Saiba por que o dólar está em queda e como isso afeta a sua vida

Após atingir o patamar de R$ 5,80, o dólar está em trajetória de queda e chegou ao menor valor do ano nesta semana. Efeitos não são imediatos para o consumidor.

Heloisa Vasconcelos
Heloísa Vasconcelos

O dólar está em trajetória de queda e tem chegado mais próximo dos R$ 5. Após chegar no recorde histórico de R$ 5,90 no ano passado e já tendo atingido R$ 5,80 em março deste ano, a moeda americana chegou ao menor valor do ano na última sexta-feira, 4, fechando o dia em R$ 5,03.

No começo da tarde desta sexta-feira, 11, o dólar girava em torno de R$ 5,08, patamar relativamente estável considerando a última semana. A queda da moeda foi motivada por fatores internos e externos à economia brasileira, como o aumento de juros nos Estados Unidos e o crescimento do PIB no Brasil.

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O dólar mais baixo não deve ser sentido de forma imediata no bolso do consumidor e só terá efeito perceptível caso a moeda se mantenha estável nesse patamar por algum tempo.

Apesar disso, a cotação mais baixa pode ser uma boa notícia para quem quer realizar compras internacionais e é uma oportunidade para quem pretende fazer reserva em dólar esperando uma valorização futura.

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Entenda a movimentação do mercado e quais impactos isso pode trazer no seu bolso.

O porquê da queda do dólar

Diversos fatores afetam a cotação do câmbio e mesmo os especialistas diferem ao responsabilizar o que puxou o valor da moeda para baixo na última semana. O movimento de queda foi causado tanto por questões internas do Brasil, que fizeram o real se valorizar, como por questões externas americanas, que desvalorizaram o dólar.

O professor de finanças e controle gerencial do Coppead/UFRJ, Rodrigo Leite, atribui a queda do dólar ao movimento de retomada da economia no Brasil. No início de junho, foi anunciado um aumento de 1,2% do PIB brasileiro no 1º trimestre, voltando ao patamar pré-pandemia.

“A gente tem uma retomada na economia do Brasil, aceleração da vacinação, tem expectativa de retorno da economia. Teve o crescimento do PIB do Brasil, que já recuperou a queda do ano passado, estamos no pique nominal anterior. Essas notícias favorecem o real e diminuem a incerteza”, destaca.

Para o analista político e economista Carlo Barbieri, o superávit da balança comercial brasileira também teve impacto na valorização do real. O número chegou a US$ 9,2 bilhões em maio, sendo o melhor resultado da história para o mês.

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“Isso pressiona a venda do dólar no mercado externo. Com a perspectiva de baixa, os exportadores que poderiam manter moeda no exterior preferem vender. Houve uma transferência de dólares que voltaram para o Brasil”, justifica.

O pesquisador sênior da área de economia aplicada do FGV Ibre, Livio Ribeiro, contudo, afirma que, muito mais que essas questões, foram fatores externos que puxaram a moeda americana para baixo.

“As pessoas tendem a dar uma importância muito grande aos fatores domésticos, mas na prática geralmente a pressão vem de fora”, explica. Segundo ele, o aumento nos juros americanos e a elevação do preço de commodities foram pontos chaves para a cotação atual.

Quais os impactos no seu bolso?

O dólar alto ajuda os exportadores, sobretudo de commodities, que conseguem lucrar mais. Por outro lado, toda a cadeia de consumo que depende de insumos vindos de fora do país sofre com preços mais altos.

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Apesar da queda de quase 30 centavos no último mês, os especialistas explicam que o efeito para o bolso não é imediato e só será sentido de fato se o dólar se mantiver nesse patamar por algum tempo. 

Rodrigo aponta que, como grande parte dos insumos utilizados pela indústria são dolarizados, toda essa cadeia produtiva pode ser impactada. “Como a cadeia produtiva é longa, demora um tempo até o consumidor sentir uma estabilização no preço dos futuros. Um IGP-M menor pode trazer um IPCA menor no futuro. Demora entre 6 meses e um ano para a gente sentir. Se houver uma estabilização do preço durante dois a três meses gera um impacto perceptível no final da cadeia”, projeta. 

Caso ocorra uma estabilidade no curto prazo, espera-se redução, por exemplo, no preço dos combustíveis. Carlo estima que deve levar pelo menos 30 dias até que ocorra essa compensação nos preços.

O que esperar e o que fazer agora

Carlo estima que o dólar deve se manter nesse patamar próximo de R$ 5 no curto prazo, mas não há como cravar previsões para o futuro, assim como em qualquer ativo volátil.

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“As expectativas do ponto de vista econômico é de uma estabilidade ao redor dos 5 reais. O dólar é muito emocional no Brasil, se há alguma interrupção abrupta do Supremo, por exemplo, pode subir novamente”, considera.

Para Lívio, não há uma tendência clara para onde a moeda deve ir, então o consumidor deve ter uma visão ponderada antes de tomar decisões sobre o que fazer. “Quando tá tudo mal o mundo não acabou e quando as coisas estão bem os problemas não estão resolvidos”, resume.

Com a impossibilidade de viagens internacionais devido à pandemia, uma opção para quem quer aproveitar a cotação mais baixa do dólar é fazer reservas de valor na moeda, tanto para guardar para viagens futuras como para aproveitar rentabilidade no caso de uma futura valorização.

Esse é um momento bem mais favorável para compras internacionais do que há dois meses, o que é uma boa notícia para quem quer importar. 

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