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Como o mercado externo impacta os investimentos no Brasil?

Entenda por que considerar o mercado externo na escolha dos seus investimentos é fundamental para ser um investidor de sucesso.

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Victor Barreto Especialista em Investimentos

Investir olhando só para o Brasil é dar um tiro no pé. O investidor que busca bons retornos no longo prazo precisa pensar de forma global. Nesse texto, iremos trazer alguns motivos pelos quais você deve ficar atento!

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A importância do mercado externo para nossa economia e investimentos

O Brasil é um país emergente, isso já sabemos. Mesmo com essa classificação que não nos agrada, precisamos entender uma coisa: o Brasil negocia com vários países do mundo. Por exemplo, somos um país que foca muito em commodities e isso não tem nada de negativo, apenas significa que temos algum “bem” que é valioso e transacionamos isso com outros países.

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Partindo dessa visão, fica claro que o mercado externo influencia e muito na nossa economia. Para recordarmos, a fórmula básica do PIB é:

Consumo das famílias + Investimentos + Gastos do Governo + Exportações Líquidas

Portanto, o quanto exportamos também tem resultado essencial na nossa medida de produção em um determinado ano.

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Essa relação pode ser difícil de observar a olho nu. Por que isso acontece? Dificilmente estamos vendo exatamente o quanto sai e o quanto entra em nosso país, não é algo que é simples de entender. Apenas observamos, no noticiário, informações de que o país exportou milhões de sacas de soja, toneladas de laranja, milhões de barris de petróleo, etc.

Esses números gigantescos que são noticiados, muitas vezes em canais abertos, contribuem para que os investidores tenham uma noção mais clara de como o país anda, e, a partir disso, definir prováveis cenários de investimento.

Prova disso é que, pelo fato de o Brasil ser um país que foca muito em commodities, em vários momentos de mercado pudemos observar que a quantidade massiva de capital estrangeiro que entra no nosso país foi direcionada para empresas da bolsa como Vale e Petrobras, duas empresas representativas no nosso índice e que produzem petróleo e minério de ferro.

A Guerra da Ucrânia foi um exemplo muito claro disso.

Quais são os fatores-chave que devemos olhar quando vamos investir?

Sempre defendo que o investidor deve ter o máximo de ferramentas em sua mão para utilizar de forma estratégica as informações que elas nos concedem. É claro que existe muito ruído no mercado e isso é um ponto que atrapalha na tomada de decisão.

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Contudo, quando digo que o máximo de ferramentas deve ser considerado, quero trazer o sentido de que não podemos tomar decisões olhando de forma exclusiva para um dado isolado.

Pensando nisso, vamos discutir alguns pontos que o investidor precisa ficar atento para investir melhor:

taxas de Juros: cada país tem uma taxa de juros praticada. É a taxa que baliza as aplicações de renda fixa e também empréstimos. Como cada país tem uma taxa específica, é essencial entender como isso afeta o processo de investir;
política: cada país possui uma política diferente. Sabemos que o Brasil, historicamente, tem uma volatilidade política maior do que os EUA, por exemplo. Isso deve ser levado em consideração;
inflação: estamos em um momento inflacionário para o mundo como um todo. Mesmo assim, pode ser que determinados países reajam de forma diferente do que aqui no Brasil. Prova disso é que precisamos subir nossos juros para algo em torno de 13%, enquanto os EUA provavelmente subirão para algo em torno de 3 a 5% ao ano. Diferença bem grande;
geografia e potencial produtivo: determinados países possuem acesso a portos e localização privilegiada. Observamos que cenários de guerra, como a que está ocorrendo, podem impactar positivamente ou negativamente. O Brasil se beneficiou por ser um produtor de commodities, já que Rússia e Ucrânia estão em guerra e também produzem alguns bens. Conclusão: crescimento das cotações de alguns produtos;
demografia: componente também imprescindível para a escolha de um investimento. Se compararmos EUA x China, temos uma diferença substancial. EUA possuem uma demografia economicamente ativa e uma política que não condena o 2º filho, como a China faz. Isso, no longo prazo, pode ter grande impacto;
tecnologia: por que centralizar investimentos em países que focam em tecnologia somente? Lembre-se que a concentração é inimiga da diversificação. O Brasil oferece uma boa diversificação por ser um país produtor de commodity, e isso ainda continua tendo valor, mesmo sabendo que é mais legal investir na Apple ou Amazon.

O Investidor Global x Nacional: consequências

Quais são as consequências de investir de forma nacional (só no seu país)?

Se pudesse escolher a principal delas? Moeda.

Nosso país, infelizmente, tem uma moeda muito fraca e que potencializa todos os pontos citados acima. É como se fosse a cereja do bolo para o país emergente ter uma moeda fraca e em cenários de maior instabilidade, era tudo o que não queríamos.

Veja como é um efeito cascata a ação de manter investimentos em uma só economia:

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  • se a situação política brasileira deteriora, o real provavelmente se desvaloriza;
  • se a inflação brasileira sobe cada vez mais, pode ser que o real se desvalorize;
  • se as taxas de juros brasileiras são muito voláteis, o real pode se desvalorizar;

É claro que não é uma relação causa-efeito perfeita, contudo, perceba que a volatilidade sobe muito por conta da moeda.

Conclusão

O mercado externo impacta muito as decisões, do pequeno ao grande investidor. Não só para definir se a nossa economia cresce, mas também para dar sinais do que faz sentido investir em determinado momento.

Estamos em um barco à vela, velejando em alto mar e sofrendo com pequenas, médias e grandes ondas. Conhecer cada uma delas primeiramente pode tornar a viagem mais simples. Não subestime o mercado externo e seu potencial.

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