Crise hídrica no Brasil: veja como afetou o preço dos alimentos e o que esperar dos próximos meses

Você já parou pra pensar em como a escassez de chuvas afetou além de sua conta de luz, também suas compras no mercado?

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Heloisa Moraes

A crise hídrica no Brasil em 2021 é uma das piores enfrentadas pelo país nos últimos 91 anos. No último domingo (19), o secretário de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia, Christiano Vieira, apontou como uma das principais causas o atraso e encurtamento da chamada “estação úmida” em 2020.

Em um país onde aproximadamente 64% da matriz energética advém das usinas hidrelétricas, é inevitável que tal crise nesse setor se prolongue a outras esferas da economia nacional.

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Pensando nisso, o iDinheiro conversou com especialistas que te ajudarão a entender os desdobramentos na economia causados por essa crise no Brasil e como o consumidor deverá se portar diante de tal situação para evitar maiores prejuízos.

Escassez nas hidrelétricas: entendendo a origem da crise

Segundo o gerente de preços e estudos de mercado da Thymos Energia Gustavo Carvalho, os padrões de chuva no Brasil mudaram de maneira significativa na última década. As hidrelétricas já não conseguem recuperar níveis elevados de reservatório, que desde 2011 não chegam a 80% de armazenamento.

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Por outro lado, apesar dessa escassez de chuva, o país ainda possui grande parte de sua matriz de energia com fonte hídrica. Por fim, quando é necessário recorrer a outras fontes de energia mais caras, uma cadeia de custos é gerada, que aumenta até chegar no consumidor final.

Além da escassez de chuvas, o consumo de energia se intensificou com o maior uso dos eletrônicos. Em contrapartida, desde 2001, o país adotou medidas de economia mais eficientes como a troca de lâmpadas e similares que aliviaram os efeitos da crise por um tempo.

Crise hídrica e alimentação: entendendo o aumento no preço dos alimentos

De acordo com o economista e pesquisador de finanças comportamentais Érico Veras Marques, a crise hídrica possui dois componentes: agricultura e energia elétrica.

“No primeiro, nos referimos ao impacto trazido pela falta de chuva na agricultura. Em especial na produção de soja e milho, que gerou safras menores e consequente aumento dos preços de tais grãos. Por fim, também é importante destacar o impacto da crise na geração de energia”, aponta.

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Ou seja, quando as hidrelétricas estão com falta de água para geração de energia, as usinas termelétricas, que produzem através da queima de combustíveis fósseis, são ativadas para suprir a demanda da população. Contudo, as termelétricas concebem um tipo de energia mais cara, o que influi sobre o aumento da conta de luz e também o aumento do custo para produção de determinados alimentos. 

Um dos exemplos de destaque é o aumento do preço do frango, que segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA), já acumula uma alta de 25,94% nos últimos 12 meses. Isso porque para manutenção das granjas, é usada energia elétrica 24 horas por dia. Com isso, podemos concluir que se aumenta o custo de produção, também aumenta o custo final para o consumidor.

Cuidados que o consumidor deverá ter para enfrentar a crise

Após entender os impactos da crise hídrica sobre a produção de energia e alimentos, também é necessário ficar atento a como isso irá afetar o consumidor final. O primeiro alerta é para a conta de luz, que irá subir por conta da utilização das termelétricas. Segundo Érico, uma boa organização de todo e qualquer equipamento que consuma energia elétrica significativamente, merece atenção.


Leia também: Conta de luz mais cara: com a tarifa vermelha e incentivos para economizar, o que esperar para os próximos meses?

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Confira algumas medidas que podem ajudar na economia de energia:

  • apague as lâmpadas que não estiverem em uso;
  • aproveite a luz natural ao máximo;
  • lave o máximo de roupas possível de uma só vez na máquina de lavar;
  • o chuveiro elétrico e o ferro de passar devem ser usados de maneira consciente;
  • se possível, opte pelos sistemas solares para o aquecimento da água;
  • no caso de freezer e geladeiras, é importante checar a vedação dos aparelhos para evitar o desperdício de energia.

Além disso, já se sabe como a crise irá afetar o preço de determinados alimentos. Para isso, faça pesquisas para buscar os lugares mais baratos para realizar a compra, assim como substituições nas refeições que ainda preservem uma alimentação adequada.

Sabemos que os preços deverão variar de acordo com as marcas. Isso porque algumas empresas que possuem perfil exportador conseguirão segurar um valor mais “em conta”, ao contrário das que dependem apenas do mercado interno.

O cenário poderá permanecer o mesmo até o final de 2022

Nos próximos meses ainda continuaremos vivenciando o aumento dos preços, já que teremos uma inflação alta que envolve custo e também demanda. Por isso, o governo continuará aumentando as taxas de juros.

Em contrapartida, pelo aumento das reservas das hidrelétricas graças ao período sazonalmente mais chuvoso que está por vir no começo de 2022, espera-se que haja um aumento do desempenho desse tipo de energia mais barata, aliviando os preços nos meses seguintes. Entretanto, existem outras variáveis que podem prejudicar essa possível melhora.

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“Teremos outras variáveis, como as eleições gerais de 2022” comenta o economista ouvido pela redação. “Então será necessário aguardar para ver como ficará todo esse ambiente sanitário, econômico e também da natureza no que se refere a crise energética.”.

Diversificar as fontes de energia pode ser solução

Existem práticas adotadas pelas hidrelétricas em conjunto com a população que poderão aliviar os efeitos da crise, sendo a mais básica delas: economia de energia e água. Atualizar os equipamentos de distribuição de energia também é essencial para melhoria da produtividade e possível aumento das reservas nos laboratórios, de acordo com os especialistas.

Pensando nisso, o governo federal criou a Câmara de Regras Excepcionais para Gestão Hidroenergética (CREG) com as seguintes medidas:

  • dotação especial da capacidade de transmissão (evitar excesso e falta de energia em lugares específicos);
  • limite de vazão excepcionais (evitar deplecionamento dos rios);
  • redução voluntária de demanda;
  • leilão emergencial de energia;

Além disso, o mais importante para prevenir o país de passar por um crise como essa novamente é a diversificação das fontes de energia, com foco nas renováveis. “O planejamento do sistema é vital para evitar crises como a vivida atualmente” comentou Ana Carolina.

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