Alta do gás de cozinha em 2020 foi superior ao dobro da inflação

O gás de cozinha encerrou 2020 alta acumulada de 9,24%. Isso é mais que o dobro que a inflação registrada no período, que foi de 4,52%.

Rodrigo Salgado
Rodrigo Salgado

O gás de cozinha encerrou o ano de 2020 com alta acumulada de 9,24%, de acordo com dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última terça-feira, 12.

O aumento do gás de cozinha é mais que o dobro da inflação registrada no mesmo período, que foi de 4,52% no acumulado do ano de 2020, ainda segundo o IPCA. O gás de cozinha vem na esteira da alta dos alimentos e dos combustíveis.

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O produto, consumido principalmente pelas famílias de menor renda, teve alta também superior na comparação com as outras modalidades de gás. O gás encanado, comumente utilizado pelas classes média e alta, teve baixa de 1,29% em 2020, enquanto o veicular fechou com alta de 1,66%.

O preço médio do botijão neste mês de janeiro no Brasil está em R$ 75,04, conseguindo ser encontrado entre R$ 59,99 e R$ 105, de acordo com levantamento semanal da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Em março, no começo da pandemia da Covid-19, a média era R$ 69.

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Reajustes do gás de cozinha

Desde 2019 está em vigor a nova política de preços do gás de cozinha, que prevê eventuais reajustes, sem periodicidade definida. Dessa forma, fica atrelado ao dólar e à cotação internacional do petróleo.

Em 2017, o reajuste do botijão ocorria mensalmente; em seguida, passou a ser revisado a cada três meses. Essa política vigorou até o fim de 2018.

Embora o controle ocorra nas refinarias, o preço do gás de cozinha acaba sendo liberado no varejo. Nos últimos 40 dias a Petrobras determinou dois aumentos no gás liquefeito de petróleo (GLP), material base para o gás de cozinha: de 5% no início de dezembro e de 6% no último dia 6 de janeiro.

Queda da demanda

Como resultado da alta nos preços, o consumo do botijão de gás vem caindo no Brasil. De acordo com relatórios do Ministério de Minas e Energia (MME), a procura pelo botijão de 13kg caiu 20% na última semana de dezembro de 2020 em relação ao mesmo período de 2019.

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Já a demanda pelo botijão de mais de 13kg, utilizado na indústria, no comércio e em condomínios, sofreu recuo na casa dos 32,5%. Desde o início da pandemia, o MME vem divulgando semanalmente relatórios de consumo de energia e de combustíveis no país.

Para o professor de economia da Fundação Getúlio Vargas, Mauro Rochlin, a queda na demanda pelo gás de cozinha ainda não é suficiente para que os preços caiam. Na visão dele, diferente de outros produtos, o consumidor não tem muito poder sobre o GLP.

“O preço do gás de cozinha é determinado por variantes externas, como o dólar e a cotação do petróleo. O petróleo recuperou-se no fim do ano passado depois de experimentar uma queda considerável de preço no início da pandemia. O dólar está atrelado a fatores internacionais e a expectativas sobre a economia brasileira”, esclareceu em entrevista à Agência Brasil.

Além disso, a dificuldade em trocar o GLP por outro produto é mais um impasse para que os preços caiam. Nesse sentido, para driblarem a alta do botijão, as famílias de baixa renda estão recorrendo ao carvão vegetal ou à lenha. Por outro lado, as famílias de classe média substituem por fornos e fogões elétricos, micro-ondas ou até optar pela energia solar.

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“O gás de cozinha é um produto com baixa elasticidade de demanda. Trata-se de um bem essencial, que não pode ser substituído facilmente”, completa Rochlin.

Medidas governamentais

Como medida para frear a alta do gás de cozinha, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) defendeu a realização de estudos com o intuito de ampliar o número de engarrafadoras (empresas especializadas em encher botijões vazios).

“No Brasil existem poucas engarrafadoras. O botijão anda centenas de quilômetros para ser enchido e, depois, mais uma centena até o consumidor. Com dezenas de centrais nos estados e mais empresas, essa verdadeira viagem do botijão deixaria de existir, teríamos mais competição e o preço cairia”, postou o chefe do Executivo em uma rede social.

Já o Ministério da Economia enxerga que liberalizar o mercado de gás natural pode abaixar os preços para o consumidor final. Nesse sentido, defende a aprovação do novo marco regulatório do gás, atualmente parado na Câmara, e a privatização de refinarias da Petrobras.

Durante a campanha presidencial de 2018, o preço do gás de cozinha foi ponto de disputas entre os então candidatos. Na ocasião, Bolsonaro prometeu o botijão a R$ 30.

Com informações da Agência Brasil.

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