Divulgado no fim de junho, o relatório do Banco Central apresentou diferentes cenários políticos e econômicos do Brasil durante o período de retração causado pela pandemia do COVID-19 nos últimos dois meses e meio no mercado de crédito.

Com uma análise complexa, refletida por conta do distanciamento social, o faturamento de empreendimentos e famílias foram diretamente afetados, trazendo impactos relevantes ao mercado de crédito e revelando diferentes perfis de comportamento. 

Continua após a publicidade


Com base nos dados apresentados, o iDinheiro reúne através deste conteúdo, tudo o que você precisa saber a respeito do mercado de crédito durante a pandemia do COVID-19.

Como estava o mercado de crédito antes da pandemia

Segundo o Banco Central, o mercado de crédito seguia crescendo de maneira gradativa, apresentando uma leve tendência de recuperação diante da recessão causada pela crise econômica entre o período de 2015 a 2016. 

Além disso, a evolução de financiamentos destinados à pessoas físicas havia alcançado a marca de 16,6% apenas em 2019, enquanto o crédito destinado ao mercado empresarial foi o de 11,1% durante o mesmo período. 

Outro ponto a ser considerado, foi a diminuição de taxas de juros oferecidas por bancos e instituições financeiras particulares para empréstimos destinados a pessoas físicas e jurídicas, impulsionados pela recorrente diminuição da taxa Selic.

O crédito bancário na pandemia do COVID-19

Durante a segunda quinzena de março, a liberação do crédito à pessoas físicas com recursos livres apresentou um recuo de mais de R$ 2 bilhões, impactando diretamente o setor bancário. 

Com isso, bancos públicos passaram a oferecer melhores condições de financiamentos e produtos para ajudar a população de maneira geral, a conseguirem valores específicos para manterem seus compromissos.

Outro ponto negativo que pôde ser percebido, foi a concessão de cartões de créditos à vista e financiamentos de veículos, mercados extremamente sensíveis e voláteis diante de um cenário de crise como o atual.

Somente no primeiro bimestre de 2020, o crédito entre as pessoas físicas relacionados a cartões de crédito teve uma queda de 9,9%.

Crédito emergencial

Já no cenário de crédito emergencial, o relatório apresentou números mais altos em relação a anos anteriores. 

Diante do cenário destinado à pessoas físicas, o crescente volume de crédito vinculado à dívidas, teve o crescimento de 164,6% apenas a partir de março deste ano entre instituições bancárias públicas e privadas. 

Enquanto isso, o crédito bancário emergencial com destino à empresas teve um forte aumento em novas operações. Segundo os gráficos apresentados no relatório, esse crescimento foi o de 59,6% apenas em março, apresentando um aumento histórico para o período.

Capital de Giro

O mercado de crédito relacionado ao capital de giro de um negócio, principalmente os que envolvem pequenos e médios empreendedores também acabou sofrendo com a mudança de comportamento do mercado.

As solicitações de empréstimos e créditos, ao invés do que o Banco Central previa, foi o de preservar o fluxo de caixa sem maiores dificuldades para os primeiros meses de isolamento social, ao invés de utilizar o dinheiro para quitar dívidas e honrar compromissos de maneira direta.

Empréstimos para pessoas jurídicas

O número representado em quantia de solicitação de empréstimo para o setor empresarial foi relativamente maior a anos anteriores. De uma média de R$ 3,5 bilhões no período de março, esse valor duplicou para R$ 6 bilhões.

Inclusive, de acordo com o relatório, as empresas que mais recorreram a créditos foram as grandes, com faturamento anual acima de R$ 10 milhões, enquanto os microempreendedores mantiveram a mesma faixa de empréstimo em relação ao ano de 2019.

Dívidas não bancárias

Além da solicitação de crédito em relação aos bancos, as dívidas não bancárias também tiveram um expressivo crescimento a partir de março.

Para conseguir gerar um capital diferenciado sem estar atrelado a instituições financeiras, empresas consolidadas do mercado disponibilizaram mais papéis de debêntures para atrair a atenção de novos investidores do mercado.

Segundo o relatório do Banco Central, esse aumento médio foi o de 6,2%.

E que podemos concluir desse cenário de crédito na pandemia?

De acordo com os dados apresentados, podemos assegurar que os efeitos que a crise provocada pelo coronavírus no mercado de crédito foram bastante expressivas de modo geral. 

Enquanto as famílias precisaram buscar créditos para honrarem seus compromissos, ao mesmo tempo, precisarão abrir mão de outros financiamentos, como o de veículos. Além disso, a busca por renegociações de dívidas já existentes se tornou essencial durante os últimos meses.

Já no perfil empresarial, pudemos visualizar uma busca grande por crédito bancário através de capital de giro e empréstimos empresariais, principalmente para empresas de médio e grande porte.

Sendo assim, podemos afirmar que os reflexos financeiros e para o mercado de crédito, de modo geral, ainda poderá ter bastante alteração até que a situação da pandemia seja finalmente normalizada.

Enquanto isso, é necessário que empresas e pessoas físicas enxuguem seus orçamentos e cortem possíveis excessos para não se comprometerem com dívidas maiores dos que a poderão cumprir no longo prazo. 

Quer continuar acompanhando o cenário financeiro durante a pandemia? Então, assine a newsletter do iDinheiro e receba toda semana, um conteúdo exclusivo.