Real brasileiro é a moeda mais barata do mundo emergente, diz BofA

O real brasileiro é a moeda mais barata do mundo emergente, segundo o novo modelo de taxa justa de câmbio divulgado pelo Bank of America.

Cristina Boscolo
Cristina Boscolo

O real brasileiro é a moeda mais barata do mundo emergente, segundo o novo modelo de taxa justa de câmbio divulgado pelo Bank of America (BofA). A conclusão ocorreu mesmo após o valor justo para a moeda ter sofrido a maior depreciação em uma lista de pares. 

Chamado de Compass BEER, o novo modelo de cálculo do BofA analisa um período entre dois e quatro anos e inclui diversos elementos sobre o modelo BEER de taxa justa de câmbio, como diferencial de crescimento entre países emergentes e desenvolvidos, spread de CDS e fração de emergentes no portfólio global.

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Estão contemplados ainda fatores como produtividade relativa, diferenças de taxas de juros, termos de troca e ativos externos líquidos.

Moeda mais barata do mundo emergente: confira

De acordo com esse novo cálculo, o real brasileiro está 24% mais barato do que o sugerido pelos fundamentos – o que representa o maior desvio negativo em uma lista de 20 moedas emergentes. Na sequência, estão o dólar de Cingapura (-18%) e o iuan (-15%). Já do lado oposto estão o rand sul-africano (+5%), o peso argentino (+4%) e a rupia indiana (+4%).

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Em nota, estrategistas do Bank of America afirmaram que as grandes subvalorizações encontradas são um pouco intrigantes “considerando que os períodos de alta das commodities tendem a vir com o dólar fraco e fortalecimento das moedas emergentes”

Segundo a análise, o valor justo para o real brasileiro estaria em R$ 4,26 por dólar

A moeda também ocupa a pior posição em um cálculo que leva em consideração valuations multilaterais, contra outras moedas além do dólar americano. 

De acordo com essa conta, a divisa está 20,3% abaixo do sinalizado pelos fundamentos.

Depreciação após a crise da pandemia

O Bank of America também mediu o tamanho da depreciação das taxas justas de câmbio após a crise causada pela Covid-19.

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A análise foi feita com dados do segundo trimestre de 2020 e levou em consideração que a pandemia desvalorizou as moedas não apenas em termos reais ou nominais, mas que mexeu com as métricas de fundamento – trazendo impacto nos valores justos de taxas de câmbio.

Neste cenário, o real brasileiro também liderou a queda com uma baixa de 18%, seguido imediatamente pelo rand sul-africano, que declinou 15%.

O BofA calculou ainda a recuperação de valuations das moedas entre o segundo trimestre de 2020 e o primeiro trimestre de 2021. Neste período, a taxa justa do real subiu 1%, enquanto outras moedas como peso colombiano, iuan, sol peruano e peso chileno valorizaram entre 5% e 12%.

O banco americano explicou que, em alguns casos, a relação entre os preços dos ativos e os fundamentos econômicos pode não ser linear. Isso significa que mudanças aparentemente pequenas nos fundamentos podem levar a correções agudas nos preços dos ativos.

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Segundo a análise, o prêmio de risco idiossincrático pode explicar desvios do modelo em relação às taxas de câmbio observadas – o que o BofA acredita ser o caso do valuation do real brasileiro atualmente.

A moeda do Brasil caiu 6,3% ante o dólar americano em termos nominais, sendo o terceiro pior desempenho do ano. As outras duas únicas moedas que caem mais são o peso argentino (-10,1%) e a lira turca (-8,2%). 

De acordo com analistas do mercado, a fraqueza do real ocorre sobretudo devido ao risco fiscal elevado no país, o que traz incertezas sobre a sustentabilidade da dívida e as possibilidades de impactos sobre tendências de crescimento econômico no Brasil.

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