O seguro de carro é um contrato firmado entre o proprietário do veículo e uma empresa seguradora em que a companhia prevê o pagamento de indenizações em caso de acidentes de trânsito, furtos, roubos ou mesmo pane. Em troca, o motorista faz um pagamento, também conhecido como prêmio. No Brasil, isso engloba cerca de 17 milhões de carros

Com um alto número de acidentes de trânsito e números impressionantes sobre furtos e roubos (mais de um milhão de carros são roubados por ano no Brasil), os seguros servem como uma garantia para o proprietário de que ele terá seu bem de volta se ele for levado ou que terá direito a um conserto em caso de um acidente de trânsito. Mesmo assim, os carros segurados ainda são minoria nas ruas do país.

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Neste artigo vamos explicar qual é o funcionamento de um seguro de carro e quais os tipos de cobertura que você deve ficar atento antes de emitir a sua apólice. 

Como funciona um seguro de carro?

O seguro de carro, assim como acontece com outros bens, como moto, imóvel ou até mesmo viagem, funciona como uma espécie de garantia ao proprietário. Ele paga uma mensalidade (ou um valor anual) para que tenha direito a ser indenizado caso aconteça algum problema com seu veículo. 

Toda relação entre segurado e seguradora gera uma apólice, que é, basicamente, um contrato em que são descritos, de forma detalhada, a cobertura a que o bem está assegurado. Caso aconteça algum evento que foge da cobertura contratada, a seguradora não é obrigada a ressarcir o proprietário. Por isso é que essa negociação entre as duas partes antes da emissão da apólice é a parte mais importante dessa relação. 

Quando algo acontece com o veículo, o proprietário comunica a empresa, que abre um “sinistro”, uma espécie de ocorrência sobre o fato. No caso de um acidente de trânsito, o sinistro consta o que ocorreu e os dados dos envolvidos, tanto o segurado quanto o terceiro.

É com esse número que ambas as partes poderão solucionar o problema, como um conserto dos danos resultantes do acidente, por exemplo.   

Embora tratamos comumente como seguro de carro, existem diversos tipos de seguro que se encaixam no mais variado perfil de proprietários. Os custos também são diferentes conforme as características e condições acordadas. 

Tipos de cobertura para o seu perfil

Seguro contra roubo e furto

Quando um carro é roubado, o proprietário deve, em primeiro lugar, acionar a polícia e comunicar a seguradora sobre o fato. A indenização, nesse caso, só sai se o bem não for recuperado. Em geral, a apólice do seguro prevê um período (em geral de 30 dias após o fato) para que o veículo seja encontrado. Após esse prazo, ela deve indenizar o proprietário conforme valor de mercado. 

Cobertura de danos a terceiros

O seguro que engloba a possibilidade de cobertura de danos a terceiros garante que, caso o segurado seja responsável por um acidente, o outro envolvido também tenha direito a cobertura, seja ela médico-hospitalar ou de danos e avarias. Nesse caso, o terceiro deve entrar em contato com a seguradora e informar o número do sinistro para que possa ser atendido. Em geral, a empresa já indeniza o hospital (se for o caso) ou uma oficina conveniada pelo serviço prestado ao terceiro. 

Acidentes de passageiros

Esse tipo de seguro é ideal para motoristas de táxi, por exemplo, que costumam transportar passageiros o tempo todo. A cobertura, em geral, inclui o pagamento de uma indenização caso uma outra pessoa, que não o motorista, seja vítima em um acidente de trânsito. O seguro pode cobrir indenização por invalidez ou o custeio das despesas médicas. 

Seguro de acessórios

Esse tipo de serviço é vendido como uma espécie de adicional ao seguro de carro básico. Em geral, engloba itens como rádio, vidros e retrovisores, que podem ser furtados ou danificados em um acidente ou batida involuntária. Nesse caso, o segurado comunica a seguradora sobre o dano e é encaminhado para uma oficina parceira. 

Outros seguros de carro

Associação de Proteção Veicular

As APVs, Associações de Proteção Veicular são organizações que reúnem pessoas com o mesmo interesse: garantir proteção para seus veículos. Elas fogem da lógica de uma seguradora porque se caracterizam como organização sem fins lucrativos. Em linhas gerais, uma APV funciona como uma espécie de fundo em que os integrantes dividem entre si os custos mensais dos acidentes ocorridos entre seus associados. 

O objetivo da APV não é gerar lucro para uma pessoa ou grupo e, por isso, o custo mensal é proporcionalmente menor. Consequentemente, essa é uma opção válida para os motoristas que não querem ou não podem pagar a uma seguradora. Essa é a grande vantagem desse tipo de seguro.

No entanto, como as associações não são fiscalizadas ou gerenciadas por órgão algum (justamente por serem associações), há menos segurança de que você será totalmente ressarcido caso tenha algum acidente. Há relatos em sites como o Reclame Aqui, de associados que se sentiram lesados com um acidente não coberto por uma APV.  

DPVAT: o seguro obrigatório

DPVAT é uma sigla para Seguro Obrigatório para  Danos Pessoais causados por Veículos Automotores de Via Terrestre mas é popularmente chamado de seguro obrigatório. Isso porque, a cada ano, quando o proprietário de um carro vai renovar o licenciamento do veículo, ele deve pagar a taxa do DPVAT, ou junto ao próprio licenciamento anual, ou à primeira parcela do Imposto Sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) ou mesmo no próprio emplacamento de um carro novo. 

Este seguro é administrado pela seguradora Líder e cobre indenizações de acidentes de trânsito em todo o país. Se uma pessoa é atropelada por um carro, as despesas médicas ou mesmo uma indenização em caso de morte ou invalidez são cobertas pelo DPVAT.    

Preço: o principal entrave para o seguro de veículos

Apesar de uma certa tranquilidade garantida pelo seguro de veículos aos motoristas, boa parte da frota brasileira ainda é formada por carros que não estão segurados. A maior parte mesmo. Dados da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais (CNSEG) mostram que, de cada 10 carros circulando pelas ruas e estradas brasileiras, sete não estão 

cobertos por nenhum tipo de cobertura (exceto o seguro obrigatório). 

Isso significa que, em caso de um acidente provocado por esses veículos, o proprietário não terá nenhum ressarcimento para cobrir as despesas com oficinas mecânicas ou reboque em caso de danos materiais, por exemplo. Em muitos casos, é bem provável que os gastos que você terá para consertar seu veículo (e do terceiro, se for o caso) será bem maior que a anuidade paga à seguradora. 

Ainda de acordo com a CNSEG, a justificativa para o baixo número de veículos segurados é o preço. No entanto, nem sempre o valor que você pagará pelo seguro de carro será alto. É importante saber que existem tipos diferentes de seguros e que você deve verificar o que se assemelha melhor ao seu perfil. 

Exemplo: se você não costuma utilizar o carro no período noturno, não justifica a necessidade de manter uma assistência dia e noite, com serviços adicionais como cobertura de chaveiro ou mecânico em caso de necessidade. Se você não costuma compartilhar o carro com outras pessoas ou levar passageiros, não é tão necessário que você tenha acesso a um serviço de proteção ao passageiro. 

Retirar adicionais que não fazem tanto sentido e se aproximar do seu perfil de motorista é o diferencial para que você consiga o melhor custo-benefício para o seguro do seu carro.

6 fatores que impactam no valor do seguro 

Alguns outros fatores influenciam diretamente no valor que o segurado vai pagar como prêmio à seguradora. A análise feita pelos corretores de seguro envolvem uma série de perguntas para que eles entendam seu hábito como motorista. 

É muito importante que você responda às perguntas corretamente, sem omitir informações. Isso porque, em alguns casos, se ficar comprovado que o segurado mentiu para a empresa, a cobertura pode ser afetada e até mesmo negada. 

Abaixo listamos alguns deles.

1. Idade dos condutores

A idade dos condutor principal e dos demais condutores (cônjuge ou filhos) influenciam diretamente no valor cobrado pelo seguro. Jovens se envolvem mais em acidentes, por exemplo. Por isso, o preço do seguro aumenta bastante se há algum condutor com idade entre 18 e 25 anos. 

2. Garagem em casa e no trabalho

Outra pergunta que pode parecer estranha mas que influencia no preço do seguro é se ele conta com garagem em casa e no trabalho para poder guardar o carro. Isso porque, no estacionamento, o carro fica menos exposto a furtos e roubos, por exemplo, e, portanto, as chances de um sinistro por esse motivo é menor, na avaliação das seguradoras.

3. Taxa de roubos na região 


Uma das estatísticas levadas em conta é a taxa de roubos nos diferentes locais da cidade. As seguradoras possuem acesso aos dados sobre furtos e roubos e conseguem verificar quais as regiões são mais ou menos expostas a essas ocorrências. E isso pode impactar diretamente no preço caso você viva ou trabalhe próximo a essas áreas. 

4. Tipo de carro 

Outro fator que altera o valor do seguro é o tipo de carro do segurado. Carros mais caros e que demandam peças importadas para o conserto de avarias, carros muito antigos, cujas peças são difíceis de encontrar e até mesmo os que saíram de linha tendem a ter o preço mais elevado. Carros muito visados por ladrões também costumam contar com um adicional. 

5. Histórico do motorista

Quantos acidentes de carro você se envolveu no último ano? Quantas vezes precisou acionar a seguradora? Tudo isso consta do seu histórico como motorista e também impacta no valor cobrado pela empresa. Também pode entrar no cálculo se você é um bom pagador ou se costuma atrasar o pagamento das parcelas e até se opta pelo débito automático como meio de cobrança Fique atento!

Algumas seguradoras contam com uma espécie de bônus em que, quanto maior a nota do proprietário, menor é o valor que ele pagará.

6. Estado civil e gênero do condutor

Sim! Isso também faz diferença na avaliação da seguradora. Solteiros e divorciados pagam mais que os casados, por terem uma tendência a se envolver em mais acidentes. Quem costuma levar filhos no carro, para a escola, por exemplo, pagam menos que os demais, já que tendem a ter uma direção mais cuidadosa. Segundo as estatísticas, homens se envolvem em mais acidentes (e mais graves!) que as mulheres, o que faz com que o seguro para eles também seja mais caro 

Como contratar um seguro de carro

Basicamente você pode fazer a contratação de um seguro de duas formas: entrando em contato diretamente com a seguradora ou seu banco (se oferecer o serviço de proteção ao automóvel) ou com corretoras de seguro. 

Uma facilidade é que, hoje em dia, é possível fazer simulações online para se ter uma ideia de preços e conseguir comparar o custo-benefício de cada uma das empresas. Alguns comparadores online como o Meu Seguro Mais Barato e o Compara Online oferecem facilidades de apresentar esse comparativo entre orçamentos, mas é preciso confirmar essas informações dentre as que te interessarem mais.

Outra opção é buscar seu corretor de confiança, caso você tenha um. Em geral, os corretores têm contato direto com diversas seguradoras e conseguem oferecer uma opção que mais valha a pena, dando opiniões sobre a que possui melhor atendimento, melhores condições de pagamento e benefícios, por exemplo. Mas, de todo modo, é importante que você faça sua pesquisa própria. 

Peça indicações a amigos e familiares sobre os seguros de carro utilizados por ele. As indicações funcionam bem porque, como as pessoas já utilizaram os serviços, a chance de você ter um problema por desconhecer a empresa com a qual está lidando é menor.  

E, por fim, não deixe de negociar. Confira os detalhes da proposta da seguradora, peça para reduzir ou retirar algum tipo de assistência que não se enquadra no seu perfil até chegar em uma oferta que lhe agrade mais. 

Glossário: Entenda o vocabulário das seguradoras

Apólice: é o contrato firmado entre segurado e seguradora em que constam os detalhes sobre a cobertura, valor da franquia (veja abaixo) e outros. 

DPVAT: é o seguro obrigatório que cada proprietário de veículo paga no país. Ele financia despesas médicas e indenizações por morte ou invalidez decorrente de um acidente de trânsito.

Franquia: é um valor que o segurado deve arcar como uma espécie de coparticipação em caso de um acidente de trânsito que cause danos materiais em seu veículo. Se o valor da sua franquia é de R$ 1.500, esse será o custo máximo que você deve arcar com o conserto.

Prêmio do seguro: é o valor que você deve pagar à empresa seguradora pela proteção veicular. 

Sinistro: é qualquer ocorrência que esteja relacionada ao seguro, como um acidente ou mesmo furto do veículo. Quando o segurado aciona a empresa para comunicar sobre um evento qualquer, ela abre um sinistro, que é registrado por um número.

Terceiro: é o outro envolvido em algum sinistro. Em um acidente de trânsito, por exemplo, o terceiro é o motorista que estava no outro carro atingido na batida. 

Conclusão

Neste artigo, que funciona como um verdadeiro guia para a contratação de um seguro de carro, procuramos esclarecer os principais pontos que geram dúvidas nesse processo. Como mostramos, a grande maioria dos carros da frota brasileira circulam por aí sem seguro, o que pode ser bastante arriscado, em caso de um acidente de trânsito – ou pior, de um roubo, já que o carro pode simplesmente não ser encontrado e você perder o seu patrimônio de uma hora para outra, sem qualquer chance de ressarcimento. 

Também demos dicas de como deixar o seguro do carro mais próximo do seu perfil para que não caia no papo de um corretor que quer “empurrar” adicionais para que o prêmio do seguro fique mais caro. Preste atenção na sua necessidade do dia a dia para não pagar por um serviço que faz pouco sentido para você. 

Agora que você já sabe mais sobre seguro de carro, pode tomar sua decisão de forma mais segura. Não deixe de assinar a newsletter do iDinheiro para receber, toda semana direto na sua caixa de entrada um conteúdo especial sobre o que importa para o seu dinheiro.