Aumento da Selic e da inflação deve encarecer linhas de crédito imobiliário

Com o aumento da Selic e da inflação, o crédito imobiliário atrelado à poupança e ao IPCA deve ficar mais caro. Veja as consequências no seu bolso.

Isabella Proença
Isabella Proença

Com o aumento da Selic e da inflação, a tendência é que o crédito imobiliário pós-fixadas atreladas ao IPCA e à poupança fique mais caro, tornando as modalidades de crédito prefixadas mais vantajosas.

Os pós-fixados foram bastante utilizados em meio à pandemia, uma estratégia dos bancos para impulsionar o crédito imobiliário em um cenário de demanda reprimida e juros historicamente baixos no setor. Nessa modalidade, os juros têm uma taxa fixa somada a um percentual baseado na variação desses dois índices.

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Nem todos os bancos oferecem linhas pós-fixadas. Atualmente, o crédito imobiliário atrelado ao IPCA só é oferecido pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco do Brasil. Já o financiamento atrelado à poupança é oferecido somente pela Caixa e pelo Itaú.

Essas modalidades apareceram como variação nas ofertas de crédito imobiliário das instituições financeiras e, ao menos enquanto a inflação e os juros básicos estavam controlados, eram vantajosas para os consumidores.

Impactos do aumento da Selic e da inflação no crédito imobiliário mais caro

No entanto, agora que essas taxas estão aumentando, a tendência é que seja uma correção para cima no custo para os tomadores de crédito – tanto em financiamentos já contratados quanto em novos.

“Os bancos já estavam ofertando bastante essas linhas indexadas e é preciso cuidado. Vimos o crédito imobiliário batendo recorde e muita gente pode ter escolhido essas linhas porque realmente estavam mais baratas. Mas agora o cenário já começa a mudar”, afirmou o professor da Saint Paul Escola de Negócios, Maurício Godoi, à Folha de S. Paulo.

De acordo com o último relatório do Banco Central, a inflação deve encerrar 2021 em 4,92%, sendo que há 4 semanas a projeção era de 4,71%. A Selic, que no início do ano estava em 2%, deve terminar o ano em 5,25%, segundo o mesmo relatório. Há 4 semanas, a previsão era de 5%.

Além do aumento da taxa básica de juros impactar os juros prefixados cobrados nas linhas de crédito prefixadas – que cobram uma taxa fixa somada à TR (atualmente zerada) – a Selic também afeta a poupança.

Seguindo a regra atual, o rendimento da poupança é 70% da Selic somado à variação da TR. Com isso, o aumento da taxa básica influencia os juros do financiamento imobiliário atrelado à caderneta de forma direta.

O que fazer diante deste cenário?

De acordo com Godoi, uma boa opção para os clientes que tomaram linhas de crédito atreladas à poupança e ao IPCA e agora estão vendo as taxas aumentando, pode ser a portabilidade de crédito imobiliário para instituições financeiras que ofereçam condições melhores.

Os especialistas alertam que o cuidado e a análise dos juros antes da contratação do empréstimo podem evitar problemas futuros.

“É preciso fazer uma busca em várias instituições financeiras, comparar condições de juros e prazos e sempre olhar o CET (custo efetivo total), que soma taxas adicionais que os bancos cobram”, afirma o presidente da Credihome, Bruno Gama, também à Folha.

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