Inflação medida pelo IPCA fica em 1,06% em abril e atinge 12,13% em 12 meses; entenda

Índice desacelera em abril, mas é o maior para o mês em 26 anos. Entenda o cenário e as expectativas para o futuro.

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Rafaela Souza

Puxada pelas altas dos alimentos e do combustível, a inflação brasileira, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) ficou em 1,06% em abril, após alta de 1,62% em março. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (11), essa é a maior variação para um mês de abril desde 1996.

No ano, o IPCA acumula alta de 4,29%. Já nos últimos 12 meses, o índice acumulado é de 12,13%, acima dos 11,30% observados nos 12 meses imediatamente anteriores.

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O IBGE define o IPCA a partir de uma pesquisa de preços que observa a quantidade de produtos e serviços que registraram alta de preços em determinado mês. O índice leva em consideração itens dos seguintes grupos: alimentação e bebidas, habitação, artigos de residência, vestuário, transportes, saúde e cuidados pessoais, despesas pessoais, educação e comunicação.

Como o índice tem impacto direto na vida dos brasileiros, o iDinheiro conversou com especialistas para entender o cenário atual da inflação brasileira e quais são as expectativas para o futuro.

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Entenda o cenário atual da inflação brasileira

Segundo os especialistas ouvidos pelo iDinheiro, o cenário atual do IPCA está diretamente ligado a diversos fatores, dos quais devemos destacar a alta no preço dos combustíveis e da energia elétrica.

De acordo com dados do IBGE, em abril, oito dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados tiveram alta registrada pelo IBGE, sendo que os grupos de Alimentação e bebidas e Transportes tiveram a maior variação e o maior impacto. Juntos eles contribuíram com cerca de 80% do IPCA de abril.

Como aponta André Braz, economista do Instituto Brasileiro de Economia Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), essa alta está diretamente ligada aos energéticos compostos pela energia elétrica e pelos combustíveis. Assim, como esses componentes são importantes para a prestação de serviços do dia a dia e para a produção industrial, tem-se um impacto direto nos preços de diversos produtos e serviços dos brasileiros.

A economista e educadora financeira da Acordo Certo Bruna Allemann também destaca que a alta nos alimentos e no preço da energia elétrica é reflexo da instabilidade dos preços e do aumento do petróleo: “Estávamos tentando controlar nossa economia desde o início da crise do Covid-19 e até hoje nenhum país conseguiu sair disso. Isso acaba gerando outras crises e aumentando drasticamente os preços das cestas básicas que afetam 100% o consumidor final”.

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Impactos da alta nos combustíveis na vida do brasileiro

Como ressalta Bruna, o petróleo é o principal composto de muitos produtos do dia a dia dos brasileiros e vai além da gasolina. Um barril de petróleo, no Brasil, é destinado seguindo a seguinte divisão:

  • 40% vira diesel: o que afeta todo transporte rodoviário, principalmente e encarecendo os produtos que precisam ser transportados, distribuídos pelo nosso país. Esse aumento entra na conta do consumidor que é cobrado mais caro por isso, com o valor do aumento de frete embutido no preço do produto);
  • 18% gasolina;
  • 14% óleo combustível;
  • 8% GLP: óleo de cozinha;
  • 8% nafta, que entra para a indústria química, solventes, indústria de tintas, encarecendo todo o processo de produção;
  • 4% querosene de avião, o que resulta em viagens mais caras);
  • 8% para outros produtos como corantes artificiais, chiclete e plástico, por exemplo.

Dessa forma, se o barril do petróleo encarece, vários produtos também ficam mais caros para os consumidores.

IPCA – Histórico da inflação oficial mês a mês

Expectativas para o futuro

De acordo com o último Relatório Focus, do Banco Central, a expectativa do mercado financeiro é de que a inflação desacelere ao longo do ano. Essa é perspectiva é compartilhada por todos os especialistas ouvidos pelo iDinheiro e está ligada à alta da Selic, que chegou a 12,75% ao ano na última reunião do Copom.

Como aponta a economista Bruna, um dos motivos de aumentar a Selic é desacelerar a economia. Assim, o custo do dinheiro (crédito) fica muito mais caro e pouco atraente para o consumidor, o que pode influenciar para que a inflação não fique muito alta.

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O vice-presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin) Jusivaldo Santos também indica outras alternativas que podem ajudar a desacelerar a inflação: “Além da alta da Selic, o governo tem atuado no front fiscal, reduzindo ou zerando impostos setoriais e alíquotas de importação“.

Em termos práticos, o economista André Braz projeta uma inflação próxima ao que foi divulgado pelo Relatório Focus: “Para o futuro, a inflação deve desacelerar. Então, apesar da incerteza global, aqui no Brasil, há realmente uma tendência de aceleração da inflação, mas ela deve terminar o ano em 8,3% ou até mesmo 7,9%, o que faz com que ela termina abaixo do ano passado, que foi 10%, então a tendência é desacelerar”.

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Você sabia?

O aumento da taxa básica de juros, a Selic, serve para desestimular a demanda. Assim, como lembra o economista do FGV IBRE, as famílias adiam uma viagem ou a compra de uma casa, por exemplo, o que faz com que os preços comecem a subir de forma mais lenta, desacelerando a inflação. Isso também acontece no setor industrial, onde a compra de equipamentos para a produção acaba sendo adiada pelos investidores. No entanto, a longo prazo, se a indústria para de investir na atividade porque os juros estão muito altos, há também uma diminuição nas oportunidades de emprego e renda para a população.

Impactos do IPCA atual para quem paga aluguel

Os brasileiros que pagam aluguel também devem observar o IPCA. Isso porque, atualmente, o índice acumulado em 12 meses está cada vez mais próximo do IGP-M (Índice Geral de Preços e Mercado), que é muito utilizado como indexador de contratos de aluguel.

Segundo o vice-presidente da Abefin, vale a pena negociar o indexador nesse cenário: “Tente trocar o IGP-M, que em 2021 atingiu 17,78%, pelo IPCA, que foi de 10,06% no período. O IPCA reflete melhor a inflação do cidadão comum. Por exemplo, é o índice que reajusta o salário de quem tem carteira assinada. Já o IGP-M é mais influenciado pelos preços do atacado e do dólar, que dispararam em 2020 e 2021.”

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Apesar de ser o índice que orienta o reajuste dos salários dos brasileiros, o economista André destaca que, na prática, isso não está acontecendo, o que também evidencia a importância da conversa entre inquilino e proprietário na decisão do indexador do contrato de aluguel:

“Mesmo com a inflação alta, as negociações salariais estão difíceis e as empresas não estão reajustando os salários exatamente com a inflação passada. Assim, pode ser que um trabalhador tenha dificuldades de arcar com o reajuste de seu aluguel porque o seu salário não está acompanhando a evolução da inflação e, nesse caso, vale realmente a conversa com o proprietário para chegar em um acordo”.

Essa negociação pode trazer vantagens tanto para o proprietário, que precisa de um bom pagador para o imóvel, quanto para o inquilino que, com a grande oferta de imóveis disponíveis, pode se mudar com facilidade caso se sinta prejudicado pelo reajuste:

“Como a oferta de imóveis ainda é grande para alugar, o inquilino tem um poder de ‘barganha’ fortalecido nesse momento, porque ele pode se mudar com facilidade já que a oferta de imóveis ainda é grande e também porque o proprietário não quer ficar com o imóvel vazio nesse período de mercado de trabalho muito afetado. Então, em qualquer contexto, mesmo com inflação baixa, vale sempre inquilinos e proprietários conversarem, porque pode ser vantajoso para ambas as partes negociarem um reajuste menor“, conclui o economista.

Leia também: Reajuste no aluguel: saiba qual índice é mais vantajoso.

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