Alta da Selic não deve ter efeito imediato no financiamento imobiliário; veja se vale a pena

O aumento da Selic eleva os juros de financiamento imobiliário, mas o impacto para os consumidores pode demorar de 6 a 9 meses. Entenda.

Heloisa Vasconcelos
Heloísa Vasconcelos

O Banco Central concretizou na última quarta-feira, 5, a segunda alta do ano na taxa básica de juros, que chegou a 3,50% ao ano. O aumento na Selic impacta diretamente os custos para obtenção de crédito, mas o financiamento imobiliário não deve sentir o impacto de forma imediata.

Apesar da pandemia, o segmento atingiu recordes no ano passado e tem expectativas positivas para 2021. Segundo dados da Associação Brasileira de Entidades de Créditos Imobiliário e Poupança (Abecip), o valor financiado em 2020 foi de R$ 124 bilhões, o mais alto da série histórica, desde 1994. Para este ano, a expectativa é de R$157 bilhões em negociações.

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Por mais que os bancos ainda não tenham repassado o reajuste da taxa para os juros dos financiamentos, esse repasse deve ocorrer pouco a pouco nos próximos meses. O último boletim Focus prevê a Selic em 5,50% ao ano no fim de 2021, o que significa que novas altas devem ocorrer em breve. 

A expectativa do mercado é que os juros de financiamentos imobiliários só comecem a subir no segundo semestre do ano, segurados pela competitividade entre os bancos e pela recessão econômica.

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O impacto da Selic no financiamento imobiliário

Definida a cada 45 dias, a Selic dita o quão barato ou caro será para os bancos conceder crédito. Nos últimos seis anos, o Banco Central traçou uma tendência de queda na taxa, que chegou ao menor patamar da história no ano passado, em 2% ao ano. 

“Sua redução a níveis mínimos históricos, no ano passado, quando chegou a 2%, proporcionou o acesso a financiamentos imobiliários com custo cerca de 50% inferior ao que era cinco anos atrás”, pontua o fundador e CEO da Credihome, Bruno Gama. 

Com o financiamento imobiliário mais barato, os bancos tiveram que lidar com maior competitividade em um cenário de demanda crescente por imóveis, seja em busca da casa própria ou para investimentos.

Agora, mesmo com a alta da Selic, os bancos devem segurar o repasse para manter o aquecimento no mercado, diante de outras variáveis que vão no sentido contrário da demanda, como o desemprego e a atividade econômica ainda baixa. 

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“Esse encarecimento é marginal e é lento, não acontece da noite para o dia. É uma evolução pequena porque ainda é um mercado que tem o próprio imóvel como garantia. É um setor mais competitivo, com juros um pouco menores. Não vai ter uma mudança abrupta nesse momento”, analisa o coordenador do IPC do FGV Ibre, André Braz.

Ele explica que o desemprego já causa por si só uma repressão da demanda, já que as pessoas têm menos segurança para se comprometer com dívidas longas como a de um financiamento imobiliário. Isso freia os juros, mantendo condições mais vantajosas para quem ainda tem como aproveitar.

Vale a pena financiar imóvel agora?

A incerteza do momento atual deve pesar na balança para quem pensar em financiar imóvel agora, seja para a compra da casa própria ou para investir. 

“Tem muitas profissões comprometidas, não é um momento de se endividar, ainda tem muita incerteza. Mas dependendo do caso dá para aproveitar que o juros ainda tá baixo ”, reitera André Braz. 

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O momento atual guarda as menores taxas de financiamento da história, o que torna as condições favoráveis para quem tem recursos para tomar essa decisão.

“Enquanto em 2016 as parcelas de um financiamento de R$ 200 mil em 360 meses giravam na média de R$ 2,5 mil, com juros acima de 11% ao ano, essa parcela caiu para cerca de R$ 1.200,00, com uma taxa média na casa dos 7% ao ano, ou até menor, dependendo do tipo de indexação que se escolher”, calcula Bruno.

Para a cofundadora da Felí, Fernanda Machado, nunca houve condições de crédito tão vantajosas como agora. “O momento é super favorável para a compra de imóveis, principalmente porque as taxas de juros do crédito imobiliário seguem com a mínima histórica, a partir de 6,25% ao ano, nas linhas com correção monetária pela Taxa Referencial (TR), que está zerada”, pontua.

Quem decidir esperar para financiar pode acabar se frustrando, já que as altas da Selic ao longo do ano devem puxar os juros para cima. Fernanda compara que em setembro de 2019, quando a Selic estava em 5,5%, os juros de financiamento imobiliário estavam em torno de 7,5%.

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Como conseguir as melhores condições?

Pesquisar as taxas de juros em várias instituições financeiras é a melhor forma de conseguir a melhor negociação. Vale a pena trazer propostas de outros bancos para tentar cobrir a oferta.

O relacionamento com o banco é importante para negociar as taxas e é possível conseguir crédito mais barato caso as contas estejam em dia. 

Outra opção para quem já possui um financiamento é buscar portabilidade para uma outra instituição financeira com juros mais baixos. “Se uma pessoa financiou há 5 anos atrás pagando taxa de 11%, pode fazer a portabilidade e tentar baixar para 7%”, exemplifica Fernanda.

A mudança pode ser feita entrando em contato diretamente com o banco concorrente, sem necessidade de contato com a instituição em que se é cliente. 

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