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O que é inflação, como ela funciona e como afeta a sua vida?

Entenda o que é inflação na prática e como essa taxa é calculada, além de conferir as causas e efeitos da alta dos preços. Saiba mais aqui!

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Camille Guilardi Estagiária de Finanças e Investimento

Apesar de ser um assunto recorrente na mídia, muitas pessoas costumam ter dúvidas sobre o que é inflação. Mas, embora o conceito seja simples, ela envolve uma série de componentes complexos do mercado financeiro.

O aumento nos preços é identificado todos os dias, especialmente em momentos onde a economia apresenta um cenário pouco favorável, ou, ainda, por conta de acontecimentos externos que impactam nos produtos e serviços.

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No entanto, essa variação é monitorada pelos órgãos fiscalizadores. Assim, não é apenas para que ela seja identificada e calculada corretamente, mas também para que seja possível elaborar estratégias para um controle eficaz.

Por outro lado, não é possível administrar as finanças e entender a alta dos preços sem saber o que é inflação. E foi pensando nisso que preparamos um guia especial sobre o assunto, trazendo os principais detalhes desse conceito, como ele funciona e quais os seus efeitos.

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O que é inflação?

​Inflação é o aumento dos preços de bens e serviços. Basicamente, ela analisa a mudança dos valores praticados em uma série de categorias, e busca determinar, em percentual, qual a variação do período.

Atualmente, o responsável por realizar esse acompanhamento é o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O órgão divulga não apenas o índice do mês anterior, como também calcula o acumulado dos últimos 12 meses e a previsão da inflação para o próximo período.

Essas informações são utilizadas como base para uma série de decisões financeiras, além de impactar diretamente o cenário econômico. Isso porque ela também implica na diminuição do poder de compra da moeda, o que não afeta somente os consumidores, mas instituições e investidores também.

Mesmo sendo periodicamente divulgada e noticiada na mídia, muitas pessoas ainda podem ter dúvida sobre o que é inflação, ou como ela é, de fato, calculada.

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Como calcular a inflação?

Na prática, o cálculo da inflação é feito a partir da média de variação nos preços do mercado. Dessa forma, a taxa pode refletir o encarecimento dos produtos e serviços, além de determinar qual a evolução desses valores dentro do período.

Essa determinação é feita por meio de índices, responsáveis por acompanhar as altas e baixas. Atualmente, o principal indicador utilizado pelo IBGE é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

A métrica considera o preço de itens básicos consumidos pela população, divididos em oito categorias:

A amostragem representativa é feita mensalmente pelo IBGE em 13 áreas urbanas:

  • São Paulo;
  • Rio de Janeiro;
  • Belo Horizonte;
  • Porto Alegre;
  • Curitiba;
  • Salvador;
  • Recife;
  • Fortaleza;
  • Belém;
  • Vitória;
  • Goiânia;
  • Campo Grande;
  • Rio Branco;
  • São Luís;
  • Aracaju;
  • Brasília.

Dessa forma, é possível reunir os valores aproximados em todas as regiões, totalizando aproximadamente 430 mil preços, que determinam o que é inflação. Em seguida, o IBGE realiza o cálculo médio e compara com o índice do período anterior, indicando se a inflação aumentou ou diminuiu.

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No IPCA, o instituto considera os hábitos de consumo de famílias que recebem de 1 a 40 salários mínimos.

Nesse caso, é importante destacar que o índice não reflete, necessariamente, as mudanças reais sentidas pelos consumidores. Afinal, ele se trata de uma média que pode ser diferente para cada núcleo de consumo, conforme as prioridades de gastos.

Quais os índices da inflação?

O IPCA é o principal indicador utilizado para determinar o que é inflação e qual o seu comportamento durante o período, geralmente mensal. No entanto, existem outras métricas utilizadas pelo IBGE e também pelas instituições de verificação de preços.

Um deles é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que abrange uma faixa salarial menor que o IPCA. Nele, são consideradas apenas as famílias que vivem com até cinco salários mínimos. Dessa forma, existe uma análise de grupos mais sensíveis às variações de preços, pois tendem a gastar o rendimento em itens mais básicos, como alimentação, transporte e medicamentos.

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Enquanto isso, também existem as variações do IPCA:

  • IPCA-15: difere do IPCA apenas no período de coleta, que abrange, em geral, do dia 16 do mês anterior ao dia 15 do mês de referência. Funciona como uma prévia do IPCA;
  • IPCA-E: é o acumulado trimestral do IPCA-15.

Ainda, o IBGE também trabalha com outros dois indicadores próprios, sendo:

  • Índice de Preços ao Produtor (IPP): voltado para a indústria e mede a variação de preços de venda recebidos pelos produtores de bens e serviços;
  • Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (SINAPI): produzido em conjunto com a Caixa Econômica Federal, mede a variação de preços para o setor habitacional e de construção.

Essas métricas auxiliam na elaboração de uma média mais concreta sobre os valores de todas as categorias, não apenas as que são abordadas pela cesta de produtos e serviços básicos.

Índices de outras instituições

Além do IBGE, outros órgãos de fiscalização também produzem indicadores para explicar o que é inflação e como ela opera.

A Fundação Getúlio Vargas (FGV) possui o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), formado pelos preços por atacado (IPA-M), ao consumidor (IPC-M), e de construção (INCC), comumente usado para contratos de aluguel e reajustes de tarifas públicas.

Enquanto isso, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) possui o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-Fipe), que mede a variação de preços no Município de São Paulo. Ele aponta a variação do custo de vida médio de famílias com renda de 1 a 10 salários mínimos, sendo um referencial de preços para o Estado e para outras regiões.

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Inflação: causas e efeitos

Ainda, para entender o que é inflação, de fato, é importante considerar suas causas e efeitos. Em outras palavras, quais as condições que levam ao aumento dos preços e do próprio índice, e as consequências dessa variação.

Confira mais detalhes sobre esses elementos e a influência que eles exercem sobre o mercado:

Causas da inflação

A princípio, existem diversas causas que podem levar à inflação, incluindo o comportamento do mercado nacional e internacional. Contudo, o Banco Central determina, inicialmente, quatro condições que contribuem para a elevação dessa taxa:

1- Pressões de demanda

Como o nome indica, a demanda por determinados produtos ou serviços faz com que os preços se elevem, acompanhando a lei da oferta e da procura. No entanto, a alta repentina desses valores contribui para a elevação da inflação.

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Isso também pode acontecer quando existe uma maior disponibilidade de crédito, quando as pessoas possuem maior poder de compra ou alternativas para realizar a manutenção do seu consumo. Nesse caso, a tendência é aumentar os gastos, aumentando a demanda de maneira geral.

2- Pressões de custos

Enquanto isso, os indicadores que definem o que é inflação também podem aumentar quando fica mais caro produzir um produto ou oferecer um serviço.

A alta dos valores faz com que a mercadoria esteja menos disponível, reduzindo a oferta e, consequentemente, aumentando os preços. Além disso, é comum que os produtores elevem os custos para cobrir as despesas extras, também ocasionando uma alta no índice.

3- Inércia inflacionária

O efeito de inércia inflacionária acontece quando os preços são reajustados automaticamente em função da inflação do mês anterior, o que alimenta o próprio processo inflacionário.

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Como reação ao índice, os produtores seguem o valor em busca de diminuir os prejuízos ou potencializar seus lucros. No entanto, isso pode contribuir para uma manutenção da inflação, que leva ao mesmo efeito no mês seguinte.

Essa é uma das causas indiretas da inflação, pois ela apenas acompanha a divulgação dos preços anteriores. E, mesmo que não tenha uma mudança significativa no cenário, o reajuste acontece de forma automática.

4- Expectativas de inflação

Por fim, assim como a inércia inflacionária, as expectativas também são uma das causas de elevação da taxa. Elas acontecem de forma indireta, especialmente por quem não sabe o que é inflação e como ela funciona na prática.

Temendo um novo aumento da inflação no próximo mês, mesmo sem divulgação, os produtores e comerciantes antecipam, de forma geral, o aumento no valor dos produtos.

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É o efeito oposto à inércia, mas também contribui para uma alta nos preços. Consequentemente, a avaliação identifica essa movimentação e traça a média de aumentos, que leva ao crescimento do índice dentro do ciclo.

Efeitos da inflação

Depois de conhecer as causas que levam ao aumento do índice, para entender o que é inflação, de maneira completa, é importante saber também sobre os efeitos dela no mercado, além do impacto nos consumidores:

1- Cenário de incerteza

Um efeito comumente observado na alta da inflação é o cenário de incerteza vivido pelos consumidores, produtores e comerciantes. Com uma elevação significativa nos valores, as pessoas começam a ter dificuldade para avaliar se algo está barato ou caro, perdendo a noção dos preços relativos.

Isso gera uma distorção no mercado, o que prejudica o crescimento econômico, afetando, principalmente, as camadas menos favorecidas.

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2- Menos atividade econômica

O avanço dos preços sem correção do salário gera uma queda nas atividades econômicas. Afinal, a população tem seu poder de compra afetado. Dessa forma, todos os setores podem sentir o impacto dessa movimentação, com menos vendas, produção e circulação de capital.

3- Redução nos investimentos

Ainda, não são apenas os consumidores que vivenciam os efeitos do que é a inflação, mas também o mercado de investimentos.

Com um cenário de incertezas e menos atividade econômica, companhias e pessoas físicas que realizam aplicações em empresas brasileiras assumem uma postura mais receosa. Os efeitos disso afetam todo o mercado de ações, bem como os resultados de investimentos de renda fixa, por exemplo.

4- Paralisação de projetos

Por fim, um dos efeitos de longo prazo da inflação é a paralisação de projetos, como:

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  • melhorias;
  • construções;
  • investimentos públicos;
  • promoção de ações governamentais.

A falta de investimentos e a queda na movimentação econômica faz com que o governo precise redirecionar mais recursos a fim de abranger os demais efeitos. Isso aumenta a dívida pública, e, consequentemente, diminui os recursos disponíveis para a realização de projetos.

Posteriormente, esse efeito pode apresentar outras consequências que mantém uma posição mais receosa quanto a investimentos, pois empresários e indústrias deixam de enxergar o Brasil como um cenário em potencial.

Como a inflação afeta o seu bolso?

Muitas pessoas buscam saber o que é inflação para entender qual o impacto real no seu bolso. Na prática, o aumento dessa taxa faz com que o seu dinheiro perca valor, pois ele não acompanha a valorização dos preços, e você passa a ter menos poder de compra.

Imagine que você compra uma cesta básica por R$ 100. Entretanto, a inflação fez com que os produtos passassem a custar mais caro, elevando o preço para R$ 150. Nesse caso, os mesmos R$ 100 que você possuía já não compram a mesma quantidade de produtos, adquirindo um número menor de mercadorias.

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Isso se aplica para todas as categorias, não apenas alimentação, mas também prestação de serviços, como transporte e energia elétrica. Por esse motivo, muitas pessoas podem ter a impressão de que estão comprando menos e gastando mais. Ao entender o que é inflação, é possível comprovar que é este o efeito do aumento na realidade.

Como controlar a inflação?

Em um primeiro momento, não existem meios diretos para ter total controle da inflação. Isso porque ela não é administrada pelo Governo Federal ou pelas instituições que analisam os preços. No entanto, existem algumas medidas tomadas que podem influenciar a sua queda em momentos de alta crescente.

  • interferir na taxa Selic: ela funciona como um controle da inflação, isso porque, quando a Selic aumenta, o acesso ao dinheiro fica menor, assim, o consumidor passa a gastar menos. Ao longo prazo, isso permite reduzir a taxa por meio de uma menor demanda, o que traz uma oferta mais barata;
  • aumentar os impostos: o aumento dos preços faz com que se reduza a quantidade de moedas circulando, o que afeta a demanda, e, com isso, a inflação também pode apresentar movimentos decrescentes.

Entretanto, essas medidas são apenas provisórias, e não podem controlar totalmente os índices.

A inflação é sempre ruim?

Depois de entender o que é inflação, algumas pessoas podem acreditar que esse índice é sempre ruim. No entanto, quando controlada, ela é um sinal de que a economia está aquecida e crescendo de forma saudável.

Isso porque existe uma valorização dos produtos, ao passo que os consumidores também conseguem acompanhar essa evolução, sem afetar seu poder de compra. Diversos países, inclusive o Brasil, possuem uma meta anual de inflação para dar segurança à economia, sendo uma forma de garantir que os preços cresçam, mas de forma gerenciada e dentro dos parâmetros.

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Atenção

A inflação é ruim para a economia apenas quando não está controlada e quando a moeda passa a perder muito poder de compra.

O que é hiperinflação e deflação?

Por fim, existem outros dois conceitos populares que ajudam a entender o que é inflação e como ela opera. Entenda como se define cada um:

Hiperinflação

A hiperinflação é conhecida como um movimento inflacionário “irracional”. Isso porque ela continua acontecendo mesmo sem um motivo claro, gerando um descontrole de preços. Para a taxa ser categorizada assim, é necessário que ela atinja mais de três dígitos, e apresente alta superior a 50% no mês.

Essa situação pode acontecer por uma série de motivos, como descontrole das dívidas externas ou condições que levam os consumidores a comprarem mercadorias em excesso, provocando falta no mercado. Neste cenário, a moeda desvaloriza rapidamente, e os consumidores perdem, cada vez mais, seu poder de compra.

Além disso, os preços continuam a subir descontroladamente, levando a um momento de maior incerteza. O Brasil já passou pela hiperinflação entre as décadas de 1980 e 1990, quando a taxa ultrapassou 80% ao mês, com preços que mudavam diariamente e escassez de produtos.

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Deflação

Enquanto isso, a deflação é o contrário da inflação, e acontece quando os preços, em vez de subirem, descem. Seu principal motivo é o aumento da oferta das mercadorias e falta de demanda para comprá-las. Esse efeito é mais comum de acontecer, principalmente quando existe a busca por controlar a variação de preços crescentes.

No entanto, se essa ocorrência não for controlada, também existem consequências para o mercado, com risco de recessão econômica. Com a tendência de menor consumo, por conta da redução da demanda, as empresas diminuem sua produção e seus preços.

Dessa forma, a economia para de se movimentar de maneira saudável, comprometendo os demais setores. A deflação pontual não é alarmante para o mercado, sendo, inclusive, uma situação positiva, se a inflação estiver muito alta. Contudo, é importante se atentar para a permanência das quedas nos preços por um grande período, superior a 12 meses.

Conclusão

Embora seja um conceito presente no cotidiano dos consumidores brasileiros, muitas pessoas não sabem o que é inflação, e, com isso, podem não ter um controle efetivo sobre seus gastos. Afinal, essa taxa influencia diretamente no poder de compra da população, além do aumento dos valores e do crescente gasto em necessidades básicas.

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Na prática, é possível identificar quando os preços estão mais elevados, e entender o melhor momento de mudar a estratégia de controle para continuar atingindo seus objetivos financeiros.

Além disso, acompanhar a inflação periodicamente permite um preparo mais sólido quanto às movimentações econômicas. Ter esse conhecimento é essencial para que o consumidor entenda a posição do mercado e qual o cenário atual no país, podendo se preparar para as variações e ocorrências futuras.

Assim, vale a pena entender melhor esse assunto, como essa taxa é calculada e qual a influência que ela exerce sobre os demais setores financeiros. Dessa forma, você, como consumidor, poderá ter um controle mais apropriado das suas finanças, se adequando ao cenário para não sentir, de maneira tão impactante, os resultados da inflação.

Ademais, gostou do nosso artigo? Conta pra gente nos comentários se ficou com alguma dúvida, será nosso prazer responder!

Perguntas Frequentes

  1. O que é a inflação?

    Inflação é o aumento dos preços, calculado pelo IBGE por meio de índices que avaliam a média dos preços de produtos e serviços em todo o Brasil.

  2. O que aumenta a inflação?

    A inflação é influenciada, principalmente, pela pressão da demanda, aumento nos preços de produção, pela inércia inflacionária e pela expectativa dos preços, que levam a uma alta automática dos valores.

  3. Como se controla a inflação?

    Embora não existam mecanismos de controle total sobre a inflação, é possível utilizar medidas para influenciá-la, como aumentar a taxa Selic e os impostos.

  4. Qual o motivo da inflação no Brasil?

    O principal motivo da inflação no Brasil é o setor alimentício, que possui impacto significativo nos gastos do consumidor brasileiro. Isso ocorre por conta do aumento da demanda global por produtos de base, que promove uma falta de matérias-primas na indústria nacional.

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  1. IBGE. “Inflação”. Link.
  2. FGV. “IGP-M: Resultados 2022”. Link.
  3. FIPE. “IPC: Índice de Preço ao Consumidor”. Link.
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