“Vilã” da inflação em 2020, carne fica mais barata em janeiro

Fim do auxílio emergencial e normalização do mercado podem ter influenciado a carne ficar mais barata. Confira dados do IPCA, divulgados pelo IBGE.

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Lilian Calmon

“Vilã” da inflação em 2020, a carne ficou mais barata em janeiro. Após a alta de 6,74% em novembro e 3,58% em dezembro, o preço caiu 0,08%. 

Os dados são do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial brasileira, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira, 9.

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Para ter uma ideia, o preço da carne tinha fechado 2020 com alta de 17,97%.

Com informações da Folha de S. Paulo, G1 e Valor Investe.

Carne fica mais barata: fim do auxílio emergencial e normalização do mercado podem ter tido influência

Segundo o gerente do IPCA, Pedro Kislanov, a base de comparação elevada do preço da carne ajuda a explicar esse movimento. Ele também destacou a possibilidade de influência do fim do auxílio emergencial e de uma normalização do mercado, depois da forte demanda das exportações para a China no ano passado.

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“[A deflação] pode ter uma série de fatores. A base de comparação é alta, pode ter a ver com o fim do auxílio emergencial, mas também pode ser uma questão de mercado, de normalização da produção. É preciso aguardar como ficará”, afirmou.

A inflação desacelerou em janeiro, com taxa de 0,25%. Esse é o seu menor valor mensal desde agosto de 2020 (0,24%). A expectativa do mercado, segundo pesquisa da Reuters, era um avanço de 0,31%.

O freio na escalada da inflação se deve, principalmente, à energia elétrica, que registrou queda de 5,6% no mês passado por conta da entrada em vigor da bandeira tarifária amarela. Em dezembro, com a bandeira vermelha, ela tinha subido 1,35%.

Assim, o consumidor passou a pagar menos pela eletricidade: um adicional de R$ 1,343 por 100 quilowatts-hora. Em dezembro, esse acréscimo era de R$ 6,243.

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Kislanov explicou que a mudança tarifária provocou uma deflação (processo inverso da inflação) de 1,07% no grupo habitação, que contém o item energia elétrica. 

“Isso aconteceu mesmo com a alta em outros componentes, como o gás encanado (0,22%) e a taxa de água e esgoto (0,19%)”, disse.

Sete dos nove grupos pesquisados tiveram alta

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, sete tiveram avanço nos preços em janeiro. Veja abaixo:

  • Alimentação e bebidas: 1,02%
  • Habitação: -1,07%
  • Artigos de residência: 0,86%
  • Vestuário: -0,07%
  • Transportes: 0,41%
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,32%
  • Despesas pessoais: 0,39%
  • Educação: 0,13%
  • Comunicação: 0,02%

Mais uma vez, a maior pressão veio do grupo Alimentação e bebidas, que teve avanço de 1,02% em janeiro, apesar de ter desacelerado a alta na comparação com dezembro (1,74%).

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Além de Habitação, Vestuário (-0,07%) também teve deflação no primeiro mês de 2021, após alta de 0,59% em dezembro. Tradicionalmente, as vendas do setor aumentam nessa época em razão das festas de final de ano.

Previsão para IPCA sobe de 3,53% para 3,60%, segundo última pesquisa Focus

Para 2021, o mercado financeiro subiu de 3,53% para 3,60% a previsão para o IPCA, segundo a última pesquisa Focus do Banco Central (BC).

A meta central de inflação é de 3,75% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar entre 2,25% e 5,25%. Ela é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e, para alcançá-la, o BC eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia (Selic), atualmente em 2%.

Aproveite e leia também: “Copom mantém Selic a 2% e tira forward guidance na primeira reunião de 2021”.

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