Conta de luz deve subir mais em 2022? Entenda

Especialista explica quais são as perspectivas para o custo da conta de luz em 2022, após o fim da bandeira escassez hídrica.

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Rafaela Souza

Desde o último dia 16, a conta de energia elétrica dos brasileiros voltou a ter aplicação da bandeira tarifária na cor verde, sem custo adicional. A bandeira escassez hídrica, que estava em vigor desde setembro do ano passado, teve seu fim antecipado pelo governo no começo do mês de abril.

Com a mudança, o governo previu uma redução de cerca de 20% no valor da conta de luz, com uma expectativa de que a bandeira verde permaneça até o fim do ano. Segundo o pesquisador e economista do FGV IBRE Matheus Peçanha, o cenário hídrico atual contribui para esse cenário:

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“Vamos entrar na parte mais seca do ano agora e é justamente nesse momento que a bandeira deixou de ser aplicada, o que mostra que o cenário realmente está favorável. Dessa forma, quando estivermos na época de chuvas, em outubro, o cenário será ainda melhor e, portanto, a expectativa é de que a bandeira verde vigore até o fim do ano.”.

Custo da conta de luz deve continuar alto em 2022?

Matheus Peçanha lembra que a bandeira verde já é sem acréscimo, mas que eventualmente várias distribuidoras também devem fazer os próprios reajustes anuais.

“Toda distribuidora tem um parâmetro para dizer qual será o preço de sua energia, levando em consideração alguns fatores como: a quantidade de consumidores do mercado em que a distribuidora atua, a quantidade de perdas técnicas na distribuição e o furto de energia. Regiões com alto número de furtos, por exemplo, tendem a ter uma tarifa mais alta. Além disso, as distribuidoras observam um fator de produtividade: se a distribuidora consegue atingir pontos de qualidade no serviço, isso também contribui para o preço final da tarifa.”.

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Inflação

O pesquisador e economista ressalta que, apesar da diminuição no valor da conta de luz, a inflação deve continuar como a grande questão que afeta o bolso dos brasileiros: “O problema não é tanto na energia elétrica, mas na inflação como um todo. Isso porque, infelizmente, essa bandeira verde será ‘suplantada’, não vamos sentir na inflação como um todo por conta dos aumentos em energia fóssil e outros aumentos como efeitos da guerra: fertilizantes que deve impactar no preço de alimentos como o trigo, por exemplo… Então, infelizmente, a bandeira verde vai aliviar o bolso em relação à conta de luz, mas por causa de todos esses problemas da inflação e de impostos de modo geral, essa redução não vai ter um impacto tão forte.”.

Aneel aprova orçamento de R$ 32 bilhões para fundo do setor elétrico

Outro ponto que deve ser observado para entender se a conta de luz dos brasileiros sofrerá um novo aumento é o Orçamento de 2022 da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que foi aprovado pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) nesta terça-feira (26).

A CDE é um fundo usado para custear ações e subsídios concedidos pelo governo no setor elétrico, como a universalização do acesso à energia por meio do programa Luz para Todos e a concessão de descontos da tarifa social de baixa renda.

O orçamento aprovado pela Aneel foi de R$ 32,09 bilhões e representa um aumento de 34,2% em relação a 2021. De acordo com a decisão da Agência, R$ 30,219 bilhões serão pagos pelos consumidores na conta de luz.

Com isso, os consumidores de energia elétrica terão um impacto tarifário médio estimado de 3,39%. Desses, 2,41% serão para os moradores do Norte e Nordeste e 4,65% para os consumidores das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

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