Copom eleva taxa Selic para 10,75% ao ano

Conforme esperado, Copom eleva taxa Selic a 1,5 p. p. Com isso, o indicador atinge 10,75% ao ano e já acumula oito altas consecutivas.

Isabella Proença
Isabella Proença

Nesta quarta-feira, 2, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou a taxa Selic de 9,25% ao ano para 10,75% ao ano – alta de 1,5 ponto percentual. A decisão foi unânime e já era esperada pelos economistas.

Com o oitavo aumento consecutivo, o indicador atinge dois dígitos pela primeira vez em quatro anos – em julho de 2017, estava em 10,25% ao ano.

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O aumento da taxa Selic é uma tentativa do BC de conter a escalada na inflação, que fechou 2021 em 10,06%, o maior nível em seis anos. Para 2022, o mercado financeiro já prevê inflação acima dos 5%.

De março a junho de 2021, o Copom havia aumentado a taxa em 0,75 ponto percentual em cada encontro. A partir de agosto, o BC decidiu elevar a Selic em 1 p. p. a cada reunião. Com a alta da inflação e o agravamento das tensões no mercado financeiro, o reajuste passou para 1,5 ponto nas três últimas reuniões.

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Copom eleva taxa Selic a 1,5 ponto percentual

Em nota à imprensa, o Copom deu a entender que seguirá aumentando os juros básicos até o controle da inflação no médio prazo. Entretanto, informou que o ritmo das altas será reduzido nos próximos encontros, pois a economia ainda está sofrendo os efeitos dos aumentos anteriores.

“Em relação aos seus próximos passos, o Comitê antevê como mais adequada, neste momento, a redução do ritmo de ajuste da taxa básica de juros. Essa sinalização reflete o estágio do ciclo de aperto, cujos efeitos cumulativos se manifestarão ao longo do horizonte relevante”, destacou o comunicado do Copom.

Um dos fatores que podem intensificar a alta de preços, segundo o Comitê, são as políticas fiscais do governo. Apesar do desempenho das contas públicas ter melhorado, o Copom avalia que ainda há uma incerteza em relação ao arcabouço fiscal, ou seja, o mercado ainda não confia plenamente que o governo respeitará as leis relativas à saúde das contas públicas. “Isso implica maior probabilidade de trajetórias para inflação acima do projetado de acordo com o cenário de referência”, afirma a nota.

O que dizem os especialistas

O sócio e chefe da mesa de operações da Ação Brasil Investimentos Idean Alves avalia as expectativas para as próximas reuniões e para os investimentos após o aumento, que, segundo ele, “ficam mais interessantes”.

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“O tom mais duro do comunicado da 244ª reunião do Copom surpreendeu negativamente com a sinalização de novas altas ao longo do ano de 2022, supondo uma trajetória de elevação até 12% no primeiro semestre, e encerrando o ano em 11,75%, caminhando para 8,00% em 2023”, destacou Alves.

Sobre os investimentos, o chefe de mesa de operações ressalta que “papéis de renda fixa pré-fixados, com vencimentos de médio prazo podem se mostrar bastante atrativos, assim como os pós-fixados de curto prazo, que pegam na veia essa e as próximas altas da Selic, caso se confirmem”.

Segundo ele, “como a inflação continua elevada, ainda vemos títulos pagando o IPCA+6%, que sem dúvida alguma deve compor a carteira dos investidores mais conservadores e moderados”.

Já o economista e sócio do BRA João Beck afirma que o Copom menciona no comunicado exatamente o que o mercado esperava. “Essa subida é uma sinalização de alguma desaceleração do ciclo de alta que deve ir até o fim do ciclo. Ou seja, há uma sinalização de que o ritmo de alta irá diminuir”, diz ele.

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“O ritmo de altas sequenciais de 150 pts é uma velocidade muito alta. E essa aceleração aconteceu depois da mudança da regra de teto de gastos. Com o alívio das contas públicas, melhora nos reservatórios, desaceleração da atividade e valorização do Real é esperado pelo menos uma velocidade menor de alta nas próximas reuniões independente da mudança ou manutenção da taxa terminal”, conclui Beck.

Saiba mais sobre a taxa Selic

A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira. Desta forma, é com base nela que outras taxas são definidas, como as usadas para empréstimos, financiamentos e até os rendimentos de alguns investimentos. 

O cálculo da Selic é feito com base em inúmeros fatores econômicos. O responsável pelos ajustes da taxa é o Comitê de Política Monetária do Banco Central (COPOM), que se reúne a cada 45 dias para fixar um valor para a Selic. Este número é denominado de Selic Meta ou Meta Selic e pode aumentar, diminuir ou se manter estável. 

A próxima reunião do Copom deve acontecer entre os dias 15 e 16 de março de 2022.

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