Preço dos combustíveis tem nova alta a partir de hoje; entenda o porquê

O diesel terá aumento de 4,4% nas refinarias e a gasolina, de 5,05%. Preço dos combustíveis segue tendência internacional.

Heloisa Vasconcelos
Heloísa Vasconcelos

Após alta de 7,6% na gasolina na semana passada, o preço dos combustíveis sofre novo aumento. A partir desta quarta-feira, 27, a gasolina terá alta de 5,05% nas refinarias e o diesel, de 4,4%

Esse é o primeiro aumento ano ano no diesel, que terá alta de R$ 0,09 no litro e custará R$ 2,12 nas refinarias. A gasolina chegará a R$ 2,08 por litro, sendo que terminou 2020 em R$ 1,84.

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As altas vêm seguindo uma tendência internacional de aumento nos derivados de petróleo. 

Entenda como a formação do preço da gasolina e do diesel, o porquê dos aumentos recentes e como os reajustes devem pesar nas bombas.

Que variáveis afetam o preço dos combustíveis?

O economista e professor da FGV, Mauro Rochlin, explica que basicamente três pilares definem o preço da gasolina e do diesel mundialmente: o preço da matéria prima (no caso, o petróleo), o câmbio do dólar e a tributação no país.

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Como no Brasil os tributos que incidem sobre os combustíveis são fixos, é a volatilidade dos outros dois fatores que faz com que o preço mude. E ambas variáveis têm muitas oscilações, mesmo durante um só dia.

“Se pegar o que aconteceu nas últimas semanas no preço do petróleo e no dólar, houve uma alta razoável. Está havendo uma correção dos preços internos aos preços externos”, resume. 

A alta desta semana e da semana anterior condiz com o atual momento da economia global, de expectativa de retomada da atividade econômica após o pico da pandemia em 2020. 

No final de março, devido à menor demanda ocasionada pelo isolamento social, o preço do barril de petróleo tipo Brent chegou a US$ 22. Na tarde desta quarta-feira, o mesmo produto custa US$ 56,02, com tendência de alta.

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Ao mesmo tempo, o real foi a moeda que mais se desvalorizou frente ao dólar em 2020, tornando o produto mais caro para o Brasil.

Da refinaria às bombas

O aumento da Petrobras nas refinarias não tem repasse igualitário aos consumidores. Isso porque o preço da gasolina e do diesel sofre diversos acréscimos até chegar às bombas.

No caso da gasolina, por exemplo, a Petrobras define apenas 29% do valor do combustível. O consumidor ainda paga CIDE, PIS/Pasep, Cofins, ICMS, custo do etanol anidro que é adicionado à gasolina e custo de distribuição e revenda.

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Composição do preço do diesel (Fonte: Petrobras)
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Composição do preço da gasolina (Fonte: Petrobras)

Conforme o economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanches, apenas um terço do reajuste nas refinarias chega de forma direta ao consumidor.

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“O preço lá da bomba é só 29% do preço do combustível na bomba. você tem uma elevação de 9% na refinaria, vai ter só 3% chegando na bomba”, calcula.

Ele destaca que é difícil prever o quanto da alta terá impacto nos postos de gasolina, já que o preço é “livre”, definido por cada distribuidor.

É o que também ressalta, em nota, a Petrobras.

“Os preços da gasolina e do diesel vendidos na bomba dos postos revendedores são diferentes do valor cobrado nas refinarias pela Petrobras. Até chegar ao consumidor são acrescidos tributos federais e estaduais, custos para aquisição e mistura obrigatória de biocombustíveis pelas distribuidoras, além das margens brutas das companhias distribuidoras e dos próprios postos revendedores de combustíveis”, informa.

Possibilidade de alta nas próximas semanas

Étore estima que novas altas podem ocorrer nas próximas semanas. Cálculo realizado pela corretora com base no preço da gasolina no Golfo trazido em reais pelo câmbio spot aponta que ainda há defasagem entre o preço internacional e domiciliar da gasolina.

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Na última terça-feira, 26, antes do reajuste anunciado, a Ativa Investimentos previa uma defasagem de 14% do preço do combustível no Brasil comparado ao exterior. 

“A Petrobras deu 5%, ainda sobra cerca de 7% para que atinjamos a paridade do preço internacional. A companhia pode abrir mão de 7% de lucro, mas supondo margem constante, nós assistimos ainda um potencial altista”, aposta.

Segundo ele, essa alta deve ocorrer em curto prazo, nas próximas uma ou duas semanas. Ele reitera, porém, que, devido à volatilidade das variáveis que definem o preço do combustível, as previsões podem mudar.

Contudo, Mauro Rochlin destaca que é muito difícil afirmar com certeza uma tendência de alta ou de baixa no valor. 

“O dólar no Brasil é muito difícil de estimar para frente. O preço do petróleo também está sujeito a uma série de intempéries internacionais, se a pandemia vai ser debelada, se haverá algum tipo de desdobramento, como isso vai afetar a economia real. Se o mundo crescer rápido, vai depender de mais petróleo, aumentando o preço. As alterações de cenário vão definindo o valor do preço do petróleo”, diz.

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