Os impactos da pandemia causada pelo novo coronavírus ainda estão sendo analisados, mas a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Covid (Pnad Covid) mostrou que 9,7 milhões de trabalhadores ficaram sem renda em maio de 2020. O levantamento é feito pelo IBGE.

O total de pessoas sem remuneração equivale a 51,3% do total de brasileiros afastados do seu emprego. Quando considerada a população ocupada, o percentual é de 11,7%. É importante ressaltar que o número de agastamentos chegou a 19 milhões, enquanto dos que continuava trabalhando normalmente atingia 84,4 milhões no período.

A gerente do IBGE, Maria Lúcia Vieira, destaca que a maior parte das pessoas sem remuneração ficaram nessa condição devido à pandemia. A renda média efetiva dos trabalhadores teve uma queda de 18% em maio, quando comparado ao salário habitual.

Outro dado relevante é que 38,7% dos domicílios brasileiros foram contemplados por algum auxílio monetário emergencial.

Estatísticas da Pnad Covid

A pesquisa mostrou que 15,7 milhões de brasileiros estavam afastados do emprego devido ao distanciamento social. O grupo de pessoas com maior participação foi a das pessoas com 60 anos ou mais. Nessa faixa etária, 27,3% ficaram longe do ambiente de trabalho.

Além disso, o setor de atuação mais afetado foi o dos trabalhadores domésticos sem carteira assinada. Nesse grupo, 33,6% foram afastados devido à pandemia. Em seguida, vêm:

  • empregados do setor público sem carteira: 29,8%;
  • empregados do setor privado sem carteira: 22,9%.

A Pnad Covid é uma versão da Pnad Contínua. Ela é realizada em parceria com o Ministério da Saúde. Esse relatório contém informações de 193,6 mil domicílios em 3.364 cidades brasileiros.

Os dados apresentados são relativos a maio de 2020. No entanto, a partir de 26 de junho, serão feitos lançamentos semanais para trazer dados mais atualizados.

Força de trabalho

Durante o mês de maio, 75,4 milhões de pessoas estavam fora da chamada força de trabalho no Brasil. Estão incluídas nessa categoria todas as pessoas que não estavam empregadas nem procuravam por uma vaga.

Desse total, 34,9% não buscavam uma nova colocação, mas tinham o desejo de trabalhar. Além disso, 24,5% deixaram de procurar uma nova vaga devido à pandemia ou por faltar trabalho na cidade ou região em que moram. Ainda assim, elas também tinham o desejo de voltar ao mercado.

Segundo  o IBGE, esse cenário fez com que 36,4 milhões de pessoas pressionassem o mercado de trabalho. Essa quantidade é composta pela população fora da força de trabalho que gostaria de estar empregada e as pessoas desocupadas.

Se forem considerados os brasileiros que deixaram de procurar emprego por falta de vagas ou pela pandemia, a pressão no mercado foi de 28,6 milhões.

A pesquisa ainda sinalizou que 8,7 milhões de pessoas trabalharam de forma remota e 18,3 milhões cumpriram menos horas do que o normal. A média semanal efetivamente trabalhada foi de 27,4 horas, abaixo da média de 39,6 horas verificada antes da pandemia.

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