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Fraude financeira aumenta com redes sociais e juros baixos

Isabella Proença
Isabella Proença
cartão de crédito violado por um gancho, representando Fraude financeira
A fraude financeira aumenta em meio à era digital, que fez com que os casos ganhassem velocidade no Brasil e no mundo. Entenda como funciona.

Enquanto o número de pessoas físicas investindo na bolsa aumenta, tendo alcançado a marca de mais de 3,1 milhões de CPFs no mês de outubro, um mundo paralelo de fraude financeira se desenvolve por meio de armadilhas criadas com o marketing digital.

Os casos de fraude financeira, pirâmide e esquemas “ponzi”, que já eram elevados no Brasil e no mundo, tem acelerado com a era digital. Diante disso, é importante que o investidor tome cuidado para evitar cair nesse tipo de emboscada.

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CVM cria ferramenta educativa enquanto fraude financeira aumenta

A MVCF Investimentos promete “Um novo conceito de investir” e ensina qualquer mortal a ser um trader de sucesso de Forex ou criptomoedas, além de viver de renda.

De acordo com o descritivo do site, outra forma de multiplicar os resultados é criar a própria rede de investimentos, convidando familiares e amigos e ganhando um percentual extra por isso.

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Há testemunho de investidor iniciante bem-sucedido e uma base de 27 mil clientes. Tudo fake.

Ao clicar em “cadastrar”, surge a mensagem: “Cuidado: você quase foi enganado! A CVM criou esta página para alertá-lo e preveni-lo dos riscos que você pode correr ao investir seu patrimônio em empresas e ofertas não autorizadas ou com pessoas não certificadas para atuar no mercado. Informe-se e pesquise antes de investir!”. A partir daí, um conteúdo educativo é oferecido para o consumidor.

O site foi criado em uma parceria do regulador com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), entidade que representa o mercado de capitais e de investimentos.

Em quatro meses no ar, o portal teve 16,3 mil acessos com a oferta de aplicações com retornos expressivos, e 3,2 mil usuários clicaram no botão “quero investir” — o equivalente a um percentual de 20%.

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A taxa de conversão supera a abordagem via e-mail marketing, que varia entre 3% e 5%, e outras ofertas regulares, em que são esperados 10%, diz superintendente de educação de investidores da Anbima, Ana Leoni, em entrevista ao Valor Econômico.

O ponto positivo dessa história é que a potencial vítima navega no conteúdo educacional simultaneamente ao conteúdo da página falsa, retornando nela depois, provavelmente, para checar o motivo de ter caído no golpe.

Panorama sobre a prática criminosa

Para a superintendente, o fenômeno de juros baixos no Brasil está popularizando o tema investimentos. Apesar disso, também está deixando as pessoas suscetíveis a ofertas maliciosas. E, por isso, a fraude financeira aumenta.

“Com a pandemia tem mais gente acessando a internet, para o trabalho, as compras do dia a dia e também para investir. O uso do digital para fazer tudo torna o ambiente mais propício [aos golpes]”, afirma Ana.

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No portal “Se Liga na Fraude”, iniciativa que surgiu da parceria entre a CVM e a Anbima, a seção mais visitada é o top 5 “Esquemas”. Lá estão listados os golpes mais recorrentes: pirâmide financeira, marketing multinível, Forex, operações de criptoativos e falsos profissionais.

Redes sociais

As redes sociais têm ampliado o alcance das ofertas tradicionais e também das irregulares, afirma o superintendente de proteção aos investidores da CVM, José Alexandre Vasco, também ao Valor Econômico.

Ele cita que em poucos anos o número de reclamações de investidores cresceu significativamente, sendo uma das fontes para investigar após algum episódio.

Só este ano, até o mês de outubro, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) recebeu 298 queixas de investidores. O canal de denúncia anônima foi criado em março.

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Vasco afirma que a área de supervisão possui mecanismos para mapear o que ocorre na internet e solicitar ajustes.

O objetivo não é proibir as pessoas de falarem sobre o mercado de capitais, se trata apenas de monitorar quando os influenciadores cruzam o limiar da análise ou consultoria de investimentos

“As técnicas são sempre demonstrar que a pessoa é muito bem-sucedida, há promessas de lucro fácil, premiações”, diz.

Há situações de venda direta mascarada de produtos de alimentação e beleza, atividades que não possuem valor econômico por não haver rentabilidade suficiente para pagar toda a cadeia.

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