Vale à pena vender imóvel agora, apesar da pandemia? Entenda como está o mercado

A baixa Selic e a maior variedade de programas de crédito imobiliário têm aquecido o mercado, o que pode beneficiar quem quer vender imóvel.

Heloisa Vasconcelos
Heloísa Vasconcelos

2020 foi um ano difícil para a economia e para os brasileiros. Praticamente todos os segmentos da economia algum impacto decorrente da pandemia do Covid-19, incluindo o mercado imobiliário. A fase mais extrema de lockdown já passou, mas será que já vale a pena vender imóvel?

Mesmo antes da pandemia o mercado imobiliário já estava em um período de baixa, o que tornava mais difícil a venda. Porém, apesar de uma pequena queda da atividade em março, quando toda a economia fechou, o setor conseguiu resultados positivos em 2020.

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Segundo dados da série histórica Abrainc/Fipe, o total de imóveis vendidos entre janeiro e novembro do ano passado foi 23% maior que o mesmo período em 2019.

As perspectivas são boas para quem quer vender imóvel em 2021. Tanto a série histórica quanto o índice FipeZAP, que avalia os preços de venda nas principais capitais brasileiras, apontam para uma retomada do mercado imobiliário primário.

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Mercado imobiliário antes e durante a pandemia

O mercado imobiliário teve um período de recessão entre 2015 e 2018, havendo uma leve recuperação em 2019. As expectativas eram altas para 2020, até que veio a pandemia. 

“A gente tinha uma taxa de juros mais baixa, os bancos de grande porte estavam colocando no mercado linhas de financiamento novas. O mercado estava sinalizando um aumento interessante nos preços pelo aumento da demanda”, introduz o professor do MBA de gestão de negócios de incorporação e construção imobiliária da FGV, Sérgio Cano.

Quando chegou a pandemia, em março, o setor ficou cerca de 2 meses parado devido às medidas de isolamento social. E, então, conseguiu tirar algo para crescer diante da crise.

A tecnologia ajudou o mercado a se aquecer, com corretores utilizando plataformas digitais para vender. A taxa Selic atingiu o menor patamar da história, em 2%, levando muitos investidores ao mercado imobiliário devido à baixa rentabilidade na renda fixa.

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E, além disso, buscando fazer a economia girar, o governo liberou novas linhas de crédito imobiliário, tornando mais fácil a aquisição de imóveis. 

“Muita gente teve que trabalhar home office e aquelas famílias que usavam o imóvel somente à noite quando chegavam do trabalho passaram a ficar muito mais tempo dentro de casa. Então, elas começaram a perceber que precisavam ou de reforma ou de mudar para um imóvel maior. Começou um movimento de upgrade no mercado”, avalia.

Demanda crescente

Conforme o economista do DataZAP Rodger Campos, o momento atual é de maior compra do que unidades lançadas. Com base na série histórica da Abrainc/Fipe é possível notar uma redução do estoque de imóveis. Entre janeiro e novembro de 2020 foram vendidas 127.485 unidades, enquanto o total de novas unidades lançadas foi de 92.567 unidades. 

“Em outras palavras, isso demonstra uma aceleração do consumo em face às novas unidades produzidas”, afirma.

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O mercado de usados também está aquecido para quem quer vender imóvel. 

“Está havendo um aumento da demanda. Um motivo muito importante, talvez o mais relevante, é a taxa de juros. As pessoas antes não conseguiam comprar porque não tinham acesso a crédito imobiliário. Com as taxas praticadas pelos bancos hoje, isso cabe no bolso dessas famílias”, aponta Sérgio Cano.

Dados de pesquisa realizada pela Homer, startup de corretores de imóveis, 70% dos corretores acreditam que haverá um aumento de até 50% nas vendas neste ano.

Vale a pena vender imóvel agora?

Todos os especialistas entrevistados concordam: sim, em linhas gerais, esse é um dos melhores momentos possível.

Contudo, a CEO da Homer, Livia Rigueiral, pondera que, apesar da situação favorável no mercado, deve-se avaliar o momento atual de cada família.

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“Depende do perfil de quem tá vendendo, se é uma pessoa que tá querendo arriscar um pouco mais, se já tá pensando em se mudar para algum outro lugar. Depende do momento que a pessoa tá vivendo, se ela tá segura ou não no trabalho, se ela tem fluxo de caixa. A pessoa precisa ter uma consultoria, um trabalho de corretor de imóvel”, ressalta.

Sérgio Cano avalia que o preço dos imóveis deve subir no médio prazo em razão da demanda de compra. Dessa forma, quem quer vender imóvel pode esperar um pouco para faturar mais com a venda.

Segundo Rodger, contudo, um aumento da Selic — algo que está previsto para esse ano — pode impactar em uma maior dificuldade para a venda, uma vez que o custo do crédito ficará mais elevado.

Tempo médio para vender imóvel

Lívia calcula que a venda de um imóvel normalmente ocorre em torno de 14 meses, mas que os usuários da Homer têm um tempo de espera menor, de cerca de 2 meses. 

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Segundo ela, isso ocorre devido à integração de corretores de todo o país, que conseguem conectar compradores a vendedores; essa é, portanto, uma opção mais rápida para quem quer vender imóvel rápido.

Por fim, Sérgio destaca que a venda de imóvel depende de vários fatores, como localização e perfil do vendedor. Mas a flexibilidade ao negociar ajuda para que a venda ocorra o mais rápido possível.

“Quem tá colocando imóvel a venda dentro do preço de mercado, se essa pessoa tiver alguma flexibilidade, é uma venda para acontecer em um prazo relativamente curto”, analisa.

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