Copom concretiza expectativa do mercado com aumento na Selic; taxa chega a 2,75%

O aumento da Selic vem após uma série de quedas desde 2016, que culminou na menor taxa básica de juros da história. Novas altas são previstas.

LinkedIn
Ana Júlia Ramos

O Comitê de Política Monetária (Copom) concretizou o primeiro aumento da Selic em 6 anos nesta quarta-feira, 17. O conselho do Banco Central fixou a taxa básica de juros em 2,75% ao ano, com uma alta de 0,75 p.p.

A Selic estava em queda desde 2015, quando estava em 14,25%. Quedas sucessivas fizeram com que os juros básicos atingissem o menor patamar da história no ano passado, chegando a 2% ao ano.

Continua após a publicidade

A alta já era prevista pelo mercado, mas não havia certeza ainda do quanto a taxa subiria. O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central na última segunda-feira, 15, previa a Selic a 2,5% ao ano nesta quarta.

Segundo o mesmo documento, a expectativa é que os aumentos continuem: o Focus prevê o fechamento da taxa básica de juros em 4,5% em 2021 e 5,5% em 2022.

Continua após a publicidade

Bom ou ruim, o que esse aumento significa para o brasileiro? Como essa decisão do Banco Central impacta o bolso e o poder de compra dos brasileiros? Entenda.

Qual o papel da Selic?

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para conter a inflação no país. A cada 45 dias o Copom se reúne para decidir como ficará a taxa de forma a cumprir a meta da inflação estabelecida no ano — em 2021, a meta é de 3,75%.

Apesar de ter estado em 2% em 2020, a Selic historicamente foi mantida alta, na casa dos dois dígitos. A diminuição da taxa de juros foi parte de uma política monetária expansionista do Banco Central, tornando os juros mais baixos para alavancar a economia.

A alta da inflação tem atingido principalmente os alimentos e itens da cesta básica e é um dos motivos para a alta da Selic neste momento.

Continua após a publicidade

O índice terminou 2020 em 4,52%, fora do centro da meta de 4%. E, para 2021, a previsão do Ministério da Economia é que a inflação fique em 4,42%, também acima dos 3,75% previstos para o ano.

Diante desse cenário, se fez necessário quebrar o ciclo de baixas na taxa básica de juros. Quanto mais alta a Selic, maior a tendência de queda na inflação; se mantida baixa, contudo, há maior liberdade para a pressão inflacionária.

“Quando os juros sofrem alteração, o consumidor tende a comprar menos porque o financiamento vai ser mais caro. Com isso, o preço dos insumos cai, derrubando a inflação”, explica o coordenador do Instituto de Finanças Fecap, Ahmed El Khatib. 

O aumento da Selic é algo bom ou ruim?

Apesar de empurrar para baixo a inflação, Ahmed considera que a alta é negativa, considerando o atual momento da economia brasileira.

Continua após a publicidade

“A gente teve um ensaio de crescente na economia no final do ano, sobretudo por causa da abertura do comércio. Entretanto, o fechamento do comércio agora novamente vai derrubar a economia e o Brasil já está travado. Uma taxa alta prejudica a maioria da população, empresários têm dificuldade em expandir negócios. As empresas vão investir menos porque custa tomar empréstimo. Isso pode aumentar o desemprego e piorar o consumo”, projeta.

Para a economista-chefe do aplicativo de investimentos TradersClub, Fernanda Mansano, contudo, o aumento é um sinal positivo.

“Eu penso que a autoridade monetária tem o objetivo de manter o poder de compra. Só tem ganhadores, porque com uma inflação alta toda a população perde”, pontua. Ela reitera que, como a alta estava nas expectativas do mercado, a concretização beneficia a economia como um todo.

O Banco Central considerou os dois lados da moeda na tomada de decisão. “Por um lado, o agravamento da pandemia pode atrasar o processo de recuperação econômica, produzindo trajetória de inflação abaixo do esperado. Por outro lado, um prolongamento das políticas fiscais de resposta à pandemia que piore a trajetória fiscal do país, ou frustrações em relação à continuidade das reformas, podem elevar os prêmios de risco. O risco fiscal elevado segue criando uma assimetria altista no balanço de riscos, ou seja, com trajetórias para a inflação acima do projetado no horizonte relevante para a política monetária”, informou.

Continua após a publicidade

A inflação para além da taxa básica de juros em si

Os gastos públicos com a pandemia levaram a uma instabilidade geral na economia brasileira devido ao aumento da dívida pública. Isso afetou diretamente o câmbio, causando uma desvalorização da moeda. 

Dessa forma, com uma moeda mais barata internacionalmente, os preços para importação sobem e a exportação se torna mais vantajosa para os produtores nacionais. O resultado disso são preços mais caros para o consumidor e uma inflação mais alta.

Fernanda acredita que o aumento da Selic neste momento ruma a uma taxa de juros neutra, que não gere pressão inflacionária mas, ainda assim, permita o crescimento econômico.

“O aumento da Selic no passado era justamente por causa de uma inflação saindo do controle. Hoje, eu vejo mais como algo voltando ao juros de equilíbrio. Foi preciso diminuir a taxa porque tivemos um gasto fiscal muito alto e agora volta para o equilíbrio”, aponta.

Continua após a publicidade

Para o assessor de investimentos da Messem Investimentos, Fábio Figueiredo Filho, só a alta da Selic não resolve a inflação no país. O ponto chave para ele é a vacinação contra a Covid-19

“A vacinação diminui a necessidade de auxílio emergencial, diminui as restrições. A discussão deveria estar centrada na vacinação tanto do ponto de vista de saúde como fiscal e econômico”, considera.

Qual o impacto do aumento da Selic?

O principal impacto deve ser justamente na redução da inflação, com aumento do poder de compra dos brasileiros. Mas o alívio não é imediato.

Segundo Fábio, os brasileiros devem sentir a diminuição dos preços por conta da alta da Selic apenas daqui a 6 a 8 meses

Continua após a publicidade

“É uma tendência. Ao longo do tempo, você sobe os juros, a atividade econômica tende a ficar um pouco mais fraca, as empresas vendem menos e precisam derrubar os preços”, elenca.

O efeito mais rápido da decisão do Copom nesta quarta-feira é principalmente para quem tem ou pensa em contrair dívidas como empréstimos e financiamentos. Como a Selic é a taxa base para os juros cobrados pelas instituições financeiras, um aumento nela torna mais cara a obtenção de crédito.

Quem investe em papéis atrelados à Selic, sobretudo na renda fixa, também sentirá logo algum impacto; nesse caso, positivo. O incremento na taxa faz com que os investimentos, que tiveram a rentabilidade corroída nos últimos anos, sejam um pouco mais vantajosos.

Quer continuar acompanhando tudo o que acontece no mercado financeiro? Então, assine a newsletter iDinheiro e ative as notificações push.

Continua após a Publicidade

Comunidade iDinheiro
Pergunte à comunidade ➔
Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Logo iDinheiro

Newsletter iDinheiro: receba novidades sobre o que importa para o seu dinheiro.

Suas informações não serão compartilhadas com terceiros e também não enviaremos promoções ou ofertas.