Nesta quarta-feira, 26, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu manter a taxa Selic em 13,75% ao ano. Com isso, a taxa permanece no mesmo patamar desde o início de agosto.
Mesmo com a estabilidade, o Brasil segue liderando o ranking mundial de juros reais, segundo um levantamento feito pelo MoneYou e pela Infinity Asset Management. Isso acontece porque, descontada a inflação esperada para os próximos 12 meses, os juros reais do Brasil ficaram em 7,8%.
A última vez que a taxa Selic teve um valor mais alto do que 13,75% foi no ciclo de 19 de outubro de 2016 até 30 de novembro de 2016, quando o índice chegou a 14% do ano. Entenda os impactos da decisão do Copom sobre a Selic para o seu bolso.
Entenda os impactos da Selic
A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira. Ela serve como base para a definição de outras taxas, como as utilizadas pelas instituições financeiras em empréstimos e financiamentos.
O cálculo da Selic é feito a partir de inúmeros fatores econômicos na reunião do Copom, que acontece a cada 45 dias para fixar um valor para a taxa. Este número é denominado de Selic Meta ou Meta Selic e pode aumentar, diminuir ou se manter estável.
Dessa forma, juros elevados têm vários reflexos na economia brasileira, como:
- Aumento de taxas bancárias;
- Aumento nas taxas de juros de empréstimos, financiamentos e cartão de crédito;
- Investimentos em renda fixa, como o Tesouro Direto, passam a render mais com a alta da Selic.
Especialistas comentam a decisão do Copom
Segundo o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (FAESP) Fábio de Salles Meirelles, a escalada dos juros nos últimos meses parece ter contido a inflação.
“Considerando a importância da retomada de índices mais elevados de crescimento econômico, é importante que a política monetária vá sendo calibrada de modo a facilitar o acesso ao crédito, com juros reais menores”, ponderou o especialista.
Fábio também avalia que a expectativa é de que a inflação continue em queda. No último IPCA divulgado em outubro, a considerada inflação oficial brasileira teve queda de 0,29%, registrando deflação pelo terceiro mês consecutivo.
“De todo modo, esperamos que a inflação continue em queda e que os juros, gradualmente, sejam reajustados para baixo, a fim de estimular os investimentos e o crescimento da economia nacional, na qual o agronegócio desempenha expressivo protagonismo”, afirma.
Sobre uma perspectiva futura, o economista chefe da Messem Investimentos Gustavo Bertotti avaliou que a ata do Copom ainda deve mostrar cautela, mas há perspectivas de quedas da Selic para 2023:
“O Copom vai deixar as portas abertas para um futuro aumento residual da Selic, se for necessário. Mas acredito que os juros devem voltar a cair no segundo trimestre do ano que vem, se o cenário de controle da inflação permanecer nos atuais níveis”, explica.
A próxima reunião do Copom está prevista para os 6 e 7 de dezembro, sendo a última do ano.
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