O Tesouro Nacional anunciou na última semana problemas relacionados a liquidez, tendo recebido na última quinta-feira, 27, R$ 325 bilhões do Banco Central. Diante desse cenário, investidores de títulos públicos devem se preocupar? Tesouro Direto dá calote?

Segundo especialistas, o risco de que investidores que têm dinheiro investido no Tesouro não recebam os rendimentos é quase nulo. Apesar disso, um colchão de liquidez mais “magro” traz perspectivas negativas à economia brasileira a longo prazo.

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Entenda quais as implicações disso no seu dia a dia. Com informações do Valor Investe, em reportagem de Júlia Lewgoy.

Primeiramente, o que é colchão de liquidez?

O colchão de liquidez é, de certa forma, a reserva de emergência do Tesouro Nacional. Assim como uma pessoa física deve ter um valor guardado para eventuais emergências, o governo mantém guardada certa quantia para garantir que todas as operações ocorram normalmente.

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Porém, a pandemia obrigou o Tesouro a pedir ajuda. Em primeiro lugar, houve um aumento da expectativa do mercado de alta de juros, significando que investidores passaram a exigir retornos maiores para comprar títulos novos.

Além disso, houve um aumento das dívidas que vencem nos próximos 12 meses, em razão da pandemia do novo coronavírus.

Antes da pandemia, o Tesouro tinha como reserva o equivalente a seis meses de vencimento dos títulos. Agora, com a crise, caixa está no limite prudencial, equivalente a três meses de vencimentos.

Até julho de 2021, o Tesouro terá de desembolsar aproximadamente R$ 693 bilhões a investidores de títulos públicos que vencem, um valor bastante expressivo. 

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Afinal, Tesouro Direto dá calote?

Probabilidade de o Tesouro Direto dar um calote nos investidores é muito baixa.

Apesar do cenário de crise, títulos públicos ainda são a opção de investimento mais segura, já que o Tesouro está longe da falência. 

O Conselho Monetário Nacional (CMN) estabelece como opção no caso de problemas com liquidez que o Tesouro Nacional peça auxílio ao Banco Central, uma forma de evitar que a rolagem das dívidas se torne mais cara.

Isso porque o Tesouro nunca paga as dívidas, mas sim “rola”, ou seja, adia o pagamento. O dinheiro pago de rendimentos a um investidor é o valor investido por outro que, quando for receber o valor, terá rendimento pago por outra pessoa. Em um ciclo feito para continuar.

Outra opção para manter essa roda girando é vender títulos de prazo mais curto, que se tornam mais atraentes pelo menor risco, mesmo que o rendimento não seja tão alto.

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Em último caso, o governo imprimiria mais dinheiro para conseguir pagar os investidores e não dar calote.

O que acontece com Tesouro Direto?

Nesse último caso, o Tesouro ainda pagaria o dinheiro devido, porém daria um “calote branco”.

Isso porque, quando mais dinheiro é impresso aumenta a inflação, fazendo que o dinheiro valha menos. Dessa forma, o investidor receberia um dinheiro mais “barato” do que o que investiu.

Mesmo pagando a dívida, isso significaria que a situação da economia brasileira está bastante complicada. Com maior inflação e aumento da dívida pública pode faltar dinheiro para investir em coisas básicas, como saúde, educação e infraestrutura.

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O que o investidor pode fazer?

Apesar da situação desconfortável, de nada adianta vender os títulos públicos para investir em privados. 

Mesmo que o Tesouro Nacional estivesse perto de quebrar, o que não é o caso, o banco também estaria. Então, as instituições financeiras privadas começariam a ter problemas de liquidez antes mesmo do Tesouro.

O indicado é paciência. A ajuda pedida ao Banco Central não compromete a capacidade do Tesouro de solvência e de pagar os títulos de todo mundo.

O investimento em títulos públicos, mesmo com rentabilidade baixa, é importante para que sejam feitos investimentos de renda fixa, que trazem maior segurança seja pela liquidez ou pela possibilidade em investir no futuro.

Mas, caso seu problema seja realmente com rentabilidade, é indicado buscar fundos de renda variável, que podem trazer um ganho maior. 

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