Vale a pena deixar a dívida caducar? Veja o melhor momento para buscar negociação de dívidas

A dívida desaparece dos birôs de créditos após 5 anos, mas a pendência não deixa de existir. Então quem decide deixar a dívida caducar pode ter consequências negativas.

Heloisa Vasconcelos
Heloísa Vasconcelos

O percentual de endividados no país fechou 2020 no maior patamar dos últimos 11 anos — em 66,5%, segundo estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Com as dificuldades financeiras da pandemia, há quem considere deixar a dívida caducar.

Os órgãos de proteção ao crédito, como SPC, Serasa e Boa Vista, retiram qualquer inadimplência do sistema após 5 anos. Isso significa que a dívida caduca e o devedor consegue “limpar o nome”, voltando a conseguir crédito no mercado.

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Apesar de o consumidor não ficar mais negativado após esse período, ao contrário do que muitos pensam, a dívida não deixa de existir

Quem deixou uma dívida caducar pode até conseguir fazer compras em lojas ou solicitar cartão de crédito, mas terá dificuldades caso tenha objetivos maiores, como a compra de uma casa ou de um imóvel.

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Portanto, é importante que mesmo quem já caducou uma dívida busque a negociação, podendo, inclusive, conseguir bons descontos devido ao tempo que já passou. 

O iDinheiro conversou com especialistas para entender se deixar a dívida caducar é uma estratégia válida e qual é o melhor momento para negociar dívidas

Qual o problema de deixar a dívida caducar?

Mesmo que o débito tenha sido esquecido pelos birôs de crédito, ele continua existindo para o credor, dificultando que o consumidor possa voltar a comprar com a empresa em que deve.

O problema é ainda maior caso a dívida em questão seja com uma instituição financeira. O Banco Central reúne todas as informações sobre débitos pendentes em um sistema que pode ser consultado pelos bancos.

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“O risco é que qualquer pessoa que queira fazer um novo financiamento, principalmente imobiliário ou veicular, qualquer empresa que queira dar o crédito vai fazer uma consulta e vai ver que existe ainda uma dívida a ser paga. Isso pode dificultar a obtenção de crédito”, explica o fundador da fintech de negociação de dívidas Uffa, Alexandre Rosa.

Segundo o sócio e consultor na Plano Finanças Pessoais, José Leonardo, o consumidor pode ter problemas inclusive em outros aspectos.

“Quando caduca a dívida, ela continua existindo, pode ser prejudicial para alguns outros pontos da sua vida, talvez uma oportunidade de trabalho, um intercâmbio”, acrescenta.

Outro ponto negativo é o próprio prazo até que o nome do devedor saia dos órgãos de proteção de crédito: são 5 anos negativado, com dificuldade para obter qualquer tipo de crédito.

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Caducar a dívida pode ser uma opção?

Deixar a dívida caducar até pode ser uma opção, mas deve-se ter em mente que aquele débito ainda deve ser pago

“Eu acredito que é uma estratégia válida, mas não deve ser nunca a primeira alternativa. Tem que ter essa visão em mente, que essa dívida deve ser paga um dia, não é simplesmente deixar para lá”, pontua José Leonardo. 

Para ele, no momento em que vivemos, em que muitas famílias não possuem renda fixa e garantida, a renegociação de dívidas pode ficar em segundo plano. O principal é o endividado olhar para o próprio orçamento e perceber se ele tem como arcar com a negociação nesse momento.

O tempo para a dívida caducar não deve ser o ponto de partida, mesmo nessa estratégia de deixar a negociação para depois. O mais importante é a saúde financeira da família em questão.

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“Se você for tentar negociar com mais do que seu orçamento permite, é uma bola de neve. O tempo para caducar não deve ser considerado, o que deve ser refletido é que sempre é melhor você quitar a dívida”, destaca.

A especialista em educação financeira da Acordo Certo, Bruna Alleman, lembra que os descontos para negociação de dívida podem ser mais atrativos para quem caducou uma dívida. 

“Depois que a dívida caduca, a dívida vem sendo um custo para a empresa, ela já projetou aquilo como negativo, então o que vier é lucro. Se a dívida for muito além do orçamento financeiro, pode ser que você consiga mais facilidade em negociar direto com a empresa”, recomenda.

O melhor momento para negociar

É difícil definir uma regra para qual o melhor momento para sair das dívidas. A principal variável é o orçamento familiar: analisá-lo deve ser o primeiro passo para ter uma maior saúde financeira.

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“É importante, em cima da realidade do devedor e das dívidas, ver a melhor condição para entrar em uma negociação, para verificar se consegue colocar dentro da renda dele parcelas que ele consiga pagar”, aconselha Alexandre.

Essa análise deve ser feita considerando uma projeção futura. Não adianta, por exemplo, negociar a dívida com parcelas de R$ 300 se não há como garantir que esse dinheiro estará disponível todos os meses durante o período do parcelamento.

Bruna reitera que quanto antes for possível sair das dívidas, melhor, para que o consumidor possa voltar a ter o nome limpo. Para quem quer conseguir uma proposta mais barata, ela indica entrar em contato com a empresa credora periodicamente em busca de descontos ou esperar campanhas de negociação de dívidas, como é o caso do Serasa Limpa Nome.

Uma dica que José dá na hora da negociação é ter em mente o valor original da dívida e buscar uma negociação para pagar exatamente ele, sem os juros. Segundo ele, as propostas mais vantajosas começam a aparecer de 6 a 12 meses após a dívida.

Outra indicação é tentar pagar o valor à vista, caso o devedor tenha condições e a empresa ofereça descontos nessa modalidade de pagamento. Uma opção pode ser, inclusive, guardar mensalmente o valor das parcelas para quitar à vista no futuro.

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2 comentários

  1. Kaline Silva

    Ola adorei o conteúdo do seu site e as dicas.
    Vou voltar mais vezes com toda certeza.
    Adorei os artigos, ajudam muito!!!
    Parabens.

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