Cartão de crédito consignado: saiba quais os cuidados para não comprometer a renda

O cartão de consignado funciona como um crédito comum. A diferença é que parte da fatura é descontada diretamente do salário do contratante. Saiba os riscos e vantagens desse produto.

Júlia Ennes
Júlia Ennes

Os cartões de crédito consignados, na prática, funcionam como um cartão de crédito comum, que pode ser usado para fazer compras no comércio, saques ou pagar serviços. A diferença é que, do mesmo modo que o empréstimo consignado, as taxas de juros são mais baratas e a parte da fatura é descontada diretamente do salário de quem contrata o produto.

Sendo assim, seu público-alvo é restrito aos aposentados e pensionistas do INSS, além dos servidores públicos, inclusive os que pertencem às forças armadas. No entanto, algumas instituições financeiras também oferecem essa linha de crédito a funcionários de empresas privadas que possuem convênio de consignação com elas.

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As taxas de juros ofertadas nesse tipo de produto são mais baixas, porque o risco de que o tomador fique inadimplente é menor do que em outras modalidades de crédito. Porém, segundo especialistas, ainda é preciso tomar alguns cuidados na hora de adquirir um produto consignado.

Pensando nisso, o iDinheiro conversou com especialistas em finanças para entender melhor quais as vantagens e riscos de um cartão de crédito consignado. Confira a seguir.

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Como funciona o cartão de crédito consignado

Nesse tipo de crédito, parte da fatura do cartão descontada no holerite pode corresponder a até 5% do seu salário. Isto é, se uma pessoa recebe R$ 3.000,00, 5% representariam R$ 150,00. É importante ressaltar que isso não é o mesmo que o limite do cartão.

Os cartões consignados funcionam como cartões de crédito comuns. Sendo assim, o limite pode ser bastante flexível. É comum que com uma renda de R$ 5.000,00, seu limite seja de R$ 10.000,00, por exemplo. Independente do quanto for gasto no mês, só será debitado automaticamente os 5%. O restante deverá ser pago manualmente, com boleto ou da forma que ficar definida por contrato.

O produto é ofertado pelas instituições financeiras que operam as contas-salário dos funcionários públicos civis e militares e de beneficiários do INSS. Os cartões consignados nem sempre trazem esse nome. O produto às vezes é encontrado com o nome “Cartão do Aposentado”, “Cartão do Funcionário Público”, ou similares.

Cartões de crédito consignados: quais riscos e vantagens?

Segundo os especialistas consultados, a maior vantagem do cartão de crédito consignado é o fato dele ter taxas de juros menores (giram em torno de 3 a 5% ao mês) do que o cartão tradicional (normalmente entre 12 a 14% ao mês). Além disso, a maioria desses cartões não possui anuidade nem taxa de manutenção, o que o torna mais barato.

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“Os riscos são os mesmos de um cartão de crédito comum: o descontrole nos gastos, por dispor de crédito. A vantagem é a baixa taxa de juros cobrada quando comparada com as taxas dos cartões “normais” de instituições financeiras”, explica o coordenador do MBA de gestão financeira da FGV, Ricardo Teixeira.

Essas taxas só são cobradas quando o consumidor do crédito não consegue pagar a fatura dentro do prazo ou opta pelo pagamento mínimo. Sendo assim, os cuidados com o cartão consignado são os mesmos que se deve ter com o cartão de crédito comum.

A mestre em educação financeira pela Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin) Cíntia Senna destaca que independente do cartão de crédito ser consignado ou não, é importante sempre pagar as faturas em dia. “Quando a gente fala de cartão de crédito, o importante é não pagar o mínimo ou deixar de pagar, independente de ser consignado ou não. Isso porque as taxas são sim relevantes, altas e impactam bastante no nosso dia a dia”, explica. 

Cartão de crédito consignado X Empréstimo consignado

São serviços diferentes, apesar de partirem da mesma premissa de funcionamento. No caso do empréstimo, assim como no cartão, o valor da parcela é diretamente descontado da folha de pagamento do tomador. No entanto, a porcentagem que é descontada é maior, não podendo exceder 30% da renda líquida mensal.

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Uma outra diferença é em relação às taxas de juros. Apesar de mais barato que outras modalidades de empréstimo, o empréstimo consignado – assim como qualquer – o tomador é obrigado a pagar taxas de juros. Já no caso do cartão, as taxas são cobradas apenas em caso de não pagamento da fatura total em dia.

Sendo assim, segundo Senna, é preciso avaliar as necessidades, se atentando aos riscos, antes de contratar um produto de crédito consignado. “O que tem que ser avaliado é qual é a minha necessidade para que eu possa entender se no momento que eu vou precisar de um empréstimo, e para isso eu vou ter juros, ou se eu só preciso de um cartão, que vai ter um limite para utilizar no meu dia a dia e que eu vou honrar o pagamento disso sem qualquer juros”, explica.

Além disso, há a possibilidade de combinar um empréstimo com um cartão consignado. Segundo Teixeira, combinar os dois pode ser uma boa opção, desde que se faça um bom planejamento para não cair “na armadilha” do crédito fácil.

No empréstimo consignado, existe uma norma de que as parcelas cobradas não podem exceder 30% da sua renda líquida mensal. Mas se adquirir também um cartão consignado é permitido que você comprometa mais 5% de sua renda mensal no contracheque. Assim, é possível ter até 35% de renda onerada. 

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Leia também: O que é empréstimo consignado? Como ele funciona na prática?

Cuidados para não atrapalhar as finanças

Segundo os especialistas consultados, a palavra-chave para evitar problemas financeiros ao usar o cartão de crédito é planejamento. Além disso Cíntia esclarece que existe uma diferença entre ter dívidas e estar inadimplente. 

“Na verdade, todos nós somos endividados. O que a gente tem que entender é qual é o grau de comprometimento dessas dívidas no nosso dia a dia. É entender o que eu estou comprando, como estou comprando, qual é o meu ganho mensal hoje e o quanto que eu quero me comprometer, não esquecendo de também ter os meus desejos, as minhas necessidades, meus sonhos”, explica Senna. 

Segundo ela, tendo esse orçamento mais organizado e conhecedor de qual que é o balizamento para conseguir ter um endividamento sustentável, ou seja, que não comprometa todo esse meu ganho, é importante para evitar se tornar inadimplente. “É a inadimplência que é a consequência das pessoas que fazem dívidas e não conseguem honrar elas nos seus respectivos vencimentos”, afirma.

Para isso, Teixeira aconselha evitar compras por impulso e compras parceladas por longos períodos. Uma dica, de acordo com ele, é nunca permitir que sua fatura no mês (incluindo compras parceladas) ultrapasse 20% da sua renda líquida.

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