De acordo com o Itaú Unibanco, a tendência é de preço dos alimentos em alta nos próximos dois meses. O banco acredita que essa situação não vai colocar em risco as metas de inflação para 2021 e 2022. No entanto, para o Banco Central, este cenário pode contribuir para o aumento dos juros no final do próximo ano.

Levando em consideração o estudo do Itaú, a expectativa é de que a inflação dos alimentos chegue em 14% no mês de outubro e novembro, mas feche o ano em 10%.

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Informações são da Folha de S. Paulo.

Preço de alimentos em alta pode afetar a política de juros

O IBGE informou nesta quarta-feira, 9, que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentou o maior percentual, desde 2016. Esse resultado é o reflexo das altas nos preços de alimentos e combustível.

Para o economista-chefe do Banco Itaú, Mário Mesquita, existe uma divergência entre o comportamento do índice da inflação em relação à visão da população brasileira sobre o IPCA.

Além disso, Mesquita salientou que a sociedade percebe os sintomas da inflação nos itens de compra mais frequentes, como alimentos, energia e combustível. Isto é, os itens que estão contribuindo para o aumento deste índice.

“Temos uma inflação que incomoda do ponto de vista de noticiário, mas ainda é bem comportada. É uma pressão de preço de alimentos que a gente acha que não vai continuar em 2021”, disse, em entrevista à Folha de S. Paulo.

Projeção da inflação nos próximos anos

Segundo ele, existe uma expectativa para os juros flutuarem nos atuais 2% ao ano por mais um ano, começando a subir em 2022 e 2023. No Itaú Unibanco, a inflação da instituição é de 2% em 2020, e 2,8% nos próximos anos.

Para a economista do banco, Julia Passabom, o IPCA teve um acumulado de 0,10% no primeiro semestre, mas o aumento dos preços terá a sua concentração no próximo semestre. É provável que as taxas mensais fiquem em torno de 0,20% até o final de 2020.

“A gente tem uma pressão de curto prazo que vem da inflação de insumos, como grãos. O repasse está acontecendo no atacado. Isso sinaliza que tem uma pressão adiante”, afirma a economista ao Yahoo Finanças. Segundo ela, isso deve gerar pressão de curto prazo também nas leituras mensais de inflação a seguir.

Outro ponto levantado por Mesquita é sobre a taxa de câmbio, onde o mercado tem projetado normalidade com o seu valor acima de R$5. Essa condição também contribui para o repasse cambial aos preços dos alimentos entre outros.

“O repasse cambial, entre vários outros fatores, é sensível ao quão permanente é o patamar de câmbio. Se é percebido como algo transitório, o repasse é menor. Se é visto como permanente é mais intenso”, explica. Para ele, o real não deve voltar para os patamares anteriores em muito tempo e “R$ 5 é o novo normal”.

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