Como avaliamos as maquininhas de cartão

Nesta página, explicamos como calculamos a nota de cada maquininha de cartão. Nosso objetivo é simples: você deve conseguir entender por que uma maquininha recebeu determinada nota e, se quiser, refazer o cálculo por conta própria.

Escrito por Lucas Proença

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Avaliamos cada maquininha com uma nota final que vai de 0 a 5 pontos e considera três pilares:

  • Taxas e custos
  • Cobertura
  • Operação

Cada pilar tem uma importância diferente na nota final. Taxas e custos são o fator mais importante, seguidos por Cobertura e, depois, Operação.

A seguir, explicamos como cada um deles funciona.

Quantas maquininhas avaliamos

Avaliamos mais de 70 modelos de maquininhas, das 14 credenciadoras e instituições financeiras abaixo: 

  • AQpago
  • Believe Pay
  • C6 Bank
  • Cielo
  • Getnet
  • InfinitePay
  • IOpay
  • Mercado Pago
  • Modopag
  • PagBank
  • Stone
  • Sumup
  • Ton
  • Yelly.

Analisamos vários modelos de cada empresa. Isso é importante porque uma mesma marca pode oferecer maquininhas com preços, taxas e recursos diferentes.

Não avaliamos modelos que oferecem taxas personalizadas, porque não temos acesso às condições individuais de cada cliente e, portanto, não conseguimos fazer uma comparação justa.

Por que separamos as maquininhas por perfil de faturamento

Uma regra importante da nossa metodologia é que nunca comparamos maquininhas de perfis de faturamento diferentes.

Isso acontece porque as condições oferecidas pelas credenciadoras podem mudar de acordo com o faturamento do negócio. Uma comparação entre uma maquininha voltada para quem fatura pouco e outra voltada para empresas maiores poderia favorecer ou prejudicar uma delas de forma artificial.

Por isso, dividimos as maquininhas em três grupos:

  • Pessoa física: até R$ 3.000 por mês.
  • MEI: de R$ 3.000 a R$ 6.750 por mês. Esse limite corresponde ao teto anual de R$ 81.000 do MEI.
  • Empresarial (CNPJ): acima de R$ 6.750 por mês. Para esse grupo, usamos R$ 80.000 por mês como referência de topo, pois é nesse nível que as empresas costumam ter acesso às menores taxas do mercado.

Assim, cada maquininha é comparada apenas com outras que atendem ao mesmo perfil de faturamento.

1. Taxas e custos

Este é o pilar mais importante da avaliação.

A pergunta que ele responde é: quanto do dinheiro da sua venda realmente sobra para você?

Damos a esse pilar o maior peso na nota porque as taxas são um dos principais critérios usados pelos lojistas para escolher uma maquininha. Segundo a Mobile Transaction Brasil (2022), 60% dos donos de negócio apontam a taxa como principal critério de escolha. Já a Fiserv Insights (2023) mostra que 55% consideram a busca pela “melhor taxa” o principal motivo de fidelidade a uma marca.

A nota não vem da taxa, vem do valor que sobra para você

Um ponto importante da nossa metodologia é que a nota não é dada diretamente para a taxa cobrada.

Em vez disso, calculamos quanto do faturamento sobra depois de descontar a taxa da transação e o custo fixo da maquininha (aluguel ou parcela da compra). Chamamos esse indicador de Porcentagem de Recebimento.

A fórmula é:

Porcentagem de Recebimento = (Faturamento × (1 − Taxa)) − Custo mensal / Faturamento

O custo mensal pode ser o aluguel da maquininha ou o preço de aquisição dividido por 12 quando o equipamento é comprado.

Na prática, fazemos o seguinte: partimos do faturamento, descontamos a taxa cobrada em cada tipo de venda e, em seguida, consideramos o custo mensal da maquininha.

Exemplo

Imagine uma maquininha com:

  • taxa de crédito de 2,8%;
  • custo mensal de R$ 70;
  • faturamento de R$ 6.750.

O cálculo será: 

Porcentagem de Recebimento = (6750 × (1 − 0,028)) − 70 / 6750 = 0,961

Isso significa que 96,1% do faturamento chega até você, ou aproximadamente R$ 6.491.

Quanto maiores forem as taxas e os custos da maquininha, menor será o valor que sobra para o negócio.

O que pesa mais dentro deste pilar

Nem todos os tipos de venda têm a mesma importância.

A ordem de influência na nota é:

  1. Crédito à vista
  2. Débito
  3. Crédito parcelado em 2x
  4. Pix
  5. Crédito parcelado em 12x

O custo mensal não é tratado como uma variável separada na nota. Ele entra no cálculo de todas as modalidades de venda.

Por que essa ordem?

Crédito à vista

É o tipo de pagamento com maior importância. Segundo a Fiserv Insights (2023), 98% dos estabelecimentos que oferecem essa modalidade a aceitam, e ela representa, em média, 42% do faturamento desses negócios. Além disso, 27% dos lojistas apontam essa como a taxa mais importante (Mobile Transaction Brasil, 2022).

Débito

O débito também tem grande influência porque é muito usado. Ele é aceito por 96% dos pequenos negócios e representa, em média, 31% do faturamento de quem oferece essa opção (Fiserv Insights, 2023).

Embora apenas 10% dos lojistas apontem o débito como a taxa mais importante (Mobile Transaction Brasil, 2022), sua frequência de uso justifica sua alta importância na avaliação.

Crédito parcelado

Consideramos dois pontos de referência: 2 parcelas, para representar o parcelamento curto, e 12 parcelas, para representar o parcelamento longo mais usado.

O parcelamento em poucas vezes tem mais influência na nota do que o parcelamento em 12 vezes, porque é mais comum no dia a dia. As duas modalidades, juntas, representam 19% dos lojistas que consideram o parcelamento a taxa mais importante (Mobile Transaction Brasil, 2022).

Pix

O Pix também é considerado, mas tem menos influência do que as modalidades de crédito e débito.

Isso acontece porque 51% das pequenas empresas já aceitam Pix diretamente na maquininha, e essa modalidade representa 20% das vendas desses negócios (Fiserv Insights, 2023). Ao mesmo tempo, a maioria das maquininhas oferece taxa de 0% para Pix, reduzindo a diferença entre os modelos.

A nota de Taxas e Custos é calculada combinando todas essas variáveis de acordo com sua importância relativa.

2. Cobertura

O pilar de Cobertura avalia quais formas de pagamento a maquininha aceita.

A pergunta é prática: o equipamento consegue aceitar os principais meios de pagamento dos seus clientes?

As bandeiras aceitas são um dos principais critérios usados na escolha de uma maquininha. Segundo a Mobile Transaction Brasil (2022), 15% dos lojistas apontam esse fator como o mais importante.

Isso também pode afetar diretamente as vendas. Segundo a Fiserv Insights (2026), 75% dos consumidores brasileiros já desistiram de uma compra porque o estabelecimento não aceitava a forma de pagamento que queriam usar.

Por isso, a Cobertura é o segundo pilar mais importante da avaliação.

O que pesa mais dentro deste pilar

Os fatores são considerados nesta ordem:

  1. Bandeiras aceitas
  2. Pix
  3. Pagamento por aproximação (NFC)

As bandeiras aceitas têm a maior influência. O Pix vem em seguida. O NFC, que permite pagamentos por aproximação, tem a menor influência entre os três.

Por que essa ordem?

Bandeiras

A pontuação funciona assim:

  • Nota 1: aceita apenas Mastercard e Visa;
  • Nota 2: aceita Mastercard, Visa e outras bandeiras;
  • Nota 3: aceita todas as bandeiras, Vale Alimentação e Vale Refeição.

Quanto mais bandeiras a maquininha aceita, maior a pontuação dela nessa variável.

Mastercard e Visa juntas atendem a 40% das exigências dos lojistas, enquanto uma cobertura mais ampla é indispensável para 26% dos comerciantes (Mobile Transaction Brasil, 2022).

Os vouchers também são relevantes em alguns segmentos. Embora sejam aceitos por apenas 9% das pequenas empresas, representam 12% da receita dos negócios de alimentação que trabalham com esse tipo de pagamento (Fiserv Insights, 2023).

Por isso, a aceitação de bandeiras é o fator de maior influência dentro da Cobertura.

Suporte a Pix

Aqui avaliamos se o cliente consegue pagar por Pix diretamente na tela da maquininha.

Esse recurso tem alta influência porque 51% das pequenas empresas já utilizam Pix diretamente no equipamento (Fiserv Insights, 2023). Além disso, 74% dos consumidores brasileiros afirmam confiar no Pix (Fiserv Insights, 2026).

Suporte a NFC

Avaliamos se a maquininha aceita pagamentos por aproximação, tanto com cartões quanto com carteiras digitais.

Também consideramos a evolução do Pix por aproximação, lançado em 2025 e já utilizado por 25% dos clientes de varejo segundo a Fiserv Insights (2026).

Entre os fatores de Cobertura, este é o que tem menor influência na nota.

Então, a nota de Cobertura é calculada combinando esses três fatores de acordo com sua importância relativa.

3. Operação

O pilar de Operação avalia como é usar a maquininha no dia a dia.

Entram aqui aspectos como o tempo para receber o dinheiro, duração da bateria e opções de conexão à internet.

Esses fatores podem influenciar diretamente a experiência do lojista. Segundo a Fiserv Insights (2023), entre os principais motivos de preferência por uma marca estão atendimento rápido do suporte, funcionamento sem problemas, rapidez na transação e boa duração da bateria.

O que pesa mais dentro deste pilar

Os fatores são considerados nesta ordem:

  1. Prazo de recebimento
  2. Recibo impresso
  3. Bateria, Chip, Wi-Fi e 4G

O prazo de recebimento é o fator de maior influência na Operação. O recibo impresso vem em seguida. Já bateria, chip, Wi-Fi e 4G têm influência menor e equivalente entre si.

Por que essa ordem?

Prazo de recebimento

Aqui avaliamos em quanto tempo o dinheiro cai na conta: D+0, D+1 e assim por diante.

Quanto menor o prazo, melhor a nota.

Este é o fator de maior influência porque 61% dos empreendedores antecipam recebíveis. Entre eles, 48% preferem receber em um dia útil e 23% no mesmo dia da venda (Fiserv Insights, 2023).

Suporte a recibo impresso

Avaliamos se a maquininha permite imprimir o comprovante da venda.

Esse recurso continua relevante: 43% dos lojistas procuram especificamente modelos com chip e recibo impresso (Mobile Transaction Brasil, 2022).

Duração da bateria

Medimos a duração da bateria em horas.

Quanto maior a autonomia, melhor a nota. Esse é um fator especialmente relevante para quem trabalha na rua ou realiza entregas. A bateria é citada como motivo de preferência por 9% dos empreendedores (Fiserv Insights, 2023).

Suporte a chip de celular

Avaliamos se a própria maquininha possui conexão por chip, sem depender do celular de um funcionário.

Cerca de 70% das pequenas empresas já utilizam maquininhas com esse tipo de conexão, enquanto apenas 1% depende de Bluetooth com um celular (Fiserv Insights, 2023).

Suporte a Wi-Fi

Verificamos se o equipamento consegue se conectar à internet por Wi-Fi.

Essa alternativa ajuda a manter a conexão estável. Cerca de 70% das maquininhas em uso no país já oferecem essa opção (Fiserv Insights, 2023).

Suporte a 4G

Avaliamos se a maquininha possui conexão 4G própria.

O recurso ajuda em dois problemas importantes para os lojistas: rapidez da transação e estabilidade do sinal. Esses fatores são citados, respectivamente, por 13% e 20% dos empreendedores como motivos de preferência (Fiserv Insights, 2023).

O 4G também é importante para transações via Pix e para o funcionamento de maquininhas mais modernas baseadas em Android.

A nota de Operação é calculada combinando esses seis fatores de acordo com sua importância relativa.

Como chegamos à nota final

Depois de calcular os três pilares, combinamos seus resultados para chegar à nota final da maquininha.

A ordem de importância é:

  1. Taxas e custos
  2. Cobertura
  3. Operação

O objetivo é avaliar o conjunto da experiência.

Uma maquininha pode ter taxas muito boas e, ainda assim, perder pontos por oferecer pouca cobertura ou uma operação menos completa. Da mesma forma, um equipamento com boa cobertura e bons recursos pode perder posições se deixar pouco dinheiro para o lojista.

A nota final busca justamente mostrar esse equilíbrio entre custo, cobertura e operação, porém, dando maior importância a nota de taxas e custos, pois é o que mais define a contratação das maquininhas.

Com que frequência atualizamos as taxas

As taxas e condições das maquininhas podem mudar com frequência. Por isso, nossa base é revisada mensalmente.

A cada ciclo de atualização, verificamos novamente as taxas, custos e condições de cada maquininha. Quando encontramos alguma mudança, atualizamos a base de dados que alimenta o cálculo das notas.

Como as maquininhas são comparadas entre si dentro do mesmo perfil de faturamento, uma mudança em uma única maquininha também pode alterar a nota das demais.

Isso acontece porque o cálculo utiliza o conjunto de resultados do grupo como referência. Quando um desses valores muda, o ponto de comparação também pode mudar.

Por isso, o algoritmo é recalibrado para o grupo, e não apenas para a maquininha que sofreu alteração.

Esse processo ajuda a manter as notas alinhadas às condições atuais do mercado, em vez de deixar a avaliação presa ao momento em que cada equipamento foi analisado pela primeira vez.

Fontes utilizadas

Nossa metodologia utiliza pesquisas de mercado sobre o comportamento de pequenos e médios lojistas brasileiros.

As principais fontes são:

Revisamos a metodologia periodicamente para acompanhar as mudanças no mercado de pagamentos e incorporar novos dados e estudos quando necessário.

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