Como a lentidão na vacinação contra Covid-19 pode afetar a economia do Brasil

Além de reduzir a crise sanitária, a vacinação ainda pode afetar o mercado de trabalho, o PIB e a economia brasileira. Veja os impactos.

Cindy Damasceno

Em meio à uma segunda onda e com uma campanha de vacinação lenta, além da perda física, o Brasil pode ter perdas na economia: o alcance insuficiente da imunização acende o alerta vermelho para alguns setores comerciais do país. 

O rompante de casos, a consequente letalidade da doença, — pelo menos 439.050 brasileiros morreram em decorrência do coronavírus (Sars-Cov-2), de acordo com a última atualização do Ministério da Saúde (MS), nesta quarta-feira, 19 —, preocupa quem avalia o mercado financeiro. Isso porque as medidas de contenção, o fechamento do comércio e o distanciamento social afetam a economia brasileira. 

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Em março, um dos momentos mais drásticos da pandemia, este ano, 500 banqueiros, economistas e especialistas em finanças assinaram carta cobrando ações mais intensivas do Governo Federal. 

A demora na vacinação é mencionada no documento, que conta como endossadores o banqueiro Pedro Moreira Salles, e os ex-ministros da Fazenda Maílson da Nóbrega e Pedro Sampaio Malan. 

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A reportagem do iDinheiro questionou o Ministério da Economia sobre a influência do andar da vacinação na economia. A Pasta respondeu, por nota, que a preocupação do Ministério sobre o andamento da vacinação consta no Boletim Macrofiscal Econômico, publicado na última terça, 18. 

O documento reforça a importância da vacinação em massa, e prevê o impacto da campanha no Produto Interno Bruto (PIB): a cada aumento de 10 pontos percentuais nas doses aplicadas por 100 mil habitantes, a “projeção do crescimento do PIB do país no ano corrente em 0,13 p.p. para cima, em média”. 

No ranking internacional do projeto Our World in Data, o Brasil é o 85° país em porcentagem de população vacinada — com 17,10% dos brasileiros com primeira dose. O país está atrás de vizinhos latinos como a Argentina (17,81%) Uruguai (28%), o Chile (47,48%), em números absolutos.

Vacinação, PIB, e empregos: o que dizem os especialistas em economia

Mesmo que o atraso na imunização brasileira esteja nas pautas mais recentes, o passo lento da vacinação pode afetar a economia do país nas próximas décadas. O relatório mais recente do Instituto Fiscal Independente do Senado Federal (IFI), divulgado em maio, aponta para as divergências econômicas para os próximos anos.  

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Isso porque apesar de projetar um gasto menor com a pandemia em 2021 — R$ 105,6 bilhões de reais, contra R$ 520 bilhões no ano passado — o relatório de acompanhamento mensal chama atenção para o controle da doença em solo brasileiro. O contexto, informa o documento, é “permeado de incertezas quanto à duração da pandemia e ao ritmo da vacinação”.

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Vacinação no Brasil em dados

A aplicação das vacinas varia de cidade a cidade. Quer saber como está a vacinação no seu município? o iDinheiro listou a quantidade de imunizantes pelo Brasil. Basta preencher os campos a seguir para acompanhar como está a campanha na sua vizinhança!

O dinheiro direcionado para o acompanhamento da pandemia também entra na equação, já que repercute no PIB. “Na próxima década e meia nós ainda vamos colher frutos negativos dessa paralisação. Houve uma baixa arrecadação, o PIB não cresceu. Isso traz efeitos na renda da população”, articula o docente da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap), Ahmed Sameer El Khatib.

O impacto no Produto Interno Bruto também é colocado pelo economista Cláudio Considera, pesquisador associado da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Com a morosidade na vacinação, pontua o especialista, quem mais sofre é o setor de serviços. “Bares, restaurantes, toda essa parte de hotelaria, representa 68% do PIB. Se não houver vacina nós estamos fadados a não crescer, a não retormar”, articula. 

Em conversa com os especialistas, o iDinheiro listou as áreas que podem sofrer alguma influência da lentidão na vacinação.

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Empregos

Sem doses suficientes para todos, os setores que dependem do fluxo de pessoas podem sofrer a longo prazo. A categoria de serviços é responsável por boa parte dos empregos brasileiros — cerca de 5,4 milhões de pessoas dependem da área para sobreviver. A última Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) reforça a crise no setor: de fevereiro para março deste ano, as empresas de serviços acumularam queda de 4%.

O índice de desemprego do Brasil aumentou nos últimos meses: pelo menos 14,2% da população está fora do mercado de trabalho formal, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Renda

Diretamente afetada pela disponibilidade de emprego, a renda do brasileiro também pode diminuir por conta da lentidão. O professor Ahmed explica os motivos para a diminuição. “As contas do Governo do vermelho na próxima década, somado a um baixo investimento no Brasil, fazem com que o consumidor sofra no bolso. Queda na renda, alta no bolso, além do desemprego”, conclui. 

PIB

Baixa arrecadação e direcionamento de caixa para combate à pandemia, estão entre os motivos para evitar estender a crise sanitária. “A continuidade da pandemia atrapalha o funcionamento da nossa economia interna”, pontua o economista Cláudio Considera.

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