O que é CRA? Entenda o que é e como funciona esse tipo de investimento da renda fixa

Melissa Nunes
Melissa Nunes
cra
Entenda o que é CRA e como funciona esse tipo de investimento, além de suas principais características, como rentabilidade, risco e garantia.

O que é CRA? Entenda o que é e como funciona esse tipo de investimento da renda fixa!

 

Se você está lendo este artigo, é porque, provavelmente, está procurando diversificar seus investimentos.

Nesse caso, o CRA, ou Certificado de Recebíveis do Agronegócio, pode ser uma boa opção para você. Isso porque, apesar de fazer parte dos investimentos de renda fixa, ele tem algumas características que o diferenciam de outros tipos mais conhecidos, como: CDB, LCA, Tesouro Direto, etc.

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Nesse texto, vamos explicar o que é o CRA, como ele é criado e quais são seus principais aspectos. Assim, você poderá decidir se esse é um investimento que faz sentido para você e se está de acordo com os seus objetivos.

O que são certificados de recebíveis?

Como já mencionamos, o CRA é um Certificado de Recebíveis do Agronegócio. Então, primeiramente, precisamos entender o que é um certificado de recebíveis.

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Basicamente, isso representa uma promessa de um pagamento que será feito futuramente. É como se o investidor comprasse um contrato (certificado) de que vai receber créditos (recebíveis) no fim de um prazo especificado.

Nesse caso, quem faz a intermediação da operação é a securitizadora, que é uma empresa que transforma uma dívida em um título negociável para os investidores.

Agora que você já entendeu o essencial, vamos tratar do CRA especificamente.

O que é CRA?

O CRA é um certificado de recebíveis que está ligado ao setor agrícola. Isso quer dizer que esses títulos são originados de negócios entre produtores rurais e terceiros, como empréstimos e financiamentos para projetos de produção, industrialização e comercialização de suprimentos, máquinas e etc.

Como é criado um CRA?

Imagine que você é um produtor rural e fechou negócio com uma empresa para vender seu produto a ela e receber em parcelas. Porém, você gostaria de ter esse dinheiro à vista, para que possa investir na sua produção.

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Então, você procura uma securitizadora, que vai transformar a dívida da empresa em um certificado de recebíveis, captar recursos com os investidores e pagar a você à vista. Assim, a securitizadora é que passa a receber as parcelas da dívida.

Ao fim do prazo estipulado, os investidores recebem seu dinheiro acrescido de juros. Simples, não?

Continuando, vamos sobre as características desse tipo de investimento.

Quais as características do investimento CRA?

O CRA faz parte dos investimentos da renda fixa, mas tem particularidades bem diferentes dos títulos mais comuns que conhecemos.

Rentabilidade

Por ser um investimento de renda fixa, os CRA tem uma rentabilidade previsível, porque sua remuneração já é acordada desde o início. Porém, não quer dizer que o rendimento será sempre o mesmo ao longo do tempo.

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Isso porque existem diferentes tipos de taxas:

  • prefixada: a taxa é fixa (expressa em %) e a rentabilidade não varia ao longo do tempo;
  • pós-fixada: a taxa possui um indexador (por exemplo, o CDI) e, por isso, pode variar conforme as oscilações do mercado. É expressa em uma porcentagem desse indexador.
  • híbrida: a taxa tem uma parte fixa, que não varia, e outra parte atrelada a um indexador, que pode variar.

Liquidez e prazo

Em geral, o CRA é um investimento de longo prazo, variando entre 4 e 10 anos, sendo que alguns podem chegar a 15 anos. Por isso, seus objetivos para o dinheiro investido devem estar alinhados a esses prazos.

Quanto à liquidez, geralmente não é possível se desfazer do CRA antecipadamente. E, quando é possível, pode ser necessário pagar uma taxa de resgate, dependendo do cenário econômico do momento.

Assim, para garantir a taxa acordada no contrato, você precisa carregar o título até o final do prazo.

Risco e garantia

Aqui, o risco mais relevante é o risco de crédito (ou de calote), caso os devedores não possam honrar com a dívida.

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Esse risco é mais elevado do que nos outros títulos de renda fixa, porque o CRA não conta com a garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). E nem poderia, já que, nesse caso, o investidor faz um empréstimo à uma securitizadora e não a um banco (sendo que o FGC é um fundo formado por bancos).

Mesmo assim, alguns CRAs podem contar com outros tipos de garantias por parte do devedor, como fiança, penhor agrícola da produção, alienação fiduciária e etc.

Em segundo lugar, temos o risco de liquidez, isto é, a dificuldade em reaver o dinheiro investido. Isso é consequência dos prazos longos: quanto maior o prazo, maior o risco de liquidez.

Ainda assim, existem algumas maneiras de diminuir os obstáculos.

Quanto à liquidez, há opções de contratos que pagam juros ou amortizações periodicamente ao investidor, diminuindo esse tipo de risco.

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E, finalmente, os CRAs possuem diferentes níveis de risco, avaliados pelo que chamamos de agências de rating. Essas empresas dão uma nota aos emissores dos títulos (as securitizadoras), ajudando a entender o quão seguros são (ou não).

Taxas

Uma grande vantagem do CRA é que, para a pessoa física, não há cobrança de imposto de renda (IR) e nem de IOF ou taxa de administração.

Já para a pessoa jurídica, a cobrança de IR segue a tabela regressiva da renda fixa, na qual a alíquota varia conforme o tempo do investimento:

  • 22,5% até 180 dias corridos;
  • 20% entre 181 e 360 dias corridos;
  • 17,5% entre 361 e 720 dias corridos;
  • 15% após 720 dias corridos.

Lembrando que essa cobrança incide apenas sobre os rendimentos e não sobre o capital investido.

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Investimento mínimo

Os valores mínimos para investir em um CRA são razoavelmente baixos. Normalmente, ficam em torno de R$ 1.000,00, podendo variar um pouco para mais ou para menos.

Mas, afinal, onde podemos encontrar esse tipo de investimento? Veremos essa informação a seguir.

Como investir em CRA?

Em primeiro lugar, para adquirir esse tipo de título, você precisa abrir conta em uma corretora de valores.

Assim, existem duas maneiras de comprar um CRA:

  • por meio de uma oferta pública; ou
  • por meio do mercado secundário.

A oferta pública é a primeira emissão do título, quando compramos diretamente da securitizadora (através da plataforma da corretora).

Já o mercado secundário é quando compramos um título de outro investidor que decidiu vender o seu antecipadamente.

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CRA ou LCA? Semelhanças e diferenças

Outro investimento ligado ao agronegócio e que, talvez, seja mais conhecido que o CRA é a LCA.

Apesar de estarem relacionados ao mesmo setor, esses títulos não devem ser confundidos, pois apresentam algumas diferenças bem significativas.

Por exemplo, quem emite a Letra de Crédito Imobiliária (LCA) são os bancos, enquanto o CRA é emitido pelas securitizadoras.

O prazo do CRA também costuma ser maior que o da LCA, o que acarreta em uma maior remuneração, mas menor liquidez.

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Existem, afinal, divergências e semelhanças entre esses investimentos. Você pode conferir todas elas na tabela abaixo:

diferenças e semelhanças cra e lca

Conclusão

Nesse artigo você aprendeu sobre o CRA, um investimento de renda fixa que está ligado ao agronegócio.

Agora você já é capaz de entender todas as suas características, além de conseguir saber se esse é o investimento certo para os seus objetivos ou não.

Não esqueça de levar em consideração todos os aspectos mencionados nesse texto na hora de escolher onde colocar seu dinheiro, para que você faça uma escolha consciente e não se arrependa mais tarde.

Finalmente, lembre-se de considerar seu nível de conhecimento e perfil de investidor em todas as suas decisões, pois eles são uma boa indicação de que você está no caminho certo ou se está tomando mais risco do que deveria.

Então, antes de ir embora, não esqueça de assinar a Newsletter do iDinheiro para se manter sempre bem informado sobre esse e outros tipos de investimentos.

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