Se você pensa em aderir ao financiamento de veículos para colocar um carro novo (ou usado) na sua garagem, saiba que não está sozinho. Em 2019, segundo dados da B3, nada menos que 6 milhões de veículos foram financiados no Brasil. Esse número representa um aumento de 11% em relação ao ano anterior. 

Dos 6 milhões de veículos financiados, 2,2 milhões eram novos e quase 4 milhões, usados. O levantamento inclui dados de motocicletas, carros e veículos pesados, como caminhões. 

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Se você está pensando em fazer um financiamento de veículo, não deixe de conferir esse guia, que traz todas as informações necessárias para você tirar suas dúvidas e decidir se é o melhor momento e como esse financiamento pode atender às suas expectativas.

O que é o financiamento de veículos?

O financiamento de veículos é, na prática, um empréstimo. Imagine que você queira comprar um carro novo, que custa R$ 69 mil, mas não tem todo esse dinheiro para adquiri-lo à vista ou não quer comprometer todo esse valor de uma só vez. 

A alternativa, portanto, seria tomar uma linha de crédito de algum banco ou instituição financeira para pagar o valor à concessionária e dividir os R$ 69 mil em prestações mensais. É claro que, como se trata de um empréstimo, uma taxa de juros vai incidir sobre o valor total do financiamento. Falaremos melhor sobre taxa de juros daqui a pouco.

Mas, tomada a decisão sobre o financiamento de veículos, há um caminho a se percorrer entre a intenção e conseguir, definitivamente, aquela linha de crédito. É o que vamos explicar na sequência. Mas, antes, é preciso entender que não existe uma única opção de financiamento de veículos.    

Tipos de financiamento

Linha de crédito 

Também conhecido como Crédito Direto ao Consumidor, ou CDC, esse é o tipo de financiamento mais comum e que se assemelha ao que explicamos no tópico anterior. Funciona como um empréstimo entre a instituição financeira e o comprador.

A grande vantagem é que você não precisa esperar muito para adquirir o carro. O pagamento é feito, aos poucos, em parcelas mensais que, podem, inclusive, ser renegociadas caso haja algum problema para que o comprador pague o valor acordado. 

A desvantagem é que, como se trata de um empréstimo, no fim das contas, você vai pagar um valor mais alto do que o que o carro custou de fato, já que existe uma taxa de juros que é paga, também de forma parcelada, embutida na prestação. 

Consórcio

O modelo de consórcio funciona a partir de uma administradora ou empresa especializada que forma um grupo que possui o mesmo objetivo: comprar um veículo. Dessa forma, cada participante paga um valor fixo por mês, em uma espécie de vaquinha. 

A cada mês um consorciado é sorteado e aquele dinheiro que ficou acumulado graças ao pagamento de toda a equipe é usado para pagar o veículo. Isso se repete a cada mês, até que você seja contemplado ou dê um lance vencedor.  

A desvantagem dessa modalidade é que, ao contrário da linha de crédito, você paga primeiro para depois colocar o carro na garagem. 

Leasing

Nessa modalidade, você também recebe um empréstimo do banco, mas ao contrário do modelo de linha de crédito, é a instituição financeira e não você quem se tornará proprietário do carro. Bom, pelo menos por um tempo. 

O veículo passa para o nome do proprietário depois que todas as parcelas forem pagas. Essa é uma forma de o banco garantir que não sairá no prejuízo, caso o comprador fique inadimplente. Nesse caso, o bem fica para o banco e o comprador perde o dinheiro investido ao longo do tempo. 

Passo a passo do financiamento de veículos no Brasil 

Passo 1: Escolha o veículo

Em primeiro lugar é preciso ter uma noção de que tipo de veículo você gostaria de adquirir. Isso porque os valores da mensalidade que será paga à instituição financeira depende diretamente do preço do bem. É em cima desse valor que o banco irá calcular a taxa de juros e definir o tamanho da parcela que estará no contrato. 

Passo 2: Decida sobre a instituição financeira

Diversos bancos oferecem possibilidades de financiamento de veículos, desde os bancos tradicionais, como Banco do Brasil, Caixa Econômica, Bradesco, Itaú e Santander, até fintechs e financeiras.

Uma vantagem é que todos eles disponibilizam, em seus sites, um conjunto de informações sobre suas políticas de financiamento. Use isso a seu favor. Analise as taxas de juros, possibilidades de pagamento e valor de entrada para te ajudar a tomar a melhor decisão. 

Uma alternativa boa é levar a oferta de um banco concorrente ao seu gerente, para negociar uma condição mais interessante para o seu caso.

Passo 3: Fique atento à análise de crédito

A análise de crédito é a parte mais importante desse processo. Não adianta nada você saber qual o veículo quer comprar ou o banco em que irá financiar o carro, a moto ou o caminhão, mas não se enquadrar nas exigências da própria instituição financeira. Como se trata de um empréstimo entre o banco e você, ela quer garantir que não haverá problemas no pagamento das mensalidades, certo?

Portanto, na hora de aprovar ou não o financiamento, a instituição vai avaliar alguns detalhes para decidir, basicamente, se sua realidade financeira é compatível com o tipo de crédito que está pleiteando. 

Dessa forma, o banco analisa a sua renda mensal, se seu nome está limpo perante as entidades de proteção ao crédito, como SPC e Serasa, a quantidade de empréstimos ou outros financiamentos em aberto, a capacidade de pagamento das parcelas, se você paga suas contas em dia, o ano, o modelo e o preço do carro, dentre outras garantias.   

Passo 4: Confira condições de entrada e cálculo das parcelas

Outro passo fundamental para o financiamento é a forma de pagamento. Em geral, todas as instituições exigem que você dê um valor de entrada e divida o restante em parcelas. Em algumas ocasiões, sobretudo em promoções é possível ver algum anúncio sobre entrada zero, mas fique atento para ver se não existe nenhuma “pegadinha”. 

De toda forma, quanto maior for a entrada que você der para a compra do carro, maiores são suas chances de ter o financiamento aprovado e, também, de ter parcelas mais suaves. Quem opta por um valor de entrada grande também paga menos juros.   

Passo 5: Separe os documentos necessários

Cada instituição financeira é responsável pelo seu próprio processo de concessão de crédito para financiamento de veículos, mas, via de regra, é importante que você tenha em mãos a seguinte documentação: 

  • RG
  • Cadastro de Pessoa Física (CPF)
  • Certidão de casamento
  • Comprovante de rendimentos (contracheque, holerite, etc;) 

Com esse passo a passo fica mais fácil entender o que é preciso para conseguir aprovação para um financiamento de veículos. 

Como calcular a parcela do seu financiamento? 

Cada parcela que será cobrada pelo banco ou pela instituição financeira que você escolher na hora de financiar um veículo consta não só do valor do carro em si, mas a taxa de juros (que é o que o banco vai cobrar pelo empréstimo que está fazendo a você) e outras cobranças. 

Para que o sonho de ter o carro próprio não se transforme em pesadelo, é preciso que você tenha muita clareza sobre a sua situação financeira e se você dá conta de assumir essa dívida. Lembre-se: o financiamento é algo que vai te acompanhar pelos próximos anos e, embora seja impossível prever o futuro, é preciso ter alguma estabilidade para que você consiga honrar esses pagamentos de alguma maneira. 

Essa clareza sobre a situação financeira passa pelo entendimento de que, um carro que custa R$ 69 mil em uma concessionária vai sair mais caro para você, no fim das contas. Afinal, é preciso pagar uma quantia ao banco para aquele empréstimo, certo?

A cobrança de juros costuma variar de banco para banco, mas é possível encontrar taxas que variam de 0,70% até 3% ao mês. Além de saber esse percentual, para calcular a taxa de financiamento de veículos, é preciso também qual o valor da entrada, o preço do carro e do tempo de financiamento. 

Exemplo: levando em consideração o exemplo do carro de R$ 69 mil, com entrada de R$ 20 mil, financiado em 60 meses (5 anos) com taxa fixada em 1% ao mês, por exemplo, teremos a seguinte situação: o valor da parcela será de R$ 816,66 (que é o resultado da divisão do valor do carro pelo tempo que você irá pagar) mais R$ 490 (que é o valor da taxa de juros mensal), o que dá R$ 1.306,66.

Esse é o valor da sua primeira parcela, no entanto, ela vai caindo ao longo do tempo já que, com o pagamento daquela parcela, o seu saldo devedor, isto é, o quanto você está devendo ao banco vai ser menor que no momento da contratação do empréstimo. 

Funciona assim: 

  • 1ª parcela: R$ 816,66 + (1,01*49.000,00) = R$ 1.306,66
  • 2ª parcela: R$ 816,66 + [1,01*(49.000 – 816,66)] = R$1.298,50


E assim sucessivamente.  

Ao final do período de empréstimo você terá pago R$ 65.398,68 pelo valor de R$ 49 mil contratado. Essa diferença de pouco mais de R$ 16 mil é o quanto você pagou de juros ao banco. Note que, no fim das contas, seu carro de R$ 69 mil terá custado R$ 85 mil, somando a entrada de R$ 20 mil paga no momento da contratação do financiamento. Por isso é sempre melhor dar uma entrada maior para que os juros do contrato sejam menores ao longo do tempo. 

Fique atento também à cobrança de outras taxas no período, como o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e exija que o banco te mostre todo o extrato para que você saiba, direitinho, o que estará pagando. 

Você também pode simular o valor do empréstimo em calculadoras online. Dessa forma, você analisa qual o valor da entrada e da parcela que ficam melhor para você. 

O que é a amortização

Como vimos, à medida que você vai pagando as parcelas do seu carro, essas mensalidades serão reduzidas com o passar do tempo. Embora as parcelas tenham valores pré-fixados, existe uma maneira de pagar menos juros em um financiamento de veículos. E isso passa pela amortização. 

A amortização é a taxa fixa que você paga por mês ao banco pelo empréstimo contratado – o que varia é a taxa de juros. No exemplo anterior, a amortização é de R$ 816,66 (que é o resultado da divisão do valor financiado pelo tempo de financiamento) e os juros começam em R$ 490 e vão diminuindo ao longo do tempo. 

Mas como você pode pagar menos pelo valor total contratado? Vamos supor que, ao longo de um ano, você tenha conseguido juntar R$ 10 mil e queira usar esse dinheiro para abater no valor do financiamento do carro. Esse montante representa 12 meses de amortização, ou seja, um ano dos cinco anos de financiamento contratado. 

Com esse dinheiro em mãos, você pode procurar o banco para amortizar a dívida. Dessa forma, como seu saldo devedor diminuiu consideravelmente, o valor da sua parcela também pode cair. Isso significa pagar menos juros ao final do processo.  

5 perguntas para responder antes de fazer um financiamento de veículos

1. Posso ser aprovado com nome negativado?

Se você tem o nome incluído em serviços de proteção ao crédito, como o SPC e o Serasa, dificilmente conseguirá ser aprovado por um banco para fazer um financiamento de veículos. E, caso consiga, certamente, a taxa de juros será maior. Isso porque, ter o nome sujo é um atestado de mau pagador e, para as instituições de crédito, se você já deixou de pagar uma dívida a ponto de a instituição pedir sua inclusão nesses órgãos, porque não deixaria de pagar, também, o financiamento?

2. Posso financiar sem entrada?

É raro, mas pode acontecer. Em geral, os bancos pedem um mínimo de 20% do valor total do veículo como entrada, que deve ser paga no momento da assinatura do contrato. Dessa forma, você financiaria os 80% restantes. Mas não é nada recomendável financiar um carro sem entrada ou com uma entrada muito baixa. Isso pode ser uma alternativa se você não tem um dinheiro guardado no momento da compra, mas significa que você vai ter que pagar um valor de juros muito maior, no fim do empréstimo.  

3. Posso combinar dois financiamentos?

Pode. É possível você conciliar o pagamento de um financiamento imobiliário, por exemplo, com o de um carro. No entanto, há uma regra que os bancos sempre levam em consideração na hora de aprovar o crédito: os empréstimos, somados, não podem passar de 30% da sua renda mensal. Para os bancos, se você compromete mais de um terço dos seus rendimentos em financiamento, é possível que você deixe de pagar a dívida em algum momento. Afinal, há outros gastos fixos no mês, como condomínio, água, luz, etc. 

4. Sou autônomo. Posso fazer financiamento de veículos?

Sim, não há impedimento para que autônomos contratem um financiamento de veículos. No entanto, você também passará pela análise de crédito do banco. No caso de uma pessoa com vínculo empregatício, isso é mais fácil já que a empresa fornece o contracheque mensal, que serve como garantia de que aquele é o valor do seu salário. No caso de um autônomo é preciso comprovar, seja por meio de extratos bancários ou holerite o valor recebido nos últimos meses. A partir daí, o banco vai analisar o seu perfil e decidir se você pode ou não contratar o empréstimo.

5. Posso transferir meu financiamento?

Se você está com dificuldades para honrar o pagamento de seu financiamento ou se precisa vender o carro mas ainda não quitou o seu financiamento, você pode sim, transferir o empréstimo para o novo comprador. Para isso você deve comunicar o banco que deseja passar o financiamento para uma outra pessoa e a instituição vai realizar uma nova análise de crédito para verificar se o novo comprador se encaixa no perfil. Se o banco der sinal verde, você pode fazer a transferência do financiamento e do veículo.

Agora que você já leu esse verdadeiro guia para o seu financiamento de veículos, que tal ficar por dentro de outros assuntos sobre o que importa para o seu dinheiro? Assine a Newsletter do iDinheiro e receba, na sua caixa de entrada do e-mail, toda semana, um conteúdo exclusivo sobre o assunto que te interessa.