Copom cumpre expectativa unânime e sobe Selic para 3,50% em maio

O mercado previa a nova alta de 0,75 p.p. da Selic em maio. O último boletim Focus prevê a taxa básica de juros em 5,5% ao final de 2022, indicando cenário de altas.

Heloisa Vasconcelos
Heloísa Vasconcelos

O Comitê de Política Monetária (Copom) encerrou a terceira reunião cumprindo as expectativas do mercado para a Selic em maio. A taxa básica de juros teve alta de 0,75 p.p., chegando a 3,50%.

O aumento era esperado após sinalização na ata da última reunião, em março. Nela, foi realizada a primeira alta da taxa em seis anos, após um ciclo de quedas que levou a Selic ao menor patamar histórico, em 2%.

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As altas consecutivas vêm para conter a alta da inflação. O último boletim Focus, divulgado na última sexta-feira, 30, prevê o IPCA em 5,05% ao final do ano, bastante próximo ao limite da meta estabelecida pelo Banco Central. 

O centro da meta inflacionária para 2021 foi estabelecido em 3,75%, com margem de tolerância de 1,5 p.p. para mais ou para menos. No início do ano, a previsão do Banco Central é que a inflação terminasse o ano em 3,82%.

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As altas na taxa básica de juros devem continuar ao longo do ano. Também segundo o boletim Focus, a previsão é que a Selic feche o ano em 5,5%, chegando a 6,25% em 2022 e 6,50% em 2023. 

Alta de 0,75 p.p. na Selic era esperada em maio

O mercado já esperava e se preparava para que a Selic fosse subir, tanto pelo indicativo do próprio Banco Central como pela alta da inflação.

“A mensagem é que o BC está prestando atenção no controle inflacionário, que o gasto público aumentou bastante, então tem que aumentar os juros. Dá o ponto positivo para a economia de que está havendo um aumento na demanda”, avalia o professor de finanças e controle gerencial do Coppead/UFRJ, Rodrigo Leite.

Ele chama atenção, contudo, que os efeitos do aumento da Selic na inflação não devem ser sentidos em curtíssimo prazo. Segundo ele, as políticas monetárias do Copom começam a aparecer de forma concreta em aproximadamente nove meses.

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Um dos fatores que complica uma baixa mais imediata da inflação após a ação do Banco Central é o caráter da alta atualmente, explica o sócio-fundador da Fatorial Investimentos, Jansen Costa.

“O grande problema da inflação hoje é o preço das commodities, que não depende muito aqui do Brasil. Efetivamente, a gente precisa ver como isso vai ser passado para os preços ao longo dos próximos meses”, coloca.

Outro ponto importante que justifica a alta na Selic é um certo desequilíbrio monetário. Com a pandemia, a Selic foi mantida artificialmente baixa para estimular o consumo, o que pressionou a inflação. 

“O câmbio e a taxa de juros estão fora do lugar, isso pressiona a inflação. Uma taxa de juros mais equilibrada traria o câmbio para o ponto ideal, a gente teria mais equilíbrio na economia. Estamos incentivando o crescimento e o crescimento não está vindo, e por isso estamos sentindo as consequências desse incentivo”, diz Jansen. 

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Como a alta afeta o seu bolso?

Ainda que a alta da Selic em maio deva impactar na redução da inflação, freando a perda de poder de compra do consumidor, Rodrigo reitera que a relação não é tão direta, principalmente no momento da pandemia.

Ele destaca que, mais que a Selic, outros fatores como o andamento da vacinação e a retomada da economia devem ter um papel mais importante no quanto o dinheiro do consumidor consegue comprar. 

Mas, o aumento na Selic traz dois efeitos imediatos: taxas mais altas para obter crédito e maior rentabilidade para a renda fixa. 

“Com o aumento da Selic, muitas pessoas deixam de consumir no momento atual para consumir no momento futuro. O crédito acaba encarecendo por conta deste juros elevado e menos pessoas ficam interessadas em pegar crédito para ampliação do consumo presente”, elenca o economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanches. 

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A notícia pode ser boa ou ruim para o investidor, dependendo do perfil. A Selic mais alta traz mais ganhos para os conservadores que não querem se arriscar, tornando mais vantajosas aplicações como a caderneta de poupança.

Por isso, muitos investidores que migraram para a renda variável no ano passado em busca de maiores ganhos podem voltar para a renda fixa. Isso pode ser uma notícia ruim para quem quer investir em projetos mais arriscados, diz Étore.

“Projetos cujo retorno é melhor deixam de ser viabilizados com uma taxa básica mais elevada. Isso no curtíssimo prazo não tem efeito nenhum, o problema é se isso for sistemático”, afirma.

Quem quer tomar crédito, seja por meio de empréstimo ou financiamento, deve tomar um cuidado maior neste momento para conseguir as melhores condições de juros. A pesquisa levando em consideração o Custo Efetivo Total (CET) pode trazer propostas melhores, mesmo diante de uma Selic mais alta. 

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