O que é open banking? Entenda como o sistema deve afetar a sua vida financeira

A primeira fase do open banking começou no dia 1º de fevereiro. O sistema objetiva aumentar a competitividade no mercado com a abertura de dados.

Heloisa Vasconcelos
Heloísa Vasconcelos

O Banco Central deu início à implementação da primeira fase do open banking no dia 1º de fevereiro. A partir de agora, as instituições financeiras devem obrigatoriamente se preparar para permitir o compartilhamento de dados dos usuários.

O sistema, que objetiva aumentar a competitividade no mercado, será completamente instalado até o fim do ano. Com o open banking, os usuários poderão escolher ter dados compartilhados entre instituições, e, assim, obter melhores produtos financeiros e soluções de crédito.

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Mas, como funcionará essa troca na prática? O compartilhamento de dados por meio da plataforma é realmente seguro? Afinal, quais serão os verdadeiros benefícios para os clientes? 

Entenda.

O que é open banking?

Quando um cliente cria uma conta em um banco, aquela instituição passa a ter informações sobre aquela pessoa. E é a partir desses dados sobre o comportamento do usuário e histórico de transações que o banco oferece produtos e condições diferenciadas.

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Se um cliente paga sempre as contas em dia, por exemplo, o banco pode oferecer uma taxa de juros mais baixa para um empréstimo ou financiamento. Se, contudo, aquele usuário costuma atrasar pagamentos, é possível que ele tenha condições piores ou nem mesmo consiga o crédito.

“Os bancos mais estruturados conseguem desenvolver informações mais completas e os menores não. E, por isso, é criada uma assimetria, os bancos menores têm dificuldade em oferecer crédito de forma mais barata e eficiente”, explica o sócio do Godke Advogados e professor de movimentação financeira no Insper, Marcelo Godke.

A ideia do open banking é, então, abrir para toda a rede esses dados que antes estavam apenas nas mãos de bancos específicos.

A Inglaterra foi a precursora do sistema, que também já está em estudo em países como Estados Unidos, Austrália, Japão, União Europeia e Hong-Kong. 

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A possibilidade de implementação do open banking veio após a aprovação da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) no país. A lei estabelece que os dados do usuário pertencem a ele, e não à instituição bancária. E, portanto, o cliente tem o poder de escolher quem terá acesso a eles. 

“O cliente já tinha o direito de acessar a informação a qualquer momento. Agora ele pode decidir que a informação dele seja entregue a outros bancos”, esclarece.

Como funcionará o compartilhamento?

Esse compartilhamento de dados será feito por meio de APIs (application programming interface), que são, de forma simplificada, sistemas que funcionam como intermediários para possibilitar uma conversa entre outros sistemas. 

“Essa cultura de dados abertos já existe e as pessoas utilizam de outras formas. Qualquer pessoa pode fazer login em um site qualquer por meio do Facebook ou do Google, por exemplo”, exemplifica o CEO da Stark Bank, Rafael Stark, criador da primeira API bancária do Brasil.

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Por meio dessa tecnologia, bancos tradicionais, digitais e fintechs poderão “conversar” entre si para trocar dados sobre os usuários. Isso, claro, desde que haja autorização do cliente.

Após isso, instituições bancárias poderão entrar em contato com o usuário para oferecer diferentes produtos e serviços. 

Sistema será implementado em fases

Segundo o Banco Central, todas as instituições bancárias do país que tenham porte superior a 1% do PIB brasileiro são obrigadas a participar do open banking. Ao todo, são 1.065 empresas que deverão implementar o sistema, incluindo todos os grandes bancos do Brasil e instituições menores e cooperativas.

A implementação do sistema ocorre em 4 fases:

  • Fase 1: Iniciada no dia 1º/2, essa fase estabelece a abertura dos dados das instituições, incluindo os canais de atendimento e os produtos e serviços que oferecem. Ainda não ocorre compartilhamento de dados de clientes.
  • Fase 2:  Essa fase tem início no dia 15/7. Nela, o cliente poderá compartilhar dados pessoais de cadastro, como nome completo, CPF/CNPJ, telefone, endereço e dados de transações relativas aos produtos e serviços relacionados à conta. O compartilhamento só ocorre mediante autorização prévia.
  • Fase 3: Com início em 30/8, essa fase marca o início de pagamentos fora do ambiente do banco. Será possível que clientes compartilhem o histórico de informações financeiras e tenham acesso a serviços por outros canais.
  • Fase 4: Por fim, a última fase, que terá início em 15/12, possibilitará o compartilhamento de outros dados de produtos e serviços. Nessa fase, informações relacionadas a operações de câmbio, investimentos, seguros e previdência serão abertas.

O primeiro passo para os bancos será desenvolver um mecanismo para pedir autorização dos dados.

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Como o cliente ganha com o open banking?

Com o open banking o usuário poderá ter mais poder de escolha quando quiser adquirir serviços bancários, podendo contar com opções para além de uma instituição na qual já é correntista.

“Hoje em geral você tem mais opções de produtos financeiros dentro de uma instituição que você já tem relacionamento. Com o open banking, você carrega esse histórico para outras instituições. Isso permite buscar novas ofertas para comparar de fato qual a melhor proposta”, afirma o CEO da fintech de finanças pessoais Mobills, Carlos Terceiro.

Ele considera que o sistema é benéfico para quem quer organizar as finanças pessoais, já que será possível tomar melhores decisões por meio de fintechs do segmento, assim como o Mobills. 

A expectativa, segundo ele, é que o mercado ofereça opções com juros mais baixos para conseguir competir de forma mais igualitária com os grandes bancos.

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O open banking é seguro?

Com a maior liberdade, vem também uma maior responsabilidade do usuário sobre os próprios dados. Todo o sistema implementado pelas instituições deve passar por testes para evitar vazamento de informações, mas a segurança também será um papel do usuário.

“Tudo que é criado pode ser usado para os dois lados. É sempre importante o consumidor compartilhar os dados apenas com instituições de confiança. Pode ter um vazamento de informações sigilosas, depende muito de com quem você compartilha”, destaca Rafael Stark.

Ele considera que talvez as grandes empresas devem sair na frente quanto a conseguirem um mecanismo seguro a hackers, mas que todo o mercado deve prezar pela segurança, seguindo as normas do Banco Central.

“Boa parte dos golpes na praça acabam sendo muito mais uma engenharia social que um problema sistêmico. Portanto, é preciso ter muito cuidado”, alerta.

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