Vale a pena investir em estatais? Entenda panorama dos últimos dias no mercado

As últimas semanas foram de reviravoltas em empresas como Petrobras e Eletrobras. Quem decide investir em estatais deve estar ciente do risco devido a influências do governo.

Heloisa Vasconcelos
Heloísa Vasconcelos

Quem costuma investir em estatais teve que ter sangue frio nas últimas semanas. O cenário da alta dos combustíveis teve desdobramentos que afetaram o valor de mercado da Petrobras, Eletrobras e Banco do Brasil.

As ações da Petrobras despencaram 20,84% no último dia 22, logo após o presidente Jair Bolsonaro anunciar a mudança do presidente da estatal no dia 19. E, até agora, os papéis ainda não chegaram ao valor anterior à queda.

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O baque na petroleira afetou também outras estatais na Bolsa. O Banco do Brasil caiu 11,65% no mesmo dia e a Eletrobras desceu 0,69%, ainda que tenha se recuperado posteriormente.

No dia seguinte, o presidente Jair Bolsonaro entregou ao Congresso uma medida provisória para a privatização da Eletrobras. A notícia foi bem recebida pelo mercado, fazendo as ações da empresa de energia subirem 5% no dia 24.

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Apesar do indicador positivo quanto à Eletrobras, o atual cenário das estatais preocupa alguns investidores. Afinal, vale a pena investir? Quais os riscos?

Histórico das estatais na bolsa

As estatais são empresas cujo sócio majoritário é o próprio governo. E, por isso, nem sempre as decisões são tomadas tendo o lucro como principal parâmetro. Isso, muitas vezes, frustra as expectativas do mercado.

O fator político que pode guiar o rumo das empresas estatais é algo que gera um risco adicional para quem quer investir nesse tipo de ação. Essa não é a primeira nem a última vez que empresas estatais têm alteração de valor de mercado devido a decisões do governo brasileiro.

“Nunca vai acabar o risco de ter intervenção, sempre tem intervenções. O governo vai tentar sempre intervir a favor dele ou de parte da população que está reivindicando algo”, afirma o sócio da Messem Investimentos Thiago Montemezzo.

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E é devido a esse risco adicional que o preço das ações de estatais é normalmente menor que de outras empresas em que o investidor pode ter maior certeza de lucro. É uma espécie de desconto para os investidores.

Apesar de o risco ser uma constante, a intervenção na Petrobras não era algo previsto pelo mercado.

“A linguagem e a sinalização do governo era exatamente inversa, o sinal era de que a governança das estatais seria maior. E aí veio essa notícia da intervenção de Bolsonaro”, conta o economista e sócio da BRA Investimentos, João Beck.

Para o analista research da Ativa Investimentos Ilan Arbetman, este é um momento em que o conflito de interesses entre mercado e governo está acima do usual.

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“Especialmente em momentos como esse é importante ter uma dose de cautela maior. Nas três companhias [Petrobras, Eletrobras e Banco do Brasil] há a possibilidade de impactar na capacidade de receitas para a frente”, considera.

Vale a pena investir em estatais?

No momento, o mercado está em estado de cautela, observando se podem ocorrer novas intervenções do governo nas estatais. 

Ilan pontua que o investidor deve olhar um panorama geral da empresa e não apenas o fato isolado da instabilidade nas últimas semanas, sempre pensando no longo prazo.

“Quanto maior o leque de informações que estiverem na mão do investidor, com mais conforto e calma ele vai conseguir fazer o seu investimento. Se sabe que risco tem e sempre vai existir. Mas quando se faz uma leitura maior, mais ampla dos dados que estão disponíveis, fica mais fácil conseguir ser mais assertivo”, recomenda.

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João destaca que, para quem acredita que não ocorrerão de fato intervenções maiores do governo nas estatais, essa é uma boa oportunidade para comprar ações baratas que podem ter valorização.

“Fazer cenário político é quase impossível, até para profissionais bem informados é muito difícil, para pessoas leigas mais ainda. Se a pessoa acredita que não vai ter nenhum impacto técnico, ela tem três boas empresas muito baratas”, explica. 

Questão dos dividendos

Um aspecto que leva muitos investidores a investir em estatais é o pagamento de dividendos. Isso porque quem investe pensando no longo prazo pode conseguir bons dividendos com ações da Petrobras, Banco do Brasil e Eletrobras.

Mas, para João, essa não é uma boa estratégia.

“Todo mundo acha que o dividendo é um bônus, mas está sendo subtraído do preço da ação, você está tirando de um bolso para outro. As empresas que pagam bons dividendos são as que não têm um potencial de crescimento tão grande. O ideal é investir em empresas que estão investindo cada vez mais em crescer, elas pagam mais em rentabilidade das ações”, recomenda.

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Conforme Thiago, quem quer receber dividendos pode encontrar no mercado outras empresas sólidas que têm menor risco envolvido. 

Dessa forma, ele indica papéis do setor elétrico, de saneamento e bancário. “São setores que tendem a se manter mais estáveis diante de incertezas”, ressalta.

Por fim, Ilan também destaca ações de empresas de setores como aço, siderurgia, celulose e exportação de proteína como opções mais seguras e com potencial de crescimento.

“Mesmo diante desse risco maior na bolsa, a mensagem é clara: não faltam oportunidades”, garante.

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