Ainda vale a pena comprar ou trocar de carro em 2021?

Mesmo com a crise econômica, a intenção de compra de veículos aumentou. No entanto, especialista aponta que não é o melhor momento para trocar de carro.

Júlia Ennes
Júlia Ennes

O desejo de comprar ou trocar de carro aumentou entre os brasileiros durante a pandemia, mesmo com a grave crise econômica. Uma pesquisa feita pelo instituto Webmotors Auto Insights, por encomenda da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), mostrou aumento na intenção de compra ou troca.

No entanto, o cenário de crise econômica intensificada pela pandemia de covid-19 pode acabar atrapalhando os planos de quem quer trocar de carro ainda em 2021. Isso porque o preço dos automóveis novos e usados vem sofrendo um forte aumento, assim como nos juros dos financiamentos de veículos.

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Desejo de comprar ou trocar de carro 

A pesquisa encomendada pela Anfavea mostrou que 96% dos entrevistados tinham intenção de comprar ou trocar de carro em 2021, com uma boa expectativa de fazer o negócio ainda nos 6 primeiros meses do ano.

A pesquisa foi realizada com 2.103 usuários do próprio site da Webmotors e, portanto, é preciso considerar que a amostragem foi feita com pessoas que trafegam por um portal de compra e venda de veículos.

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Mesmo assim, o levantamento indica uma inclinação de otimismo para este ano. A indústria automobilística, em novembro de 2020, teve o melhor período, ainda que sob efeitos negativos da crise sanitária.

O setor, assim como outros, sentiu muito a pandemia, visto que as fábricas ficaram totalmente paralisadas durante meses. A produção segue ainda sob forte impacto da crise, seja pela falta de insumos e componentes ou pelos protocolos de segurança sanitária nas fábricas.

No acumulado do ano de 2020, a produção chegou a 1,8 milhão de unidades, número inferior em comparação à produção de 2019.

Setor ainda sofre com a crise

Todas as montadoras tiveram que reajustar os preços dos automóveis basicamente por dois motivos: alta do dólar e falta de insumos e componentes. O advogado e economista, Alessandro Azzoni, explica que esses dois fatores fazem com que não valha a pena comprar carro ou trocar de veículo agora.

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“Nós tivemos uma alta no preço das matérias-primas, justamente porque a variação cambial subiu e estava tendo uma resistência acima dos R$5,50, então, isso faz com que haja alta nos preços das matérias-primas. Outra questão também é a falta de semicondutores, que acaba atrapalhando a linha de produção”, explica Azzoni.

Desde o ano passado, a indústria vem enfrentando problemas com escassez de matéria-prima. No setor automobilístico, o maior problema foi a falta de chips eletrônicos semicondutores, que afetou a produção de carros em escala global. 

Além disso, nos últimos meses a taxa Selic vem sofrendo consecutivos aumentos. A taxa foi de 2% para 7,75% e especialistas ainda apontam para ainda uma tendência de alta de 1,5% para dezembro (passando a 9,25%).

“Ela (a taxa Selic) é uma taxa básica e provavelmente aumentará mais ainda o custo para qualquer tipo de financiamento, mas, principalmente, o financiamento de veículos. Apesar de você ter uma garantia real, que é o próprio veículo, esse dinheiro vai ficar mais caro”, afirma Azzoni.

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Neste cenário, segundo o especialista consultado, é esperar um pouco e observar como os preços irão se comportar.

Não existe mais carro popular no mercado

Segundo Azzoni, há muito tempo, não existe mais o carro popular na praça. Isso porque um carro popular seria aquele de fácil aquisição, ou seja, de valor agregado menor. “Estaríamos falando de um carro de 15 a 25 mil reais no máximo. Hoje nós temos os carros de linhas mais básicas a partir de 55 mil reais ou 60 mil reais – isso não é um preço de carro popular”, afirma.

O economista explica ainda que houve uma valorização muito grande desses carros, devido a variação cambial e a inflação. Isso fez com que o preço desses veículos que eram considerados populares ficassem com preços de carros de linhas um pouco mais avançadas. “Por isso que muitas vezes as pessoas deixam de comprar um carro popular e acabam comprando um carro normal usado, que tem alguns anos a menos mas com maior qualidade de motorização, conforto e luxo”, afirma Azzoni. 

Leia também: Carros por assinatura valem a pena? Confira vantagens e desvantagens da modalidade

Vender seu usado pode ser um bom negócio

Desde o início da pandemia, o aumento das buscas por veículos usados vem crescendo no Brasil. Isso porque com menos carros novos nos pátios das montadoras e das revendedoras, a demanda se deslocou para seminovos ou usados. Com isso, também houve uma valorização da categoria.

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De acordo com uma publicação da Kelley Blue Book Brasil (KBB Brasil), empresa especializada em pesquisa de preço de veículos, modelos que têm de quatro a dez anos de uso registraram uma valorização média de 13% só nos primeiros seis meses de 2021.

Para Alessandro Azzoni pode ser uma grande oportunidade vender seu carro usado nesse momento com a alta dos preços. Mas não para comprar outro veículo, e sim para investir. “Se você não precisa do meu veículo, pode ser um bom momento para você vender o seu veículo usado, fazer um capital e investir aproveitando esses momentos de juros mais altos”, aconselha o economista. 

Apesar disso, a startup InstaCarro, que auxilia na venda de veículos usados ou seminovos, registrou em outubro, pela primeira vez, desde o início da pandemia, um recuo na precificação dos automóveis

Em relação a setembro, o valor médio caiu 3%. O mês também foi marcado por uma queda no número de vendas, de 8,5% em relação ao mês anterior, segundo relatório da Federação Nacional das Associações de Revendedores dos Veículos Automotores (Fenauto).

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No entanto, mesmo com essa desaceleração, alguns veículos ainda estão sendo negociados pela plataforma por valores acima da tabela FIPE. “Em outubro, por exemplo, os preços ainda estão 6% acima daqueles praticados em janeiro deste ano”, aponta Luca Cafici, CEO e fundador da InstaCarro. 

No Top 10 do ranking da startup, que considera os veículos negociados apenas pela plataforma, o FIAT 500, modelos 2014 e 2012, foram os mais valorizados, com 9% e 8%, respectivamente, em relação a tabela.

Como fazer um bom negócio?

Apesar do momento não ser o ideal para trocar de carro, algumas pessoas precisam de um veículo para trabalhar, por exemplo. Então, quem precisa ou quer muito e já decidiu que vai comprar ou trocar de carro ainda em 2021, é preciso ter alguns cuidados antes de fechar o negócio.

Geralmente, a hora certa de trocar de carro é quando os custos com a manutenção começam a aumentar. Os especialistas afirmam que antes disso acontecer, não há necessidade de trocar de veículo.

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Por isso, pesquise preços e tenha em mente o valor que você deseja ou pode pagar pelo carro que pretende adquirir. Visite no mínimo três lojas e não se acanhe em fazer contrapropostas para conseguir, senão o valor que você deseja ou pode pagar, um preço bem próximo disso.

Para quem vai financiar, além de uma boa pesquisa, Azzoni aconselha fazer as contas e não focar apenas no valor das parcelas. “Eu posso fazer um financiamento de 36 meses ou 33 meses e a parcela ficar em torno de mil reais, mas se eu somar todas as parcelas mais a entrada, eu vou estar pagando quase o dobro ou triplo do valor do carro”. 

Desta forma, a dica é nunca entender o valor da compra do carro apenas pelo valor da parcela. Sempre faça as contas. Multiplique o número de parcelas pelo valor para ter certeza de que está fazendo um bom negócio. 

“Isso porque lá na frente você vai vender esse carro. Todo carro quando sai da concessionária já sofre uma perda muito grande – tem uma depreciação de 20 a 25% em média.  Então, se ainda por cima você ainda teve um incremento de juros em cima dele, você vai perder muito mais dinheiro”, explica o economista.

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Lembre-se também que a parcela pode fazer parte do orçamento mensal por alguns anos. Não esqueça de ajustar as prestações do automóvel e os gastos do dia a dia com o veículo às outras despesas previstas no orçamento.

Além disso, é importante incluir na conta custos com manutenção, combustível, impostos, seguro, revisão e depreciação do automóvel. E, por fim, vale se questionar se comprar um automóvel é realmente a melhor escolha.

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2 comentários

  1. Thiago Molina

    Paguei o score aprovado faz mais de 1 mês e até agora meu score não subiu e quetei todas as minhas dividas atrasadas e até agora não vi resultado pode me explicar

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