Segunda fase do open banking deve tornar o mercado de crédito mais atrativo para o consumidor; entenda

Na segunda fase do open banking, consumidor poderá compartilhar suas informações pessoais com instituições financeiras. Entenda como a ação pode contribuir no acesso ao crédito.

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Ana Júlia Ramos

A segunda fase do open banking, inicialmente prevista para a última quarta-feira, 14, foi adiada para agosto. Alterações no cronograma foram realizadas pelo Conselho Monetário (CMN) e pelo Banco Central (BC) e têm como justificativa a maior necessidade de testar o sistema de compartilhamento de dados das instituições financeiras. 

O fundador e CEO da Bom Pra Crédito, Ricardo Kalichsztein, aponta que esse processo vai impulsionar uma série de facilitadores no processo de concessão de crédito, na medida em que as empresas terão acesso a informações mais ricas sobre o histórico financeiro do consumidor.

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O iDinheiro ouviu especialistas no mercado de crédito para avaliar as relações entre a segunda fase do open banking e o mercado de crédito, destacando qual será o impacto positivo, na prática, para o consumidor. 

Segunda fase do open banking promete benefícios na solicitação de crédito, entenda

Para destacar a importância da segunda fase do open banking no mercado de crédito, Ricardo Kalichsztein faz uma analogia com a vida real.

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“Vamos pensar em uma situação específica. De um lado, tenho em mãos a fotografia de alguém. A partir dessa imagem estática, consigo fazer uma análise inicial e tirar conclusões específicas sobre quem ela pode ser. Por outro lado, tenho acesso não apenas a uma fotografia, mas um filme completo de uma segunda pessoa”, inicia.

“No segundo caso, temos informações mais completas e conseguimos acertar muito mais naquelas previsões que fizemos inicialmente”, conclui.

O mesmo ocorre no mercado de crédito, aponta o especialista. Quanto mais detalhadas forem as informações financeiras de uma pessoa, mais robusta é a análise feita pelas instituições responsáveis pela aprovação.

“Pense em um cliente que paga as contas com quatro dias de atraso todos os meses. A informação inicial que pode ser interpretada pelos bancos é que não estamos lidando com um bom pagador. No entanto, existem conclusões mais profundas que podem justificar esse comportamento padrão. Seria o caso dessa pessoa receber o salário sempre após o vencimento de algumas contas que não conseguiram ter a data de vencimento alterada”, exemplifica.

Hoje em dia, apenas as instituições financeiras em que uma pessoa tem conta podem acessar esses dados. Será possível, então, “transferir” o histórico do cliente para qualquer outra empresa, que, por sua vez, poderá acessar informações mais ricas e que terão influência direta na oferta de boas margens de crédito, tarifas e condições gerais para contratar serviços como o empréstimo.

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Em conversa com o iDinheiro, a Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN) destaca que com devida autorização, na segunda etapa etapa será possível compartilhar as informações de cadastro (como nome, endereço e CPF), bem como dados de movimentação financeira (informações sobre contas e operações de crédito, como empréstimos e financiamentos).

Ainda de acordo com a instituição, um dos benefícios na prática seria o acesso a propostas de crédito, de investimentos e de serviços mais personalizados e que tragam melhores condições ao cliente.

Kalichsztein afirma que outra vantagem é a possibilidade de fazer uma análise do comportamento positivo do consumidor e não apenas no negativo, que até então era a principal prática realizada no Brasil por empresas de concessão de crédito.

“Até então, no cenário nacional, o mercado se baseava em informações negativas. O nome sujo, por exemplo, é algo que fica marcado, exposto”, afirma.

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O compartilhamento de informações completas e contextualizadas será importante, então, para proporcionar uma análise mais “justa” de perfis que possivelmente não receberiam ofertas atrativas somente com as informações superficiais as quais os bancos já têm acesso.

Compartilhamento das informações não será automático, consumidor pode optar por não divulgar os seus dados

Ao ser questionada a respeito da segurança dos dados do consumidor Brasileiro, a FEBRABAN aponta que todas as operações do Open Banking ocorrem em um ambiente com diversas camadas de segurança, seguindo padrões consolidados internacionalmente.

“O setor bancário é regulado pelo Banco Central, tendo que cumprir normas relativas ao armazenamento de dados em nuvem, bem como por ter os cuidados e controles necessários para tratamento de dados que envolvem sigilo bancário”, diz.

Além disso, dados apontam que os bancos já vêm investindo cerca de R$ 25,7 bilhões em tecnologia, sendo que deste total, 10% são voltados para a cibersegurança.

Veja outras informações importantes que dizem respeito ao compartilhamento das informações.

  • O consentimento do cliente será dado sempre por meio eletrônico, incluindo autenticação do cliente no canal do banco com o qual ele tem relacionamento;
  • Não será solicitada nenhuma informação ao cliente que o banco já não tenha;
  • O cliente saberá quais dados serão compartilhados, qual instituição receberá seus dados, a origem da instituição de onde o dado está sendo compartilhado, e por quanto tempo isto irá ocorrer;
  • O compartilhamento de dados no Open Banking deverá atender a uma finalidade específica, como, por exemplo, oferecimento de melhores condições na oferta de produtos e serviços;
  • A autorização é por tempo determinado e para uma finalidade específica.

Por fim, no momento em que desejar cessar o compartilhamento das informações, o cliente terá esse direito assegurado.

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