Após atingir recorde de US$ 58 mil no final de semana, Bitcoin deve sofrer quedas

O Bitcoin teve novo recorde, ultrapassando US$ 58 mil. A previsão para os próximos dias é de queda, mas investimento é indicado a longo prazo.

Heloisa Vasconcelos
Heloísa Vasconcelos

O Bitcoin tem quebrado recorde nos últimos meses. Em dezembro, a criptomoeda bateu a então máxima histórica de US$ 20 mil. Depois, ultrapassou os US$ 40 mil e, no último domingo, 21, atingiu o recorde de US$ 58.330. Após todas essas altas, é esperado que o Bitcoin sofra quedas.

A manutenção do valor já está ocorrendo e pode continuar nos próximos dias. Na última segunda-feira, 22, a criptomoeda caiu cerca de 10%, chegando à cotação de US$ 53 mil. Na tarde desta terça-feira, o Bitcoin já chegou à faixa de US$ 47 mil.

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Para analistas, a queda da cotação logo após a criptomoeda atingir recordes já era um movimento esperado. A queda a curto prazo pode chegar a até 50%, mas a expectativa para o ano é de estabilidade e novas altas.

O porquê do novo recorde do Bitcoin

O Bitcoin vem de um 2020 que possibilitou crescimentos inesperados diante de uma maior confiança do investidor. Em doze meses, o Bitcoin valorizou 419%. Somente em 2021 esse percentual corresponde a 83%, segundo dados da Economatica em dezembro de 2020 e da Morningstar em fevereiro de 2021.

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Em meio à pandemia, várias empresas grandes como PayPal, Garyscale, JP Morgan, Microstrategy e ETC Group começaram a investir na criptomoeda como reserva de valor. 

Além disso, investidores famosos começaram a ver no ativo uma possibilidade de diversificação de investimentos, o que fez com que mais pessoas perdessem o medo e decidissem investir em criptomoedas.

“O Bitcoin foi visto por muito tempo como algo de desconfiança, sempre houve um preconceito. Quando você vê investidores de empresas grandes investindo muito dinheiro em Bitcoin, traz uma chancela muito grande”, aponta a gerente da Binance Research no Brasil, Mayra Siqueira.

O pico do final de semana, inclusive, veio logo após o bilionário Elon Musk anunciar que a Tesla investiu US$ 1,5 bilhão em Bitcoin e que a empresa aceitará a criptomoeda como meio de pagamento.

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Dá para prever novas quedas do Bitcoin?

É de se esperar que, logo após o pico, venha uma descida. É difícil, porém, prever o quão grande e quão rápida será a queda. 

O CEO da Brasil Bitcoin, Marco Castellari, chuta que nos próximos dias o valor da criptomoeda deve cair entre 10% e 50%. A tendência a longo prazo, apesar disso, é de alta.

“É uma queda que vai ser rápida, não acho que vai ficar muito em queda, vai acontecer de uma vez só, em dias, e depois deve estabilizar. Depois deve sim voltar a subir, não sei com qual velocidade”, destaca.

Mayra considera que o valor não deve cair abaixo de US$ 30 mil. Para ela, não deve ocorrer outro pico histórico ainda este ano. “Não acho que vai ter uma nova alta muito incrível de se consolidar. Tem muita coisa envolvida para ter uma alta significativa. Tem gente que falou que vai terminar o ano em 100 mil, isso eu não acredito que aconteça”, afirma.

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A “bolha” do Bitcoin pode estourar?

O crescimento expressivo dos últimos meses teve motivos reais e não apenas especulação. Portanto, esse movimento não pode ser considerado como bolha.

Uma coisa é tida como certa pelos especialistas em criptomoedas: o Bitcoin vai continuar a subir. Isso porque o próprio documento que criou o ativo define uma quantidade limitada de moedas, o que faz a relação de oferta e demanda aumentar os preços.

Mayra considera improvável que o valor do Bitcoin algum dia chegue a zero. Ela percebe que a tecnologia do blockchain nas criptomoedas é o futuro dos meios de pagamento. 

“Pela tecnologia que existe por trás do Bitcoin, acho que a gente está em um caminho totalmente sem volta. O que pode acontecer é a tecnologia se desenvolver de tal forma que o Bitcoin pode se tornar uma criptomoeda desatualizada”, prevê.

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Para o  CEO da BitcoinTrade, Bernardo Teixeira, se tornará cada vez mais comum o investimento institucional de empresas na criptomoeda. 

“Além disso, veremos uma grande democratização das criptomoedas, sendo cada vez mais fácil se tornar um investidor”, aposta.

Não se sabe com certeza, qual será o novo recorde do Bitcoin. Calculando com base no Market Cap do ouro, Bernardo estima que o Bitcoin pode aumentar de valor em até 10 vezes; ou seja, chegando a US$ 500 mil.

Também não dá para precisar em quanto tempo a criptomoeda atingirá esse patamar. Mas, devido à alta volatilidade da moeda, fatores como notícias e simples posicionamentos de bilionários conseguem gerar picos de até 10% em apenas um dia.

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Deve haver novo recorde do Bitcoin? Ainda vale a pena investir?

Devido ao cenário com possibilidade de quedas do Bitcoin e à volatilidade própria do ativo, é importante que o investidor tenha em mente o objetivo antes de investir em criptomoedas

“Se pretende esperar valorização a curto e médio prazo, de seis meses a um ano, não aconselho. Mas, se precisará do recurso só a longo prazo, como uma aposentadoria, vale a pena sim”, indica Marco.

Segundo ele, quem quer atuar como day trader (modalidade de compra e venda em um mesmo dia) também pode ter lucros. Mas, para isso, é preciso conhecer bastante o mercado. “Até na queda pode se ganhar, só precisa se estudar quais as operações que trazem lucro mesmo em queda”, explica.

No entanto, já que o ativo ainda deve ter bastante valorização ao longo do tempo, ainda que com pontuais quedas, a principal indicação é investir em Bitcoin com foco no longo prazo.

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“Se você tem um pensamento de longo prazo, e está disposto a ver uma pequena parte do seu capital ser reduzida com as fortes correções, então é sempre um bom momento para comprar. O ideal é fazer compras parciais, o que irá reduzir muito o seu risco caso ocorram correções. Pense no acúmulo de Bitcoins para longo prazo e jamais invista mais do que você pode perder”, resume Bernardo.

O ideal é considerar o perfil do investidor para definir a porcentagem de alocação dentro da carteira. E, além disso, estudar sobre o funcionamento da moeda antes de entrar de cabeça no mercado em busca de lucros fáceis.

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