, mesmo nas cidades grandes. Isso porque o aumento do preço dos combustíveis e o congelamento das tarifas pagas pelos apps aos motoristas, têm feito com que muitos deles abandonem os aplicativos, causando a redução do número de carros disponíveis. 

Sendo assim, se disponibilidade é um fator importante para você, os carros por assinatura podem ser uma melhor opção, já que o carro ficará sempre com você.

  • Limite de quilometragem

Um ponto muito importante, principalmente para aqueles que rodam muito, é que a quilometragem nos planos de assinatura é limitada mensalmente. Caso a quilometragem seja extrapolada, o contratante deverá pagar uma multa ou valor extra calculado por km excedente. No geral, os planos preveem de 1.000 a 2.500 km mensais. Mas, para evitar prejuízos, veja o quanto você anda por mês em média e faça o plano de acordo com o seu perfil.

  • Entenda seu perfil

Um dos benefícios da modalidade de assinatura que pode atrair muitos apaixonados por carros, é a possibilidade de trocar de modelo depois de um determinado tempo. No entanto, Marques explica que é preciso entender qual o seu perfil de consumo na hora de decidir qual a melhor opção. 

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Segundo o especialista em finanças, em médio e longo prazo (entre quatro e cinco anos), fazer uso de carros por assinatura pode sair mais caro que comprar um.  “Para aqueles que gostam de trocar de carro periodicamente, a assinatura pode ser mais vantajosa. Já para quem passa mais tempo com um mesmo modelo, comprar um carro próprio tende a sair mais barato que o custo da assinatura. Isso, principalmente, porque hoje é possível comprar carros em até 60 meses, o que abaixa o preço das prestações – o que também depende das taxas de juros”, explica Marques.

Mercado em expansão

De fato, os carros por assinatura não são um fenômeno, mas certamente o momento atual acelerou a demanda e fez o mercado expandir no Brasil. Isso porque em meio a pandemia e as medidas de distanciamento social, o carro se tornou uma opção de transporte mais seguro, quando comparado a veículos compartilhados ou ao transporte público. Segundo levantamento feito pela Similarweb, plataforma de inteligência de mercado, houve um aumento de 500% na busca do termo carro por assinatura entre maio e junho.

Uma das empresas que entendeu a demanda da sociedade foi a Localiza. Já consolidada no mercado de aluguel de carros, a companhia criou o Localiza Meoo, sua categoria de carros por assinatura. Na nova modalidade, os clientes podem escolher entre diferentes planos de assinatura, de acordo com suas necessidades. Os planos vão desde econômico até premium, com possibilidade de criação de um plano personalizado. Além do carro 0 km, os assinantes têm direitos a outros benefícios, como o clube Tudo Meoo, que oferece desconto em alguns serviços.

“Localiza Meoo é uma nova experiência em mobilidade. Com uma crescente tendência de economia compartilhada, clubes de assinatura e economia de recorrência, buscamos mapear as principais necessidades dos clientes para oferecer uma jornada fluida, sem burocracia e que entrega uma experiência única”, explica João Andrade, diretor executivo da Localiza Gestão de Frotas.

Além da Localiza, mais de dez empresas já oferecem o serviço de assinatura de carros no Brasil. Entre elas, estão Porto Seguro, Unidas e Movida. Além dessas, muitas montadoras também já investiram na alternativa, como a Audi, Renault e Volkswagen. 

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