O mercado de investimentos em ações de Telecomunicações cresceu a partir da entrada de operadoras regionais na Bolsa de Valores brasileira em 2021, e continua em evolução devido às mudanças no setor, como a jornada de implementação do 5G no Brasil e a expansão da fibra óptica no país. Além das já estabelecidas VIVT, TIMS e OIBR, os ativos da Brisanet (BRIT), Desktop (DESK) e Unifique (FIQE) também compõem o grupo de provedores de internet com negociações na B3.
Melissa Nunes é a especialista em investimentos do iDinheiro e indica que o setor de Telecom é tido como um dos mais seguros da Bolsa e faz parte, inclusive, da lista “à prova de balas” de Luiz Barsi, o maior investidor pessoa física da B3. Neste contexto, Melissa aponta que, apesar de existir alguma diversidade de operadoras de internet listadas em Bolsa, o setor é melhor representado por VIVT e TIMS.
A especialista aponta que as ações de Vivo e TIM “são consideradas mais sólidas e seguras do que sua concorrência e acumulam retorno positivo desde seu IPO”. A sigla IPO corresponde a Initial Public Offering, ou Oferta Pública Inicial, e diz respeito à abertura de capital de uma empresa na bolsa. Os ativos são os mais recomendados para investidores conservadores.
Em relação à Oi, Melissa pontua que, “embora a OIBR seja muito negociada para especulação, sua situação de recuperação judicial não a torna interessante para investidores que buscam valorização de patrimônio”. A telefônica está no segundo processo de recuperação judicial em menos de dez anos e gera incertezas em negociações devido às variações de rentabilidade na B3.
A OIBR foi a única nacional a apresentar retorno negativo desde o IPO até o fim de julho de 2024, com rentabilidade de -99,54%. Em contraste, VIVT e TIMS obtiveram índices de 6.611,19% e 3.455,77%, respectivamente. Até o fechamento de julho, as ações estavam cotadas a R$ 48,51 (VIVT3), R$ 17,49 (TIMS3) e R$ 4,17 (OIBR3), sendo a Oi, novamente, a única companhia com retorno negativo (-55,64%).
Provedores regionais crescem na Bolsa, mas apresentam maior volatilidade
Melissa observa que BRIT, DESK e FIQE podem representar oportunidades de crescimento. No entanto, destaca que esses ativos “tendem a ser muito mais voláteis do que as empresas mais sólidas, aumentando o risco do investimento e nem sempre compensando o retorno”.
Investidores de crescimento, que estão em busca de valorização de empresas emergentes, podem aproveitar as ações das ISPs regionais. Porém, a rentabilidade histórica desses provedores de internet foi mais volátil se comparada a VIVT e TIMS nos últimos meses, o que é um ponto de atenção ao risco associado aos ativos.
As operadoras regionais apresentam retorno negativo desde o IPO, conforme dados de julho de 2024: BRIT3 (-69,75%), DESK3 (-28,13%) e FIQE3 (-50,64%). Até o fechamento do dia 31 de julho, os preços dos ativos eram R$ 4,08 (BRT3), R$ 16,29 (DESK3) e R$ 3,40 (FIQE3). A ação da Unifique foi a única dentre as regionais com retorno negativo: -14,36%.
VIVT e TIMS têm menor volatilidade dos últimos 12 meses e melhor relação de risco e retorno do setor
O risco assumido em investimentos na VIVT3 é de 21,42%, o menor entre as principais ações de Telecom na Bolsa, seguido da TIMS3 (23,29%). Esses ativos oferecem a melhor relação de risco-retorno do setor na B3. Apesar de apresentar a segunda maior volatilidade, BRIT3 apresenta um retorno elevado em comparação às outras ações em negociação.
Quanto aos dividendos nos últimos 12 meses, FIQE3 teve o maior rendimento percentual (7,12%), seguido por TIMS3 (6,78%) e VIVT3 (3,56%). O prazo para pagamento de dividendos da Desktop vai até 30 de dezembro, enquanto a Oi não tem previsão de pagamento.
Os investimentos constantes em aprimoramento de tecnologias como 5G e fibra óptica contribuem para a expectativa de crescimento acelerado e fortalecimento desses ativos na Bolsa. Em uma avaliação geral do nicho, Melissa comenta que “o setor de Telecom lida com desafios tecnológicos constantes, necessitando aprimoramentos e adaptações para se manter relevante”. A especialista reforça que rentabilidade passada não garante rentabilidade futura.
Gerente de produto do MelhorPlano.net, site especialista em Telecom, Alexandre Martins comenta que o desenvolvimento de redes neutras abriu um leque de oportunidades para investimentos em despesas de capital, o que pode ser uma virada de chave ainda maior para o crescimento das ISPs. “Do meu ponto de vista, a expansão de rede e infraestrutura tem um potencial maior do que a própria retenção de clientes do provedor. Isso torna estratégica a participação destes provedores em redes neutras, como a V.tal e a FiBrasil”, explica Martins.
Alexandre pontua ainda que, devido ao alto custo das mudanças estruturais, cabe ao provedor analisar cuidadosamente as possibilidades antes da tomada de decisão para evitar prejuízos. “O uso de dados, como informações de concorrência, performance de internet e satisfação de clientes em regiões que estão em expansão de rede, é o que vai ajudar o executivo a tomar as melhores decisões. Isso tende a impactar positivamente não somente o capital da empresa, mas também sua presença de mercado”, conclui Martins.
Sobre os especialistas
- Melissa Orlandin Nunes é supervisora de marketing no iDinheiro, analista CNPI-T e especialista em Investimentos pela ANBIMA (CEA). É também educadora de finanças por meio do perfil @melissanunescnpi no Instagram.
- Alexandre Martins é o gerente de produto do MelhorPlano.net, site parceiro do iDinheiro. Tem experiência de mais de 5 anos com mercado de Telecom, além de estratégia empresarial e desenvolvimento de software.
Ambos os especialistas estão disponíveis para fornecer comentários adicionais para a imprensa. O contato deve ser feito por meio de jornalismo@idinheiro.com.br.
Sobre o iDinheiro
O iDinheiro é uma startup brasileira criada em 2020, que tem como objetivo auxiliar o público no processo de contratação de serviços financeiros como bancos, contas digitais, cartões de crédito, empréstimos, financiamentos e corretoras de investimentos. Além da produção de conteúdo escrito, a plataforma oferece a tecnologia de calculadoras, recomendadores e simuladores. Atualmente, o site conta com mais de 5 milhões de acessos mensais.