Governo cortou auxílio emergencial de mais de 2 milhões de pessoas; entenda

Ao longo de 2021, por meio de “pentes-finos”, governo cortou o auxílio emergencial de mais de 2 milhões de brasileiros. Entenda detalhes.

Isabella Proença
Isabella Proença

Ao longo de 2021, governo cortou auxílio emergencial de mais de 2 milhões de brasileiros. Em abril, haviam 39,1 milhões de beneficiários. Em junho, este número caiu para 37,1 milhões. O Ministério da Cidadania afirma que, após pente-fino, há registros de pessoas que ficaram sem o auxílio emergencial e sem o Bolsa família.

Entenda.

Governo cortou auxílio emergencial de mais de 2 milhões de pessoas; entenda

Na última segunda-feira, 5, foi anunciada a prorrogação do auxílio emergencial até o mês de outubro. Na ocasião, ministros do governo, como o da Cidadania, João Roma, afirmaram que o benefício deve chegar a aproximadamente 40 milhões de pessoas. No entanto, os pagamentos foram reduzidos.

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O Ministério da Cidadania afirmou que os cortes se devem às revisões feitas para conferir se as pessoas continuam dentro dos critérios estabelecidos para receber o benefício, além de bloqueios que foram recomendados pela Controladoria-Geral da União (CGU) por indícios de pagamentos indevidos.

A exclusão de brasileiros do programa tem sido maior do que a inclusão de novos beneficiários.

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Até a primeira quinzena do mês de junho, mais de 1 milhão de pessoas que tiveram o auxílio negado contestaram o resultado. Após análise do governo, cerca de 130 mil pedidos foram aprovados, porém, a grande maioria foi rejeitada.

Ademais, há aproximadamente 400 mil pessoas enquadradas na faixa de pobreza e extrema pobreza que perderam o Bolsa Família e o auxílio. O governo já conferiu a documentação e tornou esses cadastros aptos para o Bolsa Família.

Gasto governamental diminuiu

Com a redução da cobertura do auxílio, o gasto do governo também diminuiu: caiu de R$ 8,9 bilhões em abril para R$ 8,85 bilhões em maio, finalizando o mês de junho com R$ 8,5 bilhões.

O Ministério da Cidadania disse que “tem adotado as medidas necessárias para alcançar, com o auxílio emergencial 2021, as famílias em situação de maior vulnerabilidade, assegurando uma renda mínima para essa parcela da população, com responsabilidade fiscal”.

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No mês de junho, os relatos de mães que deixaram de receber o benefício apesar de alegarem que ainda têm direito, aumentaram significativamente. Várias mulheres chefes de família com pelo menos um filho menor de idade se juntaram nas redes sociais para pressionar o governo a retomar o benefício.

Auxílio emergencial prorrogado

O presidente da república prorrogou o benefício por mais três meses. Inicialmente, o programa tinha previsão de terminar em julho. Este ano, o auxílio varia de R$ 150 a R$ 375, dependendo da formação familiar. O valor do benefício chegou a R$ 600 na pandemia e, no caso de mães chefes de família, a R$ 1.200 por mês.

O público que foi beneficiado pelo auxílio foi de aproximadamente 68 milhões de brasileiros em 2020. Porém, devido ao custo elevado aos cofres públicos, o ministro da Economia, Paulo Guedes, passou a defender a redução do auxílio.

Novo bolsa família

Com a previsão do auxílio para terminar em outubro de 2021, o governo espera, a partir do mês seguinte, fazer uma reformulação para ampliar o Bolsa Família, porém essa é uma promessa que vem se arrastando desde o primeiro ano de mandato de Jair Bolsonaro.

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A intenção é ampliar o orçamento do programa, permitindo que a cobertura fique perto de 17 milhões de famílias. Hoje, são 14,7 milhões.

Atualmente, em média, uma família do programa recebe cerca de R$ 190 por mês. O valor deve subir para algo próximo de R$ 270 mensais. Os cálculos ainda serão finalizados para que o governo envie a proposta ao Congresso e os parlamentares analisem o projeto, que tem despertado o interesse da ala política do governo.

A reformulação do Bolsa Família faz parte da estratégia do Palácio do Planalto para recuperar a popularidade do atual presidente em ano eleitoral.

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