Com o objetivo de remodelar o modelo de negócios, que muitas vezes foi chamado de ultrapassado por organizadores e profissionais ligados ao mercado de seguros, a Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), parece estar reinventando o mercado atual. 

O objetivo da instituição, segundo o comunicado divulgado na imprensa na última sexta feira (10), é o de viabilizar títulos de investimentos relacionados à seguros no Brasil, através de uma parceria com instituições financeira e com a B3 (Bolsa de Valores Brasileira).

Continua após a publicidade


Esse projeto tem o nome de Insurance Linked Securities (ILS), e seu objetivo é o de que este instrumento seja uma nova alternativa ao modelo tradicional de riscos ao mercado de resseguros e seguros.

Proposta apresentada pela SUSEP

A proposta apresentada pela SUSEP é a de conseguir capitalizar novos investidores através de um acionista ou por meio de emissões de ações específicas do mercado.

A transferência de risco, por exemplo, acontece através de um ressegurador local de propósito específico (RPE), responsável por financiar a retenção do risco através de emissões de dívidas vinculadas a riscos de resseguros.

Essa metodologia que vem sendo cada vez mais utilizada em mercados internacionais, deve ser implantada no Brasil muito em breve através da ILS.

Outro ponto a ser observado, é que essa resolução amplia a regulamentação para consulta pública, onde a sociedade poderá enviar sugestões sobre o tema para conseguir atrair cada vez mais recursos para o mercado. 

Através da implantação do ILS, ao invés de financiar um capital próprio, será possível emitir papéis de dívidas, cujo fluxo de caixa esteja associado a um contrato específico de resseguros determinado por uma seguradora escolhida.

Qual a lógica do mercado de emissão de títulos?

Dentro desta proposta apresentada pela SUSEP, se no prazo de três anos não tiver ocorrido nenhum sinistro, o investidor receberia o valor total do capital investido, mais correções específicas do período vigente.

Agora, caso tenha acontecido algum tipo de sinistro, o investidor ficaria sem receber o retorno do investimento e ainda poderia ter o valor aplicado inicialmente prejudicado.

Como funcionaria a emissão?

De acordo com os planos da SUSEP, o ILS deverá ser 100% polarizado, dignificando que o limite máximo de indenização deva estar aportado pelos investidores dentro de um veículo específico. 

Por exemplo: Se um produto ligado a um contrato específico tiver o valor previsto de perda em R$ 300 mil, ele precisará captar essa mesma quantia para chegar no valor de mercado atual. 

A implantação é uma boa alternativa para o mercado?

Segundo Alexandre Leal, diretor técnico de estudos da Confederação Nacional de Seguros (CNSeg), essa medida é a representação do futuro e modernidade que os seguradoras e corretores de seguros pediam para a SUSEP.

“Desta maneira, o setor abre outras possibilidades para que as seguradoras passem a rentabilizar de maneira diferenciada”, disse.

Além disso, a emissão desses títulos são uma excelente alternativa de captação para as seguradoras, ja que elas vinham sendo prejudicadas com a baixa de juros apresentadas.

Afinal, com os juros das seguradoras cada vez menores, os rendimentos faturados com o valor de prêmios captados pelos clientes foi ficando cada vez menor, fazendo com que essa opção se tornasse cada vez menos atrativas para investidores.

Quer continuar acompanhando todas as novidades sobre o universo dos seguros? Não deixe de assinar a newsletter do iDinheiro para receber as principais notícias sobre o tema.