A remuneração média obtida pelos Microempreendedores Individuais (MEIs) diminuiu devido à pandemia. Agora, 70% dessa população está vivendo com menos de 200 dólares por mês. Conforme a cotação da moeda americana da sexta-feira (26), essa quantia chegava a R$ 1.088.

O estudo foi feito pela fintech Neon com o fundo de venture capital Flourish e apoio da empresa de pesquisa de impacto 60 Decibels. Foram entrevistados 1.600 MEIs, que responderam a questionamentos sobre os reflexos da pandemia nas finanças e no trabalho.

Atualmente, o Brasil tem mais de 10 milhões de MEIs. Cerca de 90% deles sofreu queda na renda. Antes da pandemia, inclusive, mais da metade ultrapassava os 400 dólares mensais, algo em torno de R$ 2.176. Por conta da crise, apenas 10% continuam nessa faixa.

Impactos da queda da renda do MEI

O MEI costuma ser o primeiro passo da formalização. Por isso, a redução na renda tende a trazer impactos negativos para toda a economia. Segundo o diretor da área de pessoa jurídica da Neon, Marcelo Moraes, “a preocupação é que esses profissionais, com as micro e pequenas empresas, representam entre 30% e 40% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro”.

Portanto, os reflexos nos próximos meses tendem a ser significativos. O professor do Insper, David Kállas, destacou que “esses números revelam uma tragédia. Essa é a parte da população que mais vai sofrer com os reflexos da crise do coronavírus”.

Detalhes do estudo

Conforme o levantamento realizado, de todos os MEIs, os que mais apresentaram redução na renda foram:

  • motoristas de aplicativo;
  • esteticistas;
  • comércio de rua, a exemplo de lanchonetes e mercadinhos.

A pesquisa também mostrou que, apesar das iniciativas do governo federal, o auxílio se mostra ineficiente. A maioria se sente desamparada e acredita que as propostas estão longe da sua realidade, mais voltadas para médias e grandes empresas.

Com isso, um dos destaques negativos foi o índice de desesperança dos profissionais. Ele chegou a 42%. Ou seja, quase metade dos MEIs não acredita que conseguirá sair da crise.

Para conviver com a queda na renda, os MEIs indicaram que estão cortando despesas. Mais da metade diminuiu o consumo de comida para adaptar a renda. Um exemplo claro foi que muitos deixaram de jantar para fazer apenas um lanche.

Opiniões de especialistas

O pesquisador da área de Economia Aplicada do FGV Ibre, Daniel Duque, ressalta que os MEIs são a categoria profissional com mais dificuldade para enfrentar e sair da crise. Ele destaca que a recuperação deve demorar, porque esses profissionais precisam aguardar a superação da crise por outros setores.

Por sua vez, o presidente da Trevisan, VanDick Silveira, destacou que a renda recuou 10 anos, mas os preços permanecem altos. “Apesar da inflação estar controlada, o índice de preços não recuou 10 anos, como a renda. Ou seja, é uma perda em dobro. Isso tem impacto direto no consumo”, comentou.

Já o presidente do Sebrae, Carlos Melles, destaca que a entidade trabalha com o governo e o Congresso para criar linhas de crédito específicas para MEIs e outros pequenos negócios.

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