Copom realiza aumento de 0,75p.p. na Selic e eleva taxa para 4,25% ao ano em junho

A elevação da Selic em junho leva em consideração o avanço das expectativas da inflação e projeta a retomada econômica da economia. Veja como a alta te afeta.

Heloisa Vasconcelos
Heloísa Vasconcelos

A reunião de junho do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu pela terceira alta consecutiva na Selic. A taxa básica de juros subiu 0,75 p.p., chegando a 4,25% ao ano — o maior patamar desde fevereiro de 2020. 

O mercado financeiro já esperava a alta, que havia sido sinalizada pelo Copom em ata divulgada após a última reunião. A Selic segue em trajetória de alta desde março deste ano, após ter chegado ao menor patamar histórico no ano passado, em 2% ao ano. Segundo o Copom, uma alta de mesma magnitude pode ocorrer na próxima reunião, prevista para agosto.

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A alta atual é justificada pelo avanço das expectativas de inflação. Na última quarta-feira, 9, o IBGE divulgou que a inflação oficial do país, o IPCA, fechou o mês de maio em 0,83%, o maior valor em 25 anos.

O último boletim Focus, divulgado na última segunda-feira, 14, prevê o IPCA em 5,82% ao final de 2021. O valor é acima da meta estabelecida pelo Banco Central — o centro está em 3,75%, com tolerância de 1,5 p.p. para mais ou para menos.

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Apesar da alta da Selic, o impacto na inflação não deve ser sentido no curto prazo. Outros efeitos chegam mais rápido, como a rentabilidade da renda fixa e o custo do crédito. Entenda.

O porquê da alta da Selic em junho

Desde o final de 2015 o Banco Central traçava uma trajetória de queda na Selic que, àquela época, estava em 14,25%. Com a pandemia e a necessidade de estimular a economia para evitar uma estagnação econômica, foi necessário manter durante alguns meses a taxa no menor patamar histórico.

A Selic é o principal instrumento da autoridade monetária para controlar a inflação, o que deveria significar que, maior a inflação atual, maior deve ser a taxa para controlar. Contudo, especialistas apontam que a taxa foi mantida “ficticiamente baixa” para manter o consumo no momento de crise.

“Agora a gente tem observado essa volta, mais uma normalização que uma alta de contração da economia. Estimamos em 5,5% no final de 2021, acreditamos que é uma taxa que controla a inflação mas ainda estimula a economia”, sugere a economista-chefe do TC, Fernanda Mansano. 

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O economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanches, acrescenta que alguns fatores tornaram a situação propícia para o aumento de juros com base no aumento atual da inflação.

“Nós temos um ambiente no qual está tendo um processo inesperado de aumento da atividade. Isso tem feito uma elevação na perspectiva de inflação. Formou-se uma conjuntura a qual formou-se um ambiente propício para elevação de juros”, destaca.

Como isso te afeta?

Apesar de haver previsão de que a alta da Selic impacte a inflação, aumentando o poder de compra dos consumidores, esse efeito não deve ser sentido no curto prazo. Étore afirma que as altas realizadas neste ano pelo Banco Central têm em vista a inflação do ano que vem, quando a economia deve estar mais aquecida com o avanço da vacinação.

“Nas nossas estimativas, de 9 a 12 meses para haver o primeiro impacto, com pico no período de 12 a 15 meses. O impacto não chega para tudo de uma vez só, os mercados vão se adequando aos novos patamares de juros”, diz.

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Ele aponta como principal efeito da alta da Selic em junho a propensão do consumidor a consumir neste momento. Com a elevação dos juros, a tendência é que as pessoas prefiram guardar dinheiro a gastar. 

Apesar de o impacto na inflação e preço de produtos não ser imediato, quem investe ou quer contratar empréstimos ou financiamentos já deve sentir de forma imediata o 0,75p.p. a mais na Selic.

Com o aumento, a rentabilidade de investimentos de renda fixa cresce. E, em contraponto, os juros cobrados pelos bancos também aumentam.“Essa facilidade de trocar um empréstimo para o outro, negociar a taxa, pode se tornar um pouco mais difícil. Isso é bem rápido em comparação com toda a dinâmica da inflação”, aponta Fernanda. 

Segundo ela, o impacto para a renda variável com o aumento da Selic deve ser baixo. Ela recomenda que, para o investidor que conhece e aceita tomar riscos, esse ainda é um momento de diversificação de investimentos.

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O que esperar para os próximos meses

O movimento de alta na Selic deve continuar nos próximos meses. O último boletim Focus aumentou para 6,25% a previsão de como a taxa básica de juros encerrará o ano de 2021. Há uma semana, a previsão era de que a Selic terminasse o ano em 5,75%.

No comunicado da reunião do Copom encerrada nesta quarta-feira, 16, sinalizou ser indicado para os próximos meses “a normalização da taxa de juros para patamar considerado neutro” para mitigar os efeitos sobre a inflação.

Segundo o comitê, outro ajuste na mesma magnitude deve ocorrer em agosto. “Para a próxima reunião, o Comitê antevê a continuação do processo de normalização monetária com outro ajuste da mesma magnitude. Contudo, uma deterioração das expectativas de inflação para o horizonte relevante pode exigir uma redução mais tempestiva dos estímulos monetários. O Comitê ressalta que essa avaliação também dependerá da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e de como esses fatores afetam as projeções de inflação”, informou.

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