O que é a famosa “Black Fraude”? Especialistas dão dicas para não cair em furadas

A “black fraude” surgiu pela prática de aumentar preço de produtos para depois anunciar preços normais como descontos. Com a Black Friday 2021 chegando, saiba como aproveitar descontos reais.

Júlia Ennes
Júlia Ennes

A Black Friday se tornou um dos eventos mais importantes do varejo brasileiro. No entanto, ainda existe um clima de desconfiança em relação às promoções oferecidas durante a data, que acabou dando origem a expressões como “black fraude” ou “tudo pela metade do dobro”.

Isso porque a Black Friday chegou no Brasil em 2010, com uma forte propaganda para aumentar o volume de vendas. Porém, já nos primeiros anos, foi constatado um acréscimo no valor de produtos na véspera do evento para depois anunciar os preços normais como “descontos”.

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O iDinheiro conversou com Ricardo Bove, idealizador da Black Friday no Brasil, e Renata Abalém, presidente da Comissão de Direito do Consumidor da OAB Goiás para entender melhor o que é a black fraude e como não cair nesse tipo de furada.

Afinal, de onde saiu a “black fraude”?

A expressão “black fraude” ficou famosa entre os consumidores depois de ter sido percebida a existência de descontos falsos na sexta-feira das ofertas. A prática consiste em aumentar os valores de produtos na véspera da Black Friday para, na data, abaixar novamente e anunciar os preços normais como “descontos”

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O idealizador da Black Friday no Brasil, Ricardo Bove, explica que o termo “black fraude” foi muito utilizado, principalmente, no início da ação, por volta de 2012 e 2013. Isso porque eram esperados grandes descontos, como acontece na data nos Estados Unidos, no entanto, consumidores perceberam os descontos “falsos”. 

Segundo Bove, isso se deu devido ao despreparo dos lojistas na época, diante de uma forte adesão por parte dos consumidores. “Em 2011, o valor das vendas na Black Friday foi de 60 milhões de reais; em 2012, 250 milhões; já, em 2013, passou para mais de 500 milhões de reais. Então, o interesse do consumidor chegou antes que os lojistas estivessem preparados para terem estoques, boas estruturas de sites e saberem lidar com a Black Friday. Os lojistas brasileiros achavam que era uma data normal e não estavam preparados para a massa de pessoas procurando descontos”, explica o empresário.  

Já para a advogada cível e presidente da Comissão de Direito do Consumidor da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – Seção Goiás, Renata Abalém, a prática de oferecer descontos falsos é um sintoma da própria cultura brasileira. “Infelizmente, nossa cultura é essa. O fornecedor, ao invés de fidelizar o cliente com política de transparência, prefere levar uma pequena vantagem pontual, do que manter uma postura de coerência, proximidade e empatia com seu cliente. Nós somos muito mal educados socialmente. A verdade é essa e é doída”, afirma. 

O que mudou nos últimos anos

Mesmo agora, com o comércio brasileiro já acostumado com a Black Friday, ainda é comum ver esse tipo de prática de aumento de preços acontecendo. Segundo Bove, a taxa de “black fraude” ainda existe, justamente, porque alguns lojistas continuam elevando o preço nas vésperas da data.

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Uma pesquisa realizada no ano passado pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (IBEVAR) mostrou que alguns produtos ficaram até 70% mais caros em novembro. O estudo acompanhou os valores de 6.500 itens em 30 categorias entre junho e 15 de novembro de 2020. Os resultados revelaram que “houve reajuste de preços para todas as classes na primeira quinzena de novembro, sendo 50% de reajustes fortes (acima de 25%) e 40% de reajustes médios (abaixo de 25%)”.

No entanto, ainda de acordo com o idealizador da data no Brasil, é possível perceber uma melhora nas práticas durante a Black Friday. “A gente vê que isso [os descontos falsos] vem diminuindo cada vez mais, primeiramente, pela atuação dos órgãos competentes, como o Procon, que exerce um excelente trabalho em cima disso. Mas também por parte dos consumidores, que hoje já estão muito mais acostumados com a internet. Ao comprar on-line e, já sabendo que o Black Friday está chegando, o consumidor já sabe o que quer comprar e, então, já fica atento às ofertas”, declara.

Aproveite e veja também: Dicas Black Friday 2021: como se dar bem (e não fazer dívidas!)

Cuidados para não cair na black fraude

Quem deseja aproveitar as oportunidades de compras, por meio dos descontos da Black Friday, deve estar atento para não cair em furadas. 

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Segundo Abalém, uma boa maneira de fazer isso é planejar com bastante antecedência. “A compra tem que ser estudada. Se você quer uma geladeira, escolha a marca, modelo e acompanhe esse produto ao menos dois meses antes da data. Assim, você vai ter a certeza do real preço do produto.”, aconselha a advogada.

Bove também aconselha ter um planejamento e uma boa pesquisa antes de fechar as compras. Além disso, ele afirma que comprar em lojas conhecidas também é uma boa maneira de garantir maior segurança e melhores descontos. “As lojas mais conhecidas são monitoradas constantemente tanto pelos órgãos competentes, quanto por elas mesmas, porque a Black Friday é, na verdade, uma ação de aquisição de clientes. Por isso, essa história de aumentar preços nas grandes lojas já não é mais uma realidade”, afirma.

Leia também: Descontos na Black Friday: saiba identificar quando eles são verdadeiros

É preciso também tomar cuidado com sites falsos

Um tipo de golpe que tem crescido nos últimos tempos é o do sites falsos. O golpe homográfico é aquele em que os domínios falsos imitam a aparência e até a URL de sites famosos.

Abalém aconselha sempre ficar de olho no link do site, principalmente, no miolo do endereço. “Se existir ali alguma letra suspeita, desconfie e pesquise no Google. Faça a pesquisa da loja para obter o link correto logo nos primeiros resultados. O Google dificulta aos sites falsos o topo da pesquisa, de forma que você consegue fazer a comparação com simples conferência”, explica.

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Além disso, existe uma lista de sites não recomendados pelo Procon.

Saiba mais sobre a Black Friday

A Black Friday tem origem nos Estados Unidos, onde o evento acontece sempre na sexta-feira, após o feriado de ação de graças. No Brasil, a data chegou em 2010 e, hoje, já se tornou um dos eventos mais importantes do varejo brasileiro. 

No ano passado, foram realizadas mais de 7 milhões de compras online na data, superando o número de 2019 em 24,7%. É o que diz o levantamento da Neotrust/Compre&Confie, que também aponta que o valor médio das compras foi de R$ 668,70. 

Em 2021, a Black Friday está marcada para o dia 26 de novembro. No entanto, algumas empresas estendem a data em promoções como “esquenta black friday” ou “black week”. Acompanhe as novidades da Black Friday em nossa página especial.

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