E se o Brasil tivesse outra bolsa de valores?

A B3 é a única bolsa do Brasil. O que aconteceria se tivéssemos outra bolsa de valores?

Tiago Reis Suno
Tiago Reis

Quem é investidor e acompanha o mercado financeiro, sabe que, ao contrário do Brasil, alguns países possuem mais de uma bolsa de valores. É o caso dos Estados Unidos e China, por exemplo. 

Por aqui, a bolsa de valores brasileira, hoje chamada de B3, irá completar 132 anos de história em 2022 e é a única bolsa que opera no país. Mas, nem sempre foi assim. No passado, o Brasil possuía diferentes bolsas em diversos estados: a bolsa do Rio de Janeiro, da Bahia, de Santos, com a antiga bolsa oficial do café. No total, ao longo da história, chegaram a existir 27 bolsas estaduais por aqui.

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A B3, originalmente, foi fundada em 1890, mas foi fechada um ano depois por conta das políticas econômicas adotadas na época. Em 1895, ela foi reaberta com o nome de Bolsa de Fundos Públicos de São Paulo e, em 1935, passou por reformulações e foi rebatizada como Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

Em 2007, a Bovespa realizou sua abertura de capital e no ano seguinte se fundiu à Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), passando a ser chamada de BM&F Bovespa. 

Dez anos depois, em março de 2017, realizou a fusão com a Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos (Cetip), uma sociedade civil brasileira sem fins lucrativos que disponibiliza sistemas eletrônicos de custódia, registro de operações e liquidação financeira no mercado de títulos públicos e privados. Assim, foi finalmente rebatizada para B3, sigla para Brasil, Bolsa e Balcão. A famosa e querida B3 que a gente conhece hoje

Teremos outra bolsa de valores no Brasil?

Agora, depois de tanta história, muito tem se discutido sobre a possibilidade de surgir uma nova bolsa de valores no Brasil. Principalmente depois que o JP Morgan mencionou, em um relatório, em junho de 2021, que a XP estaria trabalhando com esta possibilidade e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) autorizou a Mark2Market (M2M), plataforma de gestão de operações financeiras para empresas, a ter atuação de central depositária de títulos (recebíveis agrícolas, em um primeiro momento, mas, no futuro, a atuação poderá incluir também ações).

Mas e aí, como seria se isso acontecesse e o Brasil passasse a ter mais uma bolsa de valores em operação? E como ficaria a vida dos acionistas da B3SA3? 

Bom, sinceramente eu não acho que seja tão simples montar uma segunda bolsa de valores no Brasil, por uma série de motivos. Existe, sim, um risco de competição, mas acredito que este risco esteja sendo supervalorizado. 

O que acontece, na verdade, é que, antes de 2017, não tínhamos uma consolidação tão forte das corretoras e hoje existem várias delas espalhadas no país. E essas corretoras têm um poder de barganha muito forte. Eu acho que elas não vão entrar exatamente em uma disputa, mas vão, de certa forma, cada vez mais pressionar a B3 para que ela forneça o serviço dela em condições que garantam lucro melhor para as corretoras. E é isso. Somente isso!

Por este motivo, quem investe na B3SA3, como eu, não precisa se preocupar tanto com uma possível concorrência. Pressão por parte do cliente faz parte e é algo que não coloca em risco a existência de um negócio a longo prazo. A verdade é que, hoje, um dos maiores riscos da B3 é a migração das empresas listadas no Brasil para o exterior ou o IPO exclusivo fora do país. Isso deve ser estudado mais de perto. 

Portanto, fiquem tranquilos! O mercado sabe que, ao fragmentar os investimentos em duas bolsas, a tendência é diminuir o volume de negociação e as duas serem menos eficientes do que apenas uma. Este é, sem dúvida, um dos poucos casos onde o monopólio é positivo. Não vislumbro, tão cedo, uma nova bolsa de valores por aqui.

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