Pela primeira vez, compra da casa própria não é o principal destino das finanças do brasileiro

Pesquisa da ANBIMA aponta que, pela primeira vez, a compra da casa própria não é o principal destino dos investimentos do brasileiro nas classes A, B e C. Reserva de emergência se tornou prioridade.

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Ana Júlia Ramos

Pela primeira vez, a compra da casa própria não é o principal destino para o dinheiro economizado pelas pessoas das classes A, B e C. É o que aponta a pesquisa realizada pela ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) em parceria com o Datafolha

Houve um empate entre o “sonho da casa própria” e a intenção de formar uma reserva de emergência. Foram ouvidas 3,4 mil pessoas da população economicamente ativa das classes A, B e C em todas as regiões do país.

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Desde o início do levantamento, o destino das aplicações financeiras do brasileiro era, com folga, a aquisição de um imóvel próprio. A educadora financeira da Ativa Investimentos, Bia Moraes, acredita que a pandemia teve total influência nesse cenário.

“Infelizmente, o brasileiro precisou passar por esse momento atípico para entender que não sabemos do dia de amanhã. É importante ter em mente que a reserva pode ajudar em momentos como a perda de emprego ou renda, seja ela por qualquer motivo”, aponta. 

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O iDinheiro ouviu especialistas em educação financeira e economia para entender os desdobramentos da pesquisa. 

Compra da casa própria em segundo plano e reserva de emergência como prioridade? Entenda a pesquisa da ANBIMA

De acordo com informações da ANBIMA, a queda foi liderada pela classe C. 26,7% das pessoas ouvidas apontaram o sonho da casa própria em 2020 como principal destino dos seus investimentos. Um ano antes, o percentual era de 38,6%.

Na classe B, o valor passou de 30% em 2019 para 26,2% em 2021. Já na classe A, a queda foi menor, mas existiu: de 25,5% para 23,1%.

Ao mesmo tempo, a intenção de formar uma reserva de emergência cresceu na preferência de todas as classes sociais: subiu 11,8 pontos entre os entrevistados da classe A, 11,1 pontos na classe C e 7,8 pontos na classe B.

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“A pandemia trouxe essa conscientização sobre a necessidade de ter algum dinheiro guardado para emergência. Ainda é cedo para saber se as pessoas vão, de fato, transformar essa intenção em atitude no futuro, mas é positivo perceber maior propensão ao planejamento“, diz Marcelo Billi, superintendente de Comunicação, Certificação e Educação de Investidores da ANBIMA. 

O economista Alessandro Azzoni aponta que a pandemia colocou em risco o poder aquisitivo das famílias de forma muito forte. Essa perda substancial de renda levantou a necessidade de formar reservas de emergência para o futuro. 

“Estamos falando de pessoas que viviam com o medo de perder por completo o seu poder aquisitivo, sua qualidade de vida. A construção dessa reserva de emergência existe, pelo menos, para manter a estrutura básica da família, conseguir garantir as despesas fixas por um tempo”, aponta. 

O especialista acredita que o movimento de recuperação do mercado brasileiro, mesmo que já esteja acontecendo com a vacinação e medidas de flexibilização, não será tão rápido.

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“Assumir um endividamento de longo prazo passa a se tornar uma segunda opção, não é mais prioridade”, conclui.

É possível viabilizar o sonho da casa própria sem comprometer as finanças

Bia Moraes aponta que é possível, sim, realizar o sonho da casa própria sem que a reserva de emergência fique abandonada. 

“A reserva de emergência deve vir em primeiro lugar. Somente depois seria o momento de juntar uma quantia para a aquisição de um imóvel. É totalmente possível fazer os dois ao mesmo tempo, separando uma parcela dos rendimentos para cada objetivo, mas tenha em mente que será necessário muita organização e planejamento”, diz.

Uma outra maneira de viabilizar esse sonho mais rapidamente e sem comprometer as finanças seria com investimentos como a renda fixa, fundos imobiliários e o próprio mercado de ações.

“Essa é uma forma de multiplicar o patrimônio para fazer a compra pensando na realização de um sonho, lembrando que comprar um imóvel próprio não é um investimento”, conclui.

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